Ten Years to Midnight

Quatro crises globais urgentes e suas soluções estratégicas

As soluções para os desafios mais urgentes do mundo estão ao nosso alcance, mas temos apenas dez anos para agir.

Um padrão surpreendente se revela nas crises que o mundo enfrenta. Temos dez anos para encontrar respostas e implementá-las. Não podemos usar a lógica do século 20 para enfrentar esses desafios. Essa lógica levou a avanços constantes nos padrões de vida em todo o mundo, mas também deu origem a tais crises e falhou ao lidar com elas. Precisamos de abordagens sistematicamente diferentes para criar um futuro melhor, aproveitando a criatividade e o poder dos mercados, mas situando-os em um novo contexto.

O livro da PwC Ten Years to Midnight: Four urgent global crises and their strategic solutions (em tradução livre, Dez anos para a meia-noite: quatro crises globais urgentes e suas soluções estratégicas), escrito por Blair Sheppard e sua equipe, examina as causas profundas dessas crises e sugere algumas soluções estratégicas que poderiam começar a corrigi-las.

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Ten Years to Midnight livro

Avaliações

“Segundo Sheppard, nosso sucesso na solução das crises globais urgentes se resumirá a uma liderança que integre orientações aparentemente opostas, como tradição e inovação. É responsabilidade das universidades nutrir esses líderes. Eu aceito esse desafio.”

Makoto Gonokami Universidade de Tóquio, presidente

“Perturbadoramente real e com uma esperança convincente. Sheppard mostra como os humanos nos trouxeram ao limite e como a humanidade pode encontrar soluções. Incentivo as pessoas a lerem com humildade e coragem para agir.”

Harpal Singh Save the Children, Índia, ex-presidente, e Save the Children International, ex-vice-presidente

“Uma economia global interconectada tirou um número recorde de pessoas da pobreza, mas também desencadeou uma onda de forças perturbadoras – dentro dos países e entre eles – que ameaça a sustentabilidade do sistema atual. Sheppard descreve os problemas de modo convincente e apresenta um marco de possíveis soluções que as pessoas mais beneficiadas em todo o mundo nos últimos setenta anos deveriam adotar.”

Alan Schwartz Guggenheim Partners, presidente executivo

“Um senso de urgência, mas também de oportunidade, é o ponto principal desse livro profundo de Blair Sheppard. Ele combina conhecimento aprofundado de assuntos globais, pensamento estratégico e experiência na assessoria a líderes de todo o mundo para buscar soluções para os mais diversos setores e problemas. Vivemos tempos incertos e, se não conseguirmos resolver as crises que enfrentamos antes da meia-noite – 2030 – seremos deixados no escuro. Comecemos então: não há mais desculpas para esperar depois de ler este livro.”

Julia Pomares CIPPEC, diretora executiva

“Um relato impressionante, baseado na experiência real de liderança do autor em todo o mundo, na visão dos desafios aparentemente insuperáveis que todos enfrentamos e, por fim, no otimismo sobre o caminho a ser seguido.”

Dr. Li Yinuo World Economic Forum, líder global jovem, e McKinsey, ex-sócio

Quatro crises

Os problemas mais graves do mundo, que a PwC resumiu no ADAPT (veja o modelo ADAPT, da PwC), desencadearam quatro crises amplas que, se não abordadas, causarão danos irreparáveis nos próximos dez anos: uma crise de prosperidade, uma crise de tecnologia, uma crise de legitimidade institucional e uma crise de liderança. Perigosamente entrelaçadas, essas quatro crises nos forçaram a repensar e reconfigurar o futuro. Elas também foram aceleradas pela pandemia de Covid-19.

É sentida intensamente por jovens que começam no mundo do trabalho – em um momento no qual o desemprego e o subemprego são endêmicos em todo o mundo, o trabalho se torna mais inseguro, os custos de moradia equivalem a até 40 vezes1 a renda média em algumas cidades e o envelhecimento em muitos países fará com que uma carga tributária crescente recaia sobre os ombros da parcela mais jovem da população. Mas essa não é uma crise apenas para a juventude: no outro extremo da vida profissional, as pessoas enfrentam a aposentadoria com uma poupança insuficiente, e muitos que estão no meio de suas carreiras precisam arcar com hipotecas e custos com a educação e os cuidados com os filhos, enfrentando o risco real de perda de emprego devido à automação e a outros fatores.

