Desenvolvendo conexões semânticas na Web

A tecnologia de dados integrados pode transformar o serviço de gerenciamento da informação corporativa.

Imagine que, em determinado momento no futuro, você esteja avaliando um local para implementação de uma nova loja de artigos esportivos e necessita tomar decisões com o auxílio do exame de aspectos potenciais e análise de cenários.

Adicionalmente, para seu suporte, todas as informações necessárias estão ao seu alcance: localização, dimensões, mix de produtos, informações públicas, como dados demográficos, estatísticas da economia regional, previsões e localizações de competidores.

Apesar da miscelânea de fontes e formatos dos dados, isso não é um problema para consolidá-los em relatórios gerenciais, já que sua empresa adotou o método de dados integrados, que permite a conexão entre fontes internas e externas. Esse cenário descrito é um reflexo da inclusão das tecnologias de dados integrados que estão baseadas em padrões emergentes de Web semântica.

Nessa vertente, uma aplicação Web com elevada capacidade de configuração de modelagem da informação, assim como um mashup, possibilita a atualização de forma rápida a partir do momento em que as fontes originais são modificadas. Desse modo, análises, como simulações de mudanças de compras regionais de determinados produtos, podem ser efetuadas eficientemente mediante a abordagem de dados integrados.

 

A abordagem do arquiteto: associação de escalas Web utilizando dados integrados

A análise anteriormente descrita sobre a loja de artigos esportivos não seria possível mediante a utilização da maioria dos sistemas de informação atuais, já que não oferecem uma flexibilidade adequada para integrar dados em diferentes formatos oriundos de fontes internas e externas. Mais especificamente, duas situações elevam o grau de dificuldade: a primeira refere-se ao tratamento da integração como um desafio unicamente interno da empresa, e a segunda, à falta de um tratamento adequado para um volume crescente de informação (ver figura 1).

Figura 1: Fontes corporativas de informação
As empresas geralmente não utilizam da melhor forma os dados a que têm acesso, tendendo a focar na informação interna gerada por sistemas transacionais.

  

Como consequência, cada vez mais os executivos ressaltam a criticidade da existência de lacunas de informações que dificultam boas tomadas de decisão (ver figura 2).

 

 

Figura 2: CEOs e a lacuna de informação
Os CEOS, na edição de 2009 da PricewaterhouseCoopers survey apontaram a existência de grandes lacunas entre a informação que eles possuíam e a que precisavam em assuntos de preferências e necessidades do consumidor e grau de risco.
Fonte: PricewaterhouseCoopers 12th Annual Global CEO Survey 2009.

 

Em resposta, o aumento na agilidade e a flexibilidade na disponibilização da informação são as formas como esse espaço pode ser preenchido, e a iniciativa de dados integrados – a interação de esforços da Web semântica -, por sua vez, surge como a ferramenta para esse propósito.

Notadamente, essa nova abordagem desencadeará uma curva crescente de valor sobre os atuais sistemas de informação em conjunto com a absorção de informação externa, porém vale ressaltar que a era dos dados integrados ainda não começou concretamente. Algumas empresas estão na direção correta, e este artigo sugere um caminho para explorar essas possibilidades.

 

Aumentando o alcance das unidades de negócio

As informações são geradas por meio dos processos de negócios e, posteriormente, são expressas em uma linguagem bruta que, muitas vezes, pode criar ambiguidades de interpretação por diferentes óticas. Esse obstáculo para definir elementos essenciais e comuns na comunicação da mesma informação é deixado de lado normalmente pelas empresas.

No entanto, justamente na dificuldade em lidar com o tratamento da semântica, o mundo corporativo acaba prolongando o problema de equalização dos significados da informação entre departamentos, subsidiárias ou parceiros. Um exemplo peculiar é aquele no qual a organização enfrenta a questão de padronização de processos em diferentes regiões. E quando, depois de inúmeras reuniões de trabalho, se dão conta de que estavam utilizando termos semelhantes, porém com significados diferentes, visualizam a necessidade de desenvolvimento de nomenclaturas comumente consistentes.

Dessa forma, removem as ambiguidades, o que facilita a atividade de padronização. Ao final, essa linguagem universal se torna referência para definir a semântica de processos e dados.

A padronização de processos está explorando terrenos cada vez mais inóspitos, e, por causa do crescente número de empresas que se expandem de um universo próprio para o de ecossistemas, onde existem centenas ou milhares de parceiros, a utilização de um padrão de terminologia torna-se uma ferramenta eficiente para o executivo organizar e visualizar agilmente as informações.

 

Ampliando os ecossistemas corporativos com ontologias

As ontologias estruturam-se em uma abordagem que tem o intuito de expor as opções sobre as quais a companhia pode decidir entre adoção de um padrão operacional e também flexibilidade operacional. Elas tornam-se uma plataforma para o desenvolvimento de um entendimento compartilhado da linguagem corporativa formal, não deixando de lado a flexibilidade exigida no âmbito regional.

