Covid-19: Cadeia de suprimentos

Medidas de curto prazo em relação ao coronavírus lançam as bases para uma resiliência proativa

A disseminação do novo coronavírus, Covid-19, está tendo reflexos nas operações das empresas cujas ações e impactos são difíceis de modelar e avaliar, principalmente em virtude das regiões afetadas estarem no centro de muitas cadeias de suprimentos globais. Faltam informações concretas, aumentam as preocupações com a redução (ou situação ociosa) dos estoques e, portanto, as empresas temem não cumprir suas as obrigações contratuais a tempo.

Entender como os fabricantes globais estão gerenciando suas cadeias de suprimentos ajudará todas as empresas a estruturar suas próprias respostas. Os impactos em muitas empresas de diversos setores parecem inevitáveis. No curto prazo, o custo dos suprimentos da China poderá aumentar em decorrência de fatores como horas extras, custos com fretes mais rápidos e pagamento de preços mais elevados para comprar suprimentos e manter a capacidade produtiva. As empresas também estão trabalhando com estratégias alternativas para escolher seus fornecedores. Identificar cenários opcionais de suprimento se tornará essencial, assim como avaliar o que eles significam para as operações uma vez que os casos de transmissão viral já ocorremem diferentes territórios.

Covid-19: disrupção nas operações e na cadeia de suprimentos

Com o que se preocupar agora

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As empresas com exposição direta ao surto do Covid-19 estão realizando uma série de ações, incluindo: 

  • Transportar o estoque disponível para áreas distantes das zonas de quarentena, levando-o para perto de portos onde possa ser acessado para remessa.
  • Garantir a capacidade e o status de entrega para fornecedores de Nível 2 e 3, além dos suprimentos alocados e da capacidade de montagem em períodos de hora extra onde for possível.
  • Comprar com antecedência para obter estoques e matérias-primas em falta nas áreas impactadas.
  • Garantir o transporte aéreo quando o fornecimento e a capacidade se tornarem disponíveis, diminuindo o prazo de entrega – que seria mais longo com o frete marítimo.
  • Ativar substituições de peças ou matérias-primas pré-aprovadas em locais onde o fornecedor principal é impactado, mas o secundário não.
  • Acionar recursos de redesenho de produtos ou certificação de materiais onde fontes alternativas confiáveis de peças ou matérias-primas ainda não estiverem disponíveis.
  • Atualizar clientes sobre atrasos e ajustar a alocação deles para otimizar lucros relacionados às receitas de curto prazo ou para cumprir termos contratuais.
  • Ajustar a demanda, oferecendo, por exemplo, descontos no estoque disponível, nos casos em que a oferta para o fim do inverno ou início da primavera for reduzida, otimizando a receita de curto prazo.
  • Destinar a outras fábricas novos produtos antes voltados para a China ou para áreas que já tenham sido significativamente impactadas.

Em termos práticos, as empresas estão fazendo o possível para quantificar e comunicar as mudanças esperadas nos volumes de oferta e demanda em suas projeções para os próximos trimestres. Tem sido difícil entender em campo quais são os avanços nessa área. 

Avalie implicações de médio prazo
À medida que as fábricas nas regiões afetadas voltarem a funcionar lentamente e as lacunas de informação começarem a ser solucionadas, as empresas passarão a cuidar das implicações mais amplas do surto do Covid-19 sobre suas cadeias de suprimentos. Isso provavelmente incluirá: 

  • Quantificar o impacto atual e de longo prazo do vírus sobre a oferta, a demanda e o desempenho futuro do mercado.
  • Avaliar o risco operacional em funções essenciais de negócios.
  • Obter dados críticos da cadeia de suprimentos em todos os níveis para avaliar adequadamente os possíveis danos.
  • Preparar-se para estabelecer um processo temporário de recuperação e avaliação de estoque, onde for aplicável, e buscar estratégias alternativas de fornecimento.
  • Informar os principais stakeholders da cadeia de suprimentos sobre o volume de suprimentos e alterações na demanda para os próximos trimestres.
  • Realizar exercícios de planejamento de cenários para entender as implicações operacionais – financeiras e não financeiras.

 

Com os aprendizados obtidos durante o surto do Covid-19, a vanguarda competitiva das operações da cadeia de suprimentos provavelmente evoluirá para uma modelagem proativa mais abrangente.

Com o que se preocupar depois

Melhore a visibilidade da cadeia de suprimentos
Implante ferramentas de visibilidade da cadeia de suprimentos que permitam ver as restrições de capacidade dos fornecedores de primeiro, segundo e terceiro níveis. Avaliando mais a fundo suas cadeias de suprimentos, os fabricantes globais podem obter um perfil mais completo da origem dos seus subcomponentes. As tensões comerciais EUA-China já haviam dado mais destaque a aspectos como país de origem e custos aduaneiros, principalmente para empresas com cadeias de suprimentos terceirizadas ou semiterceirizadas. Agora, esses programas comerciais apoiarão estratégias de resiliência e conformidade relacionadas a uma série de questões de importação/exportação, como cumprimento de leis de trabalho infantil, políticas sobre minerais de áreas afetadas por conflitos ou embargos comerciais.

Modele novos riscos e custos
Os líderes empresariais também devem observar como novas ferramentas e tecnologias podem fornecer mais inteligência. Por exemplo, ferramentas de avaliação de risco que fazem uso de aprendizado de máquina podem detectar padrões que indiquem riscos ou oportunidades em dados macroeconômicos, geopolíticos, da saúde global, de câmbio, entre outros. Além disso, os executivos devem considerar a expansão de ferramentas de custos aduaneiros para incluir novos elementos, como o (potencial) custo das compensações de carbono. Essas ferramentas também podem modelar rapidamente cenários alternativos de suprimento e transporte, como, por exemplo, fazer redirecionamentos em caso de uma greve portuária ou optar por uma fonte alternativa de suprimento.

Concentre-se na resiliência
Com os aprendizados obtidos durante o surto do Covid-19, a vanguarda competitiva das operações da cadeia de suprimentos provavelmente evoluirá para uma modelagem proativa mais abrangente. As empresas devem entender suas cadeias de suprimentos mais profundamente e numa dimensão maior. É provável que o surto do Covid-19 resulte em reconfigurações mais duradouras das cadeias de suprimentos para criar resiliência. Isso já está em andamento, com algumas empresas americanas diversificando os modelos operacionais na Ásia em resposta a mudanças nas políticas comerciais.

 

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