1. Fonte: https://www.numbeo.com/property-investment/

A inovação impulsionou melhorias extraordinárias na qualidade de vida e na produtividade em todo o mundo, mas nossos sistemas de controle dos efeitos negativos desse processo não se mostraram eficientes. A PwC estima que, até 2030, 36% dos empregos mantidos por pessoas com escolaridade média e 44% daqueles ocupados por pessoas com baixa escolaridade poderão ser perdidos para a automação.1 Se você pensar no impacto da infraestrutura de energia do século 20 na nossa atmosfera e no nosso clima ou no impacto das grandes plataformas de tecnologia em nossa sociedade, verá que a tecnologia tem consequências imprevistas que criam novos problemas. Drásticas mudanças no cérebro e no comportamento humano, invasão de privacidade, perda de emprego em todos os níveis da força de trabalho, ou seja, as tecnologias que visavam gerar benefícios reais para a sociedade também causam danos reais.

1. Fonte: PwC, “Will Robots Really Steal Our Jobs? An international analysis of the potential long-term impact of automation”, 2018. Análise da PwC com base em dados do banco de dados público do Programa da OCDE para Avaliação Internacional de Competências de Adultos http://www.oecd.org/skills/piaac/publicdataandanalysis/

Nossas instituições não acompanharam as novas necessidades da sociedade. Em contraposição à rápida evolução global, a governança e os costumes das principais instituições sociais permaneceram presos no passado. Como resultado, a força da transformação deforma a maneira como essas instituições funcionam e as impede de preservar seu antigo papel. Por exemplo, 13 das 15 marcas mais polarizadoras1 nos Estados Unidos são empresas de mídia.

1. Fonte: “Media Companies Dominate Most Divisive Brands List, and It Keeps Getting Worse”, Morning Consult, 1/10/2019, https://morningconsult.com/2019/10/01/polarizing-brands-2019/

O exemplo mais óbvio é a incrível falta de ação para lidar com as mudanças climáticas. O objetivo geral do acordo climático de Paris, em 2016, era manter o aumento da temperatura média global “bem abaixo de 2 graus centígrados superiores aos níveis pré-industriais”. Dos 195 países signatários, apenas 7 atingiram essa meta e nenhum deles está entre os principais emissores de gases de efeito estufa.1 Vemos esse fenômeno também em relação a outras questões que exigem cooperação global – do estímulo econômico ao desenvolvimento de vacinas. No momento em as preocupações locais das pessoas se tornam muito agudas, o comportamento dos líderes se revela cada vez mais provinciano, e o mundo se vê em um jogo de soma zero.

1. Fonte: “Climate Action Tracker”, https://climateactiontracker.org/countries

Soluções

Temos dez anos para fazer mudanças sistêmicas fundamentais e em larga escala. Não podemos usar a lógica do século 20 para enfrentar esses desafios. Afinal, foi essa lógica que levou à crise. O livro apresenta um caminho alternativo, que se baseia em nossas melhores ideias e propõe uma forma de modificar nossas abordagens para nos adaptarmos ao contexto, aos desafios e às oportunidades que o mundo enfrenta hoje. A antiga lógica precisa ser substituída por uma nova maneira de pensar sobre o significado do sucesso e sobre como alcançá-lo.

 

É preciso começar repensando a globalização. Segundo a lógica clássica da macroeconomia desde a Segunda Guerra Mundial, a globalização e o comércio global criam riqueza e prosperidade. E, de fato, criam. O problema é que esse sucesso econômico resultou nas crises identificadas acima. O mundo não está mais disposto ou apto a consumir em larga escala produtos ou serviços produzidos por mais uma região de baixo custo. Precisamos mudar a lógica da globalização e nos concentrar primeiro no desenvolvimento de economias locais bem-sucedidas.

As maneiras que sempre usamos para medir o sucesso não funcionam mais. Um foco estreito no PIB fez os países deixarem de ver as profundas diferenças no bem-estar de seus cidadãos; o crescimento não foi universal. Além disso, o progresso econômico nem sempre é acompanhado de progresso social. Ao se preocupar excessivamente com o valor para os acionistas, as organizações perderam de vista suas responsabilidades maiores em relação às sociedades nas quais operam. Precisamos redefinir o sucesso para que ele seja inclusivo e reconheça as profundas interdependências existentes na essência do avanço sustentável de qualquer país, organização ou pessoa.

