Da esq. para a dir. Daniele Cesano, CEO, e Felipe Caltabiano, COO da LandPrint (Foto: LandPrint)
Por Fernanda Cavalcante
Uma estratégia que empresas e startups podem seguir ao desenvolver um novo modelo de negócio é estabelecer uma entidade comercial independente, processo conhecido como spin-off. Foi seguindo essa trajetória que surgiu a LandPrint, criada para avaliar o impacto ambiental das fazendas e buscar soluções econômicas e financeiras para uma produção agrícola sustentável. A ideia surgiu inicialmente na Adapta, startup que presta apoio técnico aos agricultores na implementação de práticas regenerativas.
“O setor agrícola sofre com a falta de dados confiáveis e escaláveis sobre a sustentabilidade da produção, o que dificulta a comunicação com as partes interessadas e a avaliação de riscos e oportunidades”, afirma Felipe Caltabiano, COO da startup. Para este fim, a startup elaborou 32 indicadores cobrindo áreas como sequestro de carbono, saúde do solo, gestão hídrica, biodiversidade, práticas regenerativas e resiliência da produção.
No aspecto das práticas regenerativas, por exemplo, é avaliado a cobertura do solo e a rotação de cultura. Já, quanto aos ativos ambientais, são analisadas informações relacionadas à saúde do solo, uso de água, biodiversidade, proteção de rios e nascentes, estoque de carbono no solo e na vegetação. Em termos de resiliência produtiva, analisa-se a diversidade da propriedade e sua capacidade de enfrentar adversidades climáticas.
Caltabiano comenta que todos os indicadores são padronizados para permitir uma avaliação precisa da performance agropecuária em seu ambiente específico. “Utilizamos critérios de comparação com um potencial de excelência preestabelecido e à situação presente atribui-se um score de 0 a 100, para expressar o grau de desenvolvimento atingido e identificar oportunidades de aprimoramento”, diz.
Dados a serviço de toda a cadeia
Durante o World Agri-Tech Summit, evento de inovação realizado anualmente em São Paulo (SP), o Agtech Innovation News apurou quais os planos mais recentes da spin-off de Cesano e Caltabiano.
Os fundadores explicam que os dados fornecidos pela startup têm sido utilizados de forma variada, conforme a necessidade de cada usuário.
“Instituições financeiras podem usar os dados para verificar ativos ambientais associados a operações e títulos verdes, enquanto corporações olham mais o alinhamento com metas ESG, por exemplo. Produtores, por sua vez, usam nossa plataforma para entender o que falta para gerar créditos de biodiversidade e carbono”, explica Daniele Cesano, fundador e CEO da LandPrint.
Desta forma, a LandPrint visa estabelecer um sistema eficaz e escalável, para medir a sustentabilidade da produção agrícola e permitir avaliar o investimento de impacto sob um novo padrão.
A LandPrint dá a transparência que o processo demanda e elimina o risco de conflito de interesse que a incorporação da solução à Adapta poderia ter. Uma vez que a segunda avalia impacto ambiental de forma imparcial, e a primeira é uma empresa de assistência técnica. “Decidimos reorganizar a Adapta e criar uma nova entidade independente dedicada à avaliação de ativos ambientais para manter a transparência e imparcialidade que esta iniciativa pede”, afirma Cesano.
Essa necessidade de mercado foi reforçada durante a participação de Cesano e Caltabiano no Programa Soja Sustentável do Cerrado (PSSC), realizado em colaboração entre o PwC Agtech Innovation e o Land Innovation Fund (LIF), com apoio estratégico da Embrapii, CPDQ e também da Embrapa e Cargill.
O objetivo da LandPrint é ajudar corporações e instituições financeiras a entender como a melhoria na qualidade ambiental em sua cadeia de suprimento pode gerar menor risco de investimento e de suprimento, além de gerar valor adicionado por meio da antecipação de novas regulamentações, financiamentos mais atrativos, alcance de mercados que valorizam produtos com uma pegada ambiental reduzida e produção mais sustentável.
Futuro verde
“Com o surgimento das NatureTechs, enxergamos uma gradual substituição de mecanismos de certificações por sistemas de mensuração que são mais granulares e fornecem informações mais estratégicas para as empresas”, comenta Cesano.
O custo do serviço oferecido pela startup leva em conta a customização da plataforma, o volume de indicadores acompanhados, a quantidade de usuários, a dimensão da região monitorada e a sofisticação dos recursos analíticos necessários.
O objetivo da Landprint é gerar informações de forma padronizada para atender às diferentes exigências do mercado e gerar valor para toda a cadeia, enquanto reduz as despesas para gerir e gerir dados.