Value in Motion

Guia da liderança para gerar valor em tempos de incerteza

Value in Motion - Guia da liderança para gerar valor em tempos de incerteza
  • Janeiro 27, 2026

Inteligência artificial, mudanças climáticas e outras megatendências vão transformar a maneira de gerar valor, além de reconfigurar indústrias e redefinir a agenda dos líderes no Brasil e no mundo

Com base em várias pesquisas da PwC e em milhares de horas de trabalho com nossos clientes, propomos nesta publicação um guia simples e bem fundamentado para orientar os líderes diante das mudanças no cenário global de geração de valor. E tudo começa com uma pergunta fundamental: o que de fato está acontecendo? A resposta, na essência, é mais simples do que parece.

Três mudanças profundas estão acontecendo simultaneamente. Uma delas – a fragmentação da ordem geopolítica pós-Guerra Fria – está nas manchetes todos os dias. As outras duas são transformações econômicas em grande escala que já estão redesenhando o cenário global de crescimento: a inteligência artificial (IA) e os riscos climáticos. 

Nos últimos 12 meses, a PwC conduziu uma análise, que chamamos de Value in Motion, para estimar o impacto potencial dessas mudanças na economia global até 2035. Esse futuro pode parecer distante, mas é profundamente influenciado pelas escolhas estratégicas que os líderes fazem agora. Esta publicação se concentra principalmente nessas mudanças econômicas, que são muito importantes para os líderes empresariais globais.

“A dinâmica de crescimento e a magnitude do valor em jogo exigirão que as empresas reinventem rapidamente seus modelos de negócios, operação e uso de energia. Será necessário competir de novas formas com base em tecnologia, confiança e acesso a recursos escassos. As organizações também precisarão de novas diretrizes de ação para transformar obstáculos em facilitadores de mudança, mobilizando lideranças e recursos, desenvolvendo capacidades essenciais e reavaliando suas estratégias tributárias e regulatórias.”

Marco Castro,CEO da PwC Brasil

1. Em qual futuro os líderes precisarão operar?

Criamos uma base integrada de dados econômicos e, a partir dela, elaboramos três cenários de crescimento, com o objetivo de quantificar as incertezas que os líderes enfrentam. Essa abordagem oferece uma alternativa concreta à retórica exagerada e às especulações que tantas vezes dominam as conversas sobre o futuro.

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É o crescimento que a economia global pode atingir até 2035, caso a IA impulsione a produtividade em uma escala comparável aos grandes avanços gerados por tecnologias transformadoras do passado, como a eletricidade.

2. Domínios de crescimento

Nunca existiu uma ferramenta de produtividade cognitiva como a IA, e estamos apenas começando a descobrir o que ela pode fazer. Mas há um contrapeso para o dividendo de produtividade alimentado pela IA: o modelo de crescimento com uso intensivo de carbono, que há muito tempo alimenta o desenvolvimento global, alterou o clima de maneira tão profunda que seus efeitos já começam a comprometer a economia global.

A maneira como essas forças se combinam criará um impulso de mudança que, acreditamos, vai reconfigurar o sistema produtivo global. Essa afirmação ousada não se baseia apenas na IA e no risco climático, mas também no fato de que esses fatores vão interagir com outras forças associadas à demanda, à oferta e ao potencial das empresas de atender às necessidades humanas por meio de uma colaboração mais ampla e profunda entre ecossistemas. 

A magnitude das forças em ação impulsionará inovações fundamentais nos modelos de negócio, operação e energia. Em conjunto, essas forças podem reconfigurar o sistema industrial global no que começamos a chamar de novos domínios de crescimento: zonas de atividade econômica e criação de valor, nas quais as empresas colaboram de maneiras criativas para atender às necessidades humanas.

3. Três amanhãs

Ao longo da próxima década, as incertezas vão colidir e interagir com outras forças relevantes que também estão moldando o ambiente de crescimento. Embora exista uma ampla gama de possíveis resultados, concentramos nossa análise em três cenários que nos ajudam a dar forma a futuros plausíveis.

Cada um dos cenários que desenvolvemos se baseia em diferentes suposições sobre variáveis-chave relacionadas ao clima e à IA, que fundamentam nossos esforços de modelagem econômica. Os resultados não devem ser interpretados como previsões do futuro. Eles servem, antes, como ferramenta para analisar os possíveis impactos que diferentes suposições podem ter sobre o desempenho econômico futuro.

Transformação baseada na confiança

A integração responsável de tecnologias avançadas impulsiona um crescimento generalizado da produtividade e estimula a criação de tarefas. Ao mesmo tempo, apoia a inovação e soluções sustentáveis. Estruturas de confiança, como padrões globais e cooperação internacional, fazem parte desse contexto.

Os benefícios econômicos gerados pela inteligência artificial superam, de forma significativa, os custos relacionados à desvalorização de ativos intensivos em carbono decorrente de uma descarbonização ambiciosa. Como resultado, esse cenário projeta taxas de crescimento econômico superiores às da nossa projeção de base, mesmo após considerar os impactos econômicos das mudanças climáticas.

Transição tensa

É fácil imaginar um mundo em que interesses nacionais e regionais predominam, restringindo a cooperação global e limitando os avanços em sustentabilidade. Nesse cenário, a tecnologia se desenvolve de forma mais fragmentada, com menor confiabilidade e capacidade reduzida de gerar os ganhos de produtividade prometidos pela IA. 

O crescimento econômico permaneceria estagnado – no melhor dos casos – com os benefícios da IA sendo quase anulados pelos custos crescentes dos impactos físicos da mudança climática. A transição energética ocorreria de forma mais lenta, resultando em menos ativos imobilizados no curto prazo, mas aumentando significativamente os riscos climáticos físicos no futuro.

Tempos turbulentos 

O terceiro cenário projeta um futuro marcado por interesses atomizados (locais e individuais), uma tecnologia disruptiva e polarizadora, e esforços de sustentabilidade suspensos. Conflitos, instabilidade e crescente incerteza minam a confiança na tecnologia e em seus potenciais benefícios econômicos, com impactos diretos sobre o mercado de trabalho: mais tarefas são automatizadas do que criadas, resultando na redução do emprego.

Nesse ambiente, medidas sustentáveis são negligenciadas em favor de prioridades imediatistas, comprometendo o futuro. Tensões em torno do livre comércio aprofundam o desalinhamento geopolítico e dificultam a cooperação internacional. Como resultado, o crescimento econômico tende a ficar abaixo das projeções do cenário base. 

4. Agenda da reinvenção

Para se preparar para qualquer um dos três futuros possíveis, os líderes devem agir desde já, desenvolvendo uma agenda holística que una inovação, vantagem competitiva e a remoção de barreiras à reinvenção. Isso também exigirá, de muitos, uma ampliação de perspectiva: aceitar a incerteza como parte do processo, adotar uma visão sistêmica das forças em ação e pensar de forma exponencial sobre as possibilidades que o futuro pode trazer.

A mudança sistêmica já está em curso, e isso exige que as empresas se tornem tão dinâmicas quanto as forças ao seu redor. Na prática, isso se traduz também em três frentes de atuação. A primeira é impulsionar a inovação nos modelos de negócio, operação e energia. A segunda é dominar as novas fontes de vantagem competitiva, respondendo de forma eficaz a transformações nas áreas de tecnologia, confiança e acesso a recursos escassos. A terceira envolve remover os obstáculos à reinvenção, muitas vezes enraizados na inércia organizacional, em deficiências de habilidades, falhas na tomada de decisão ou desalinhamentos entre metas de negócios e as exigências regulatórias. 

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Marco Castro

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Tatiana Fernandes

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