Precisamos ter um período de recuperação institucional. Não podemos ter instituições de ensino que preparem os estudantes para o mundo do passado, em vez de para aquele em que eles ingressarão. Também não podemos confiar em instituições globais para coordenar um mundo cada vez mais fragmentado. Cada instituição precisa identificar sua função principal na sociedade, revitalizar seu compromisso de desempenhar essa função e se reprojetar de acordo com o contexto atual. A governança precisa envolver os stakeholders de forma ampla e permitir mudanças rápidas.

Os problemas criados pela tecnologia não serão resolvidos apenas pela tecnologia. A tecnologia é indiferente aos seus resultados. Somente quando estamos atentos a suas consequências imprevistas – e, por exemplo, fazemos projetos tendo o bem social em mente – é que ela pode trabalhar para atender às necessidades mais amplas da sociedade. Para conseguir isso, é fundamental enfatizar pelo menos cinco ideias simples: não conseguimos controlar o que não entendemos; as informações são cada vez mais um bem ao mesmo tempo público e privado; todas as organizações têm agendas, por isso a sociedade civil precisa exercer seu papel; precisamos aprender a controlar aquilo que não podemos ver; e o uso que as pessoas fazem da tecnologia é o fator mais determinante das consequências positivas ou negativas que ela apresenta, por isso precisamos nos disciplinar.

Todas as ideias descritas acima normalmente levam tempo para serem executadas, e tempo é algo que não temos. Não temos dez anos para começar; temos dez anos para fazer mudanças sistêmicas fundamentais. Há muito poucos precedentes de soluções necessárias tão rapidamente e em tão larga escala, mas podemos ver a evolução de algumas com base em lições da história, como o Plano Marshall.

Liderança: redefinindo a influência e equilibrando paradoxos

Impulsionar mudanças nessa escala no mundo de hoje exigirá uma liderança adequada à tarefa. Precisamos de um novo modelo. Os líderes precisam de competências e sensibilidades que parecem contraditórias: para citar apenas algumas delas, sofisticação tecnológica, mas também consciência profunda dos sistemas humanos e da psicologia; coragem heroica, mas humildade suficiente para ouvir e mudar de rumo, se necessário; e conhecimento profundo dos elementos essenciais das coisas que estamos tentando mudar, mas capacidade de inovação elevada (veja “Os seis paradoxos da liderança”, da PwC). A tarefa fundamental dos líderes de nações, instituições e empresas é promover esse tipo de liderança para que o mundo possa enfrentar as crises que ameaçam a todos nós.


Embora o livro tenha sido escrito antes da Covid-19, a pandemia acelerou praticamente todas as tendências discutidas. O momento atual lembra a todos que há muito pouco tempo para repensar e agir antes que o mundo se torne um lugar muito pior. O livro, no entanto, é otimista. Seus autores acreditam que a humanidade conseguirá enfrentar o desafio e, em menos de 200 páginas, apresentam um modelo para compreender o estado atual do mundo e uma maneira de conceber a criação de um futuro que sirva a todos. Eles nos exortam a começar a trabalhar agora.

 

Sobre o autor principal

Blair Sheppard

Blair Sheppard

Líder global de Estratégia e Liderança do Network PwC

Blair Sheppard entrou para a PwC em 2012 como líder global de Estratégia e Liderança. Blair lidera a equipe responsável por formular a estratégia global da PwC em 158 países e por desenvolver a atual e a próxima geração de líderes da firma. Ele também é professor emérito e decano emérito da Fuqua School of Business da Duke University.

Blair assessorou mais de 100 empresas e governos nas áreas de liderança, estratégia corporativa, relações e design organizacional, tendo publicado mais de 50 livros e artigos. Seus artigos mais recentes – “Uma crise de legitimidade” e “Adaptação a um novo mundo”, publicados na revista strategy+business – se concentram nos desafios globais mais sérios que o mundo enfrenta atualmente, incluindo os do ambiente pós-Covid-19.

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Marcelo Gil

Marcelo Gil

Sócio, PwC Brasil

Tel: +55 (11) 3674 2000

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