Tendências do setor de bancos e mercado de capitais em 2020: lançando as bases para o crescimento

09 Julho, 2020

Peter Burns, 
Líder global de Bancos e Mercados de Capitais, sócio, PwC Austrália

A inquietação dos CEOs no setor bancário e de mercado de capitais (BCM) está aumentando. Além da antiga angústia sobre temas como regulamentação, confiança do público e ritmo das mudanças tecnológicas, a 23ª Pesquisa Anual Global com CEOs da PwC mostra que a preocupação dos líderes com os efeitos de um crescimento econômico incerto para as perspectivas de suas empresas cresceu bastante desde o ano anterior. E isso foi antes que a Covid-19 causasse uma crise global, adicionando nova pressão aos testes de estresse dos bancos sobre saúde e liquidez do portfólio. A pesquisa também destaca preocupações crescentes sobre populismo, conflitos comerciais e incerteza geopolítica. No entanto, todos esses desafios podem ajudar a acelerar a transformação operacional e abrir oportunidades de diferenciação e crescimento.

 

Não será um caminho fácil. Alguns grandes players do setor de BCM anunciaram retornos estelares no início de 2020, mas eles são exceção. Para cada recorde, existem inúmeras outras organizações que mal estão ganhando para cobrir o custo de capital.

 

Os CEOs do segmento ainda enfrentam dificuldades para acompanhar o ritmo das regulamentações, da transformação digital e das ameaças cibernéticas. Considerando os CEOs de todos os setores, eles estão entre os mais preocupados com as mudanças tecnológicas, apesar de fazerem investimentos significativos nessa área. Em vez de reduzirem o gap tecnológico e fornecerem novos recursos para melhorar a experiência do cliente, grande parte do seu orçamento continua sendo direcionada para o cumprimento de requisitos regulatórios e para manter a operação. A pergunta básica que eles precisam responder é quanto gastar para operar e transformar a instituição. Com recursos limitados, esse é um equilíbrio difícil. Algumas organizações do segmento de BCM estão explorando novos modelos de parceria e financiamento para acelerar seu avanço.

 

A transformação digital também levanta a questão da confiança. Por exemplo, a crescente aplicação da inteligência artificial na consultoria de investimentos e na aprovação de empréstimos torna importante prover asseguração aos clientes sobre como seus dados são usados e como esses novos sistemas podem beneficiá-los. Medidas de segurança cibernética eficazes também são uma parte crítica da manutenção da confiança. De acordo com nossa pesquisa, as ameaças cibernéticas estão atrás da regulamentação na lista de questões que preocupam os CEOs do setor.

Catalisador de mudanças

A incerteza traz oportunidades. A turbulência econômica deve acelerar a reorientação estratégica e a retomada operacional. As empresas que se concentram em oportunidades-chave podem traçar um caminho para o crescimento no período turbulento que se aproxima. Tanto a pesquisa quanto o nosso trabalho com os clientes apontam para quatro ações importantes que os CEOs do setor devem executar:

1. Assuma um novo papel no ecossistema – migre para a arquitetura aberta
Nossa pesquisa mostra que a experiência do consumidor é a mais alta prioridade de investimento dos CEOs do setor de BCM este ano. A importância dessa questão é irrefutável, mas, para atendê-la, as organizações de BCM, em nossa visão, terão que investir em arquitetura aberta.

Menos de 15% dos CEOs do setor de BCM acreditam que estão fazendo avanços significativos para definir as competências que vão direcionar sua futura estratégia de crescimento.