Os valores das ontologias se estendem além do perímetro das empresas. A maioria delas não se limita apenas ao controle dos processos internos, procurando, por outro lado, a atuação em ecossistemas prolongados, traduzido pelo trabalho com fornecedores e parceiros de negócio.

Existem dois benefícios verificados com o desenvolvimento de uma ontologia compartilhada: primeiro, o aumento da eficiência pela redução de ambiguidades na terminologia e no gerenciamento de processos, e segundo, a referida ontologia permite que as peculiaridades de determinados participantes sejam expostas em momentos sobre os quais o respectivo processo agrega valor e contribui distintivamente.

Em essência, os parceiros de negócio e os competidores estão utilizando ontologias visando a uma maior agilidade tanto em operações internas como também na forma como as operações se interagem entre eles.

 

Eliminando o gargalo da integração

Há anos, as organizações destinam esforços no desenvolvimento de metadados sem que se evidencie a aplicação de ontologias. Até o momento, existe a necessidade de utilização de um conjunto de ferramentas e métodos confiáveis para a criação, a gestão e o compartilhamento de semânticas de metadados de forma viável, o que só pode ser atingido por seu gerenciamento, além da equipe de data warehouse. Por falta de soluções, silos de dados internos desconexos proliferam e, adicionalmente, evidencia-se a tendência pela postergação da conexão com informações externas.

Com planejamento, algumas companhias estão atuando na organização de toda essa informação. A lição essencial é que a integração de dados deve utilizar conectores mediados por ontologias, deixando os dados em suas fontes. Essa abordagem envolve diferentes contextos de informação, e, consequentemente, a necessidade de um referencial torna-se imprescindível para um gerenciamento efetivo.

Na World Wide Web, as empresas estão partindo para o uso de ontologias de domínio compartilhadas, nas quais cada domínio elabora seu próprio modelo de dados — uma coleção explícita de declarações de como os elementos se relacionam uns com os outros. Ou seja, essas coleções, chamadas de ontologias, descrevem relacionamentos entre conceitos. Pela integração dos metadados corporativos com as ontologias de domínio compartilhadas, as empresas estão aprendendo a automatizar o processo de análise comparativa e estão firmando o conceito de compartilhamento.

 

Esclarecendo semânticas com Técnicas de Dados Integrados

Ao utilizar ontologias, é possível conectar-se a dados nunca explorados anteriormente, o que enriquece as informações disponíveis, melhorando, dessa forma, a tomada de decisão. A Web Semântica identifica os relacionamentos da Web e adiciona-os aos relacionamentos integrados entre si e com elementos de dados individuais, o que beneficia a compreensão do executivo na interpretação dos fatos.

Existe um desafio da Web Semântica na iniciativa de dados integrados, já que essa abordagem é muito mais granular do que a Web de documentos. O nível adequado de detalhe levará tempo para ser desenvolvido, e, como parte desse cronograma, uma atividade significativa de desenvolvimento nos vendedores de ferramentas semânticas está ocorrendo, mesmo que pequena e não refinada. Como resultado, alguns aplicativos já estão emergindo, como é o caso da BBC que dispõe de um website que utiliza técnicas de Web Semântica para misturar o conteúdo sobre música.

Dados dispersos na Web e a necessidade tanto de agregá-los e analisá-los com base em semânticas levaram não só a novas ferramentas como também a técnicas e filosofias de gerenciamento de dados. Justamente, por causa das técnicas de Web Semântica, as ontologias podem ajudar as empresas a organizarem e expandirem o metadata atual (ver figura 3).

No entanto, o sucesso dos dados integrados só se concretizará pelo envolvimento das áreas de negócio, que poderão descrever da melhor forma as ontologias sobre o domínio respectivo.

 

Figura 3: Técnicas Web e visualização semântica

Fonte: Ian Davis of Talis 2005

 

Nova vantagem competitiva da informação

As empresas sempre procuraram formas de facilitar a movimentação de informações, porém elas não estiveram focando no nível correto. Os métodos tradicionais de integração gerenciam um pedaço de cada vez a questão dos dados, o que é caro, propenso a erros e não é escalonável. O gerenciamento de metadata também tem o mesmo problema, ainda que parcial, já que não atinge o nível de semânticas compartilhadas.

Dados integrados oferecem valor máximo por meio do desenvolvimento de um contexto que permite às empresas a comparação de suas semânticas, a decisão de alinhamento com fontes externas e a seleção de locais de manutenção de semânticas distintas, evoluindo para uma vantagem competitiva visível. A Tabela 1 sumariza os benefícios dessa abordagem e as técnicas que a precedem.

Conclusivamente, as empresas precisam estar abertas para combinar e compartilhar informação, que deve ser vista como uma chave contribuinte para agilidade, distinção e também um meio para a sustentabilidade e a lucratividade. Organizar e gerenciar dados internos por meio da utilização de ontologias é um caminho para se integrar a novas fontes enormes, beneficiando as tomadas de decisões e, consequentemente, trazendo melhores resultados.

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