B4A lança BioStart, plataforma que gera mapa de risco biológico do solo

  • Julho 23, 2026

Desenvolvida com base em mais de 14 mil amostras, tecnologia estima riscos biológicos a partir de análises físico-químicas e ajuda a priorizar áreas para diagnósticos mais aprofundados

 

Leonardo Gomes, CEO da B4A (Imagem: B4A).

Por Fernanda Cavalcante, Analista Sênior de Mercado e Marca da PwC Agtech Innovation

Uma análise físico-química do solo, usada para orientar decisões de manejo e fertilidade, pode agora indicar também onde há maior probabilidade de riscos biológicos, avaliando, por exemplo, como está a fixação biológica de nitrogênio, presença de micorrizas, eficiência da ciclagem de nutrientes e pressão de patógenos. A BioStart, plataforma lançada pela B4A (Biome4All), para esta finalidade combina inteligência artificial e ciência de dados para transformar laudos de rotina em mapas voltados à leitura da saúde biológica do solo.

Com base em informações já presentes nas avaliações feitas no campo, a tecnologia estima riscos relacionados à funcionalidade microbiológica, disponibilidade de nutrientes e ocorrência de patógenos. Os resultados são classificados em níveis baixo, moderado ou alto, ajudando a identificar quais pontos da propriedade podem demandar uma investigação microbiológica mais aprofundada. 

Ao partir de um laudo já conhecido por parte dos produtores brasileiros, o BioStart pode ser aplicado em propriedades de diferentes portes, culturas e regiões do país. A contratação é feita conforme o número de amostras submetidas à plataforma. Cada mapa custa menos de 10% do valor de um diagnóstico microbiológico convencional.

“Enxergamos a solução como uma porta de entrada para quem quer começar a entender a microbiologia do solo”, afirma Leonardo Gomes, CEO da B4A.

Como o mapa de risco é construído

A inteligência por trás do BioStart foi desenvolvida com base em mais de 14 mil amostras de solo. O conjunto reúne seis anos de diagnósticos microbiológicos realizados pela B4A em diferentes culturas e regiões brasileiras, além de dados físico-químicos fornecidos por clientes e informações disponíveis em bases públicas. 

“A construção da inteligência partiu de algumas perguntas: quais características físico-químicas do solo brasileiro favorecem ou desfavorecem o crescimento de organismos patogênicos? Quais favorecem os organismos responsáveis por disponibilizar nutrientes para as plantas? Foi assim que construímos essa base”, explica o CEO.

O sistema interpreta dez variáveis químicas tradicionalmente presentes nas análises de solo e organiza os resultados em sete eixos de saúde biológica. Com base nessas relações, estima 19 riscos associados, entre outros aspectos, à fixação biológica de nitrogênio, presença de micorrizas, eficiência da ciclagem de nutrientes e pressão de patógenos.

Além de apresentar uma classificação geral, a plataforma detalha os riscos relacionados a patógenos, nutrição e biodiversidade. O sistema também informa o grau de confiança da predição, que varia conforme a quantidade de propriedades químicas disponíveis no laudo utilizado como entrada.

Evento Cooxupé

Painel do BioStart apresenta o risco geral da amostra, os riscos relacionados a patógenos, nutrição e biodiversidade e o grau de confiança da predição (Imagem: B4A).

O resultado também informa quais características físico-químicas sustentam cada classificação. Dessa forma, o usuário consegue visualizar não apenas o nível de risco indicado, mas também os dados considerados pelo modelo para chegar à estimativa.

“Em nossa base, o Fusarium solani aparece com mais frequência quando o teor de ferro no solo é baixo e o solo é arenoso. Quando encontramos essas mesmas condições em uma nova análise, o modelo indica maior risco de ocorrência desse fungo”, exemplifica Gomes.

Segundo o executivo, a mesma lógica é aplicada aos demais riscos avaliados: as características do novo laudo são comparadas aos padrões identificados na base de dados da empresa.

Classificação dos riscos

A plataforma detalha os patógenos avaliados e classifica os riscos estimados em níveis alto, moderado e baixo (Imagem: B4A).

Uma ferramenta de triagem

O BioStart não substitui o diagnóstico microbiológico completo. Enquanto a plataforma estima a incidência de riscos com base nas correlações identificadas pela B4A, a análise microbiológica direta permite verificar quais organismos estão efetivamente presentes na amostra.

A proposta é utilizar o mapa como uma ferramenta de triagem, priorizando os pontos nos quais uma investigação mais aprofundada pode ser necessária. “Imagine uma propriedade com cinquenta análises físico-químicas. Se identificarmos risco alto em oito delas, é nesses oito pontos que vamos propor o diagnóstico completo, em vez de fazê-lo em toda a área. A recomendação fica muito mais direta, mais cirúrgica e até mais econômica”, afirma Gomes. 

Análise b4a

Comparativo entre amostras permite identificar os pontos com maior risco e priorizar áreas para uma investigação microbiológica mais aprofundada (Imagem: B4A).

Porta de entrada para a microbiologia do solo

A B4A posiciona o BioStart como um produto de entrada para agricultores que ainda não utilizam diagnósticos microbiológicos completos, mas desejam ter uma primeira leitura dos riscos biológicos estimados para suas áreas e identificar os pontos que podem demandar uma análise mais aprofundada.

“A gente vê o BioStart como o primeiro passo. O produtor começa com um primeiro nível de informação sobre a biologia do solo e, a partir daí, vai ganhando conhecimento. Isso gera curiosidade e permite que ele entenda quando é necessário dar o segundo passo”, conclui Gomes.

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Dirceu Ferreira Junior

Dirceu Ferreira Junior

Sócio e líder do PwC Agtech Innovation, PwC Brasil

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