Navegando a onda crescente de incerteza

Confira a 16ª Pesquisa de Líderes Empresariais Brasileiros, recorte da 23ª Pesquisa Anual Global de CEOs

Em apenas dois anos, a visão dos CEOs sobre as perspectivas da economia global mudou radicalmente. Em 2018, nossa Pesquisa de Líderes Empresariais Brasileiros (um extrato da Pesquisa Anual Global de CEOs da PwC) revelou um nível recorde de otimismo em relação ao crescimento econômico do planeta. Este ano, o cenário é exatamente o oposto, pessimismo recorde.

Confira os principais resultados 

45%

dos CEOs brasileiros apostam em desaceleração do crescimento global.

22%

apenas estão “muito confiantes” no crescimento da receita de suas empresas em 2020.

9⁰

É a posição do Brasil entre os mercados estratégicos para expansão dos negócios no mundo.

50%

estão extremamente preocupados com o aumento das obrigações tributárias.

23ª Pesquisa Global com os CEOs

Perspectivas de crescimento dos CEOs em 2020

Bob Moritz, chairman global da PwC, apresenta a 23ª Pesquisa Anual Global de CEOs com foco no crescente pessimismo dos CEOs e na incerteza que se aproximam em 2020.

Duração: 00:01:35

Explore os principais temas do relatório deste ano

A 23ª Pesquisa Anual Global de CEOs da PwC, realizada com 1.581 líderes executivos em 83 territórios (no Brasil, foram 64 participantes) investiga as origens e as manifestações dessa incerteza e o modo como os CEOs estão agindo em relação a elas. Realizada em setembro e outubro de 2019, a pesquisa se concentra em analisar as opiniões dos CEOs sobre os seguintes principais temas

Cenário de incerteza afeta o crescimento

Nos últimos dois anos, a porcentagem de CEOs que acreditam em uma desaceleração do ritmo de crescimento do PIB global aumentou drasticamente: de 0% para 45% no Brasil e de 5% para 53% no mundo. Em todas as regiões, os executivos revelam maior pessimismo; em quase todas, eles demonstram uma confiança reduzida nas perspectivas de aumento das receitas de suas próprias organizações em 12 meses.

O otimismo é maior, no entanto, quando se considera o horizonte de três anos, mas os níveis de confiança ainda são os mais baixos no Brasil desde 2014 – início de um período prolongado de recessão. No mundo é o menor desde 2009, auge da crise financeira global.

Mais barreiras de segurança no ciberespaço

A Internet – a grande conexão global com um papel essencial na democratização da informação – está enfrentando as consequências não intencionais e perigosas de sua promessa. Sem uma estrutura global eficaz que possa regular práticas ou controlar ataques à tecnologia digital, a maioria dos CEOs pesquisados prevê o endurecimento da legislação sobre conteúdo on-line, privacidade de dados e plataformas dominantes de tecnologia.

Fazer upskilling ou não, uma questão ultrapassada

Há uma correlação entre otimismo econômico, confiança nas receitas e avanço do upskilling. Além disso, os CEOs que aproveitam o potencial do upskilling estão sendo recompensados com uma cultura corporativa mais forte, mais inovação e maior produtividade da força de trabalho. Os que estão mais adiantados nesse processo citam a retenção de talentos como o principal desafio, enquanto os que estão apenas começando a jornada veem na motivação e na falta de recursos os maiores obstáculos.

Uma realidade é clara: com o aumento da automação, as mudanças demográficas e a regulamentação, ficará muito mais difícil para as empresas atrair e reter os talentos necessários para acompanhar o ritmo das mudanças tecnológicas. Elas precisarão ampliar sua própria força de trabalho no futuro.

Uma oportunidade encoberta pela crise

A maré mudou em relação às mudanças climáticas. Organizações em todo o mundo estão começando a reconhecer os riscos desse fenômeno e até potenciais oportunidades. Em comparação com dez anos atrás, os CEOs no Brasil e no mundo tendem muito mais a ver os benefícios de uma postura “verde” – por exemplo, em termos de reputação e novas oportunidades de produtos e serviços.

Regionalmente, algumas constatações são previsíveis e outras se mostram preocupantes. As empresas brasileiras e as sediadas na região Ásia-Pacífico e na Europa Ocidental estão mais adiantadas na avaliação dos riscos de transição para uma economia “mais verde” – o que não surpreende, dados os compromissos dos governos com a sustentabilidade nessas regiões. Já o Oriente Médio, onde as economias estão mais expostas aos avanços da energia limpa, está comparativamente atrasado na avaliação das mudanças resultantes de um futuro de baixo carbono.

Em cenário de diversificação de mercados, Brasil perde em atratividade para Austrália, Japão e França


Os conflitos comerciais estrearam em nossa lista global de ameaças no ano passado em quarto lugar e, este ano, alcançaram a segunda colocação como “preocupação extrema” dos líderes executivos. Claramente, o grande impasse global é a disputa entre EUA e China. Entre resposta, os CEOs da China estão mudando vigorosamente sua estratégia de crescimento (58%) e, cada vez mais, sua produção (63%) para territórios alternativos.

O Brasil se beneficiou pouco dessa tendência de diversificação de mercados e foi ultrapassado por Austrália, Japão e França no ranking dos territórios mais importantes para expansão dos negócios na visão dos CEOs globais. Dois anos atrás, os chineses consideravam os EUA seu mercado mais importante para crescimento – quase 60% o listavam como um dos seus três principais destinos de crescimento. Esse percentual caiu para 11%, enquanto a atratividade da Austrália aumentou cinco vezes.

Em menor medida, os chineses também revelaram este ano mais interesse pelos mercados da França (13% para 21%) e do Brasil (8% para 11%), enquanto os EUA pretendem ampliar seus negócios no Japão (6% para 17%).

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Fábio  Cajazeira

Fábio Cajazeira

Sócio, PwC Brasil

Tel: +55 (11) 3674 2000

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