2. Faça upskilling com uma síntese “biônica” de recursos humanos e de máquinas
Menos de 25% dos CEOs do segmento de BCM acreditam que estão fazendo progresso significativo na definição das competências que conduzirão sua estratégia de crescimento futuro. Em parte, isso se deve a uma abordagem desarticulada de transformação tecnológica e transformação de pessoas. Em vez de direcionar a mudança tecnológica de forma isolada e depois definir as habilidades necessárias para se adaptar a ela, uma abordagem possivelmente mais eficaz está na “inovação liderada pelas pessoas”. Com essa abordagem, os líderes incentivam seus empregados a se tornarem “eternos aprendizes” – ou indivíduos que estão constantemente adquirindo novas habilidades. A organização pode aproveitar as ideias deles para inovar e ajudar as pessoas a realizar todo o seu potencial. A combinação de abordagens digitais e humanas é absolutamente crucial em um mundo no qual os consumidores ainda valorizam as interações pessoais, mas também esperam ter experiências avançadas baseadas na tecnologia.

 

3. Faça mudanças reais que integrem antigos desafios ao cotidiano de negócios
Vários fatores abordados há algum tempo como riscos tornaram-se o “novo normal”, incluindo regulamentação excessiva, ameaças cibernéticas e mudanças climáticas. Em nossa Pesquisa Anual Global com CEOs, os líderes do segmento de BCM mencionaram a regulamentação excessiva como a maior ameaça às suas perspectivas de crescimento. Até hoje, as organizações normalmente separavam seu orçamento para gastos regulatórios e outro para desenvolver competências e a experiência do consumidor. Na nova normalidade, os que puderem alocar capital de uma maneira que reconheça as correlações (e possíveis sinergias) entre essas três questões terão vantagem competitiva – ou seja, cada dólar gasto aprimora o compliance, as competências e a experiência do consumidor simultaneamente. 

 

Nossa pesquisa mostra que a cibersegurança é a mais alta prioridade de investimento dos CEOs do segmento este ano e eles veem as ameaças cibernéticas como o segundo maior risco ao crescimento. É preciso investir mais. Também é preciso fortalecer a vigilância e a proteção à medida que os modelos de serviço se tornam mais abertos.

 

Na nossa pesquisa, os CEOs do segmento de BCM consideram as mudanças climáticas em grande parte uma questão de reputação, não uma oportunidade de novos produtos ou serviços. Acreditamos que a sustentabilidade agora faz parte de uma licença de operação. Isso significa que as empresas de BCM terão que ir além dos padrões de relatórios a elas impostos e comunicar propósito e políticas claras. Assim, surgirão oportunidades para novas proposições para clientes e empregados e para o fortalecimento das cadeias de suprimentos e parcerias.

 

4. Mantenha o rumo da simplificação
As organizações de BCM devem continuar a simplificar suas operações racionalizando seu conjunto de produtos e serviços. Também é importante fazer escolhas claras e disciplinadas sobre quais segmentos de clientes específicos elas estão mais bem equipadas para atender e quais devem visar. Outras prioridades são simplificar as mensagens corporativas para menos pontos-chave que repercutam no mercado-alvo. O benefício é duplo. Ao remover a complexidade desnecessária da infraestrutura legada, as empresas podem reduzir custos. E com uma infraestrutura mais simples, as instituições do setor podem aproveitar novas oportunidades de receita com mais agilidade. Publicada em 2019, a pesquisa sobre fintechs da PwC destaca quanto tempo as organizações do segmento de BCM demoram para levar suas inovações do laboratório para o mercado. Eliminar processos complexos de decisão pode ajudar a acelerar a execução.

 

Transformando incerteza em oportunidade

O panorama de mercado para o segmento de BCM é cada vez mais incerto e desafiador. Em vez de seguir uma abordagem reativa, as instituições mais preparadas estão usando a disrupção como um catalisador para ganhar agilidade, fortalecer suas competências operacionais e melhorar sua diferenciação. Os elementos-chave são um conjunto simplificado de produtos e novos modelos de talentos e serviços. Com o uso da arquitetura aberta, também há oportunidades para aprimorar os resultados obtidos pelos consumidores e descobrir novos fluxos de receita em uma cadeia de valor cada vez mais ampla e flexível.

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Lindomar Schmoller

Lindomar Schmoller

Sócio, PwC Brasil

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