Pesquisa Fintech Deep Dive 2018

Mesmo com baixo investimento, 95% das empresas brasileiras preveem crescer em 2018

Falta de visibilidade no mercado é principal dificuldade de acesso a capital, dizem empreendedores

As dificuldades que as fintechs brasileiras enfrentam para divulgar seu leque de produtos e serviços inovadores para uma base ampla de clientes e investidores é a principal barreira de acesso a capital, segundo os próprios executivos que estão à frente dessas empresas. A informação faz parte do relatório da Pesquisa Fintech Deep Dive 2018, realizada pela PwC Brasil em parceria com a ABFintechs (Associação Brasileira de Fintechs).

Essa provavelmente é uma das razões pelas quais o setor ainda tem impacto limitado na economia e muito abaixo do seu potencial. Alguns dados confirmam esse quadro:

  • Apenas 12% das empresas dizem faturar acima de R$ 10 milhões ao ano.
  • Mais da metade das que já atingiram o break-even não recebeu investimentos.
  • Mesmo com as dificuldades de acesso a capital, 95% preveem aumento de receitas para 2018.
  • Os empreendedores são profissionais com sólida formação e experiência: 97% têm graduação superior ou pós-graduação; 47% têm entre 30 e 39 anos; e 70% tiveram outro empreendimento antes de abrir a fintech.

A Pesquisa Fintech Deep Dive 2018 é a primeira a traçar o perfil do empreendedor de fintechs brasileiras e a ouvir o que os executivos que estão à frente desses negócios inovadores têm a dizer sobre os principais desafios que enfrentam. O objetivo da PwC e da ABFintechs com a iniciativa foi elaborar um levantamento confiável das empresas que estão revolucionando o segmento de soluções de tecnologia financeira no Brasil e ajudar a fundamentar as decisões de investidores e reguladores.

Condições de mercado criam janela de oportunidade

Um mercado extremamente fértil em inovações, com um nível elevado de concentração e uma regulação nascente criam uma janela única de oportunidades para os investidores nacionais e internacionais no segmento brasileiro de fintechs, hoje o maior da América Latina. O país tem potencial para se transformar em um hub consumidor e exportador de soluções de tecnologia financeira para todo o mundo, mas, para dar esse salto, é preciso avançar em algumas frentes.

O papel das incubadoras e aceleradoras talvez seja uma das questões a serem debatidas. A pesquisa revela que, atualmente, elas atraem pouco os empreendedores. Do total, 39% das fintechs nunca recorreram a essas inciativas de colaboração, enquanto 76% não pretendem recorrer no futuro ou ainda não se decidiram sobre isso.

Principais mensagens

A análise dos dados da nossa pesquisa levou a algumas conclusões sobre o mercado das fintechs no Brasil que destacamos a seguir.

As condições atuais do mercado, com forte concentração, spread bancário elevado, aumento de tarifas e a perspectiva de modernização regulatória, tornam o Brasil especialmente atraente para o investimento em fintechs que ofereçam soluções inovadoras.

A falta de visibilidade no mercado é a principal barreira de acesso a capital, segundo os empreendedores. Talvez por isso o setor ainda tenha impacto limitado na economia e muito abaixo do seu potencial. Apenas 12% das empresas dizem faturar acima de R$ 10 milhões ao ano.

Contrariando o mito de que as startups são fundadas por jovens saídos da universidade, encontramos profissionais com sólida formação e experiência em negócios à frente das fintechs brasileiras. Quase todos têm graduação ou outro diploma superior, enquanto 86% dominam o inglês. Eles são formados principalmente em administração ou TI, mais de metade tem uma experiência internacional e mais de 60% já tiveram outro empreendimento antes de abrir a fintech atual.

A diferenciação futura das soluções das fintechs exigirá reinvenção focada em tecnologias emergentes.

Cloud, data analytics e mobile são as principais tecnologias por trás das soluções fornecidas pelas fintechs, mas estão se tornando commodities. Se quiserem continuar oferecendo inovação em produtos e serviços financeiros, as empresas precisarão investir em uma reinvenção tecnológica. As principais apostas das participantes para se diferenciar no futuro são a inteligência artificial e o blockchain.

O open banking representa uma grande oportunidade para as fintechs. Ele incentiva os players tradicionais do setor a buscar parcerias com fintechs ou a desenvolver APIs públicas que facilitem a integração das plataformas digitais aos seus sistemas legados, mas também tende a acelerar a entrada de BigTechs (Amazon, Google, Apple, entre outras) no segmento de serviços financeiros. Essas empresas têm marcas muito conhecidas, escala e uma base de clientes ampla e fiel – exatamente os maiores desafios enfrentados hoje pelas fintechs.

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