O agronegócio cresce e as famílias prosperam

Ana Malvestio*

As famílias brasileiras são um dos grandes pilares do agronegócio no país. São as famílias que respondem por grande parte da produção agrícola e pecuária do Brasil. Foram elas que desbravaram o Centro-Oeste, que povoam a fronteira agrícola conhecida como Mapitoba (Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia), que lutam diariamente para superar os desafios de cada ciclo e contribuem para o Brasil ser o grande produtor e exportador de diversas culturas.

Apesar da ausência de dados voltados especificamente para a realidade das empresas familiares no agronegócio brasileiro, é possível identificar aspectos importantes sobre os desafios e as prioridades das famílias do setor.

Evidências e a nossa experiência sugerem que empresas familiares, independente da área de atuação, possuem preocupações e desejos similares. A 8ª edição da Pesquisa sobre Empresas Familiares da PwC analisou as respostas de 2.800 empresas familiares em 50 países (o Brasil representa 5% do universo pesquisado) e revelou aspectos importantes que, com certeza, são essenciais para o crescimento dosnegócios das famílias do agro brasileiro.

Um deles é o processo de sucessão, uma etapa delicada em toda empresa familiar. A pesquisa aponta que apenas 19% das empesas (15% no mundo) têm um plano de sucessão. A boa notícia é que esse percentual quase dobrou em relação a 2014, quando era de 11%. De todo modo, os números ainda são baixos. Talvez esse fato justifique porque apenas 12% das companhias familiares chegam até a quarta geração e somente 3% vão além, segundo a National Bureau of Economic Research Family Business Alliance.

É comum que o tem a sucessão seja abordado pelos herdeiros após o falecimento do patriarca ou da matriarca; conversar sobre o tema, em muitas famílias, é um verdadeiro tabu. No agronegócio, a história da família se mistura com a história da fazenda, amor pela terra e pelo negócio. A abordagem em um momento como esse é muito mais complexa do que seria se fosse feita antecipadamente e essa situação seria menos traumática se já houvesse um plano de sucessão.

Um plano de sucessão, possui duas grandes dimensões, a propriedade e a gestão, e, pela nossa experiência precisa ser encarado como “Continuidade dos negócios”.

Apenas um terço das empresas familiares brasileiras planeja passar o controle, tanto de gestão quanto da propriedade, para a próxima geração, enquanto duas em cada cinco empresas familiares no Brasil (40%) pretendem passar a propriedade, mas não a gestão, para próxima geração. Nesse caso, será necessário contratar gestores externos, profissionais de mercado qualificados e sem envolvimento com eventuais desavenças familiares; e, feito isso, estabelecer regras de governança claras. Existem também, em menor porcentagem, empresas familiares que consideram como uma grande oportunidade a transferência da propriedade da família para terceiros. No agronegócio brasileiro, tem sido muito comum o interesse de multinacionais e fundos de investimentos em adquirir participações acionários de negócios familiares.

Independente da pretensão da família no plano de sucessão, é importante contar com os instrumentos de governança, pensar em como lidar com as diferentes gerações, como fazer a distribuição do patrimônio e, não se esquecer do planejamento tributário ao longo do processo. Somente desta forma, a história, a identidade e a cultura do negócio familiar serão mantidos ao longo do tempo e passados de geração em geração.

*Ana Malvestio, sócia da PwC Brasil e líder de Agribusiness

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