O futuro hoje: caminhos para a educação brasileira

O futuro hoje: caminhos para a educação brasileira
  • Novembro 05, 2026

Um legado de 110 anos da PwC Brasil, em parceria com o Instituto Millenium, para pensar os rumos da educação

Celebrar 110 anos de história no Brasil é um convite à reflexão sobre o legado que construímos e o futuro que desejamos ajudar a desenhar. Desde a nossa fundação, a PwC Brasil tem acompanhado as grandes transformações do país, contribuindo para que organizações, comunidades e pessoas possam se fortalecer diante de desafios complexos e das constantes mudanças do mundo.

Em cada etapa dessa jornada, testemunhamos que o conhecimento é a base do progresso. É ele que inspira a inovação, fomenta o desenvolvimento de talentos, promove a inclusão e diversidade, e abre caminhos para uma sociedade mais justa. Por isso, com os olhos no futuro, reafirmamos com convicção que a educação deve ocupar o centro das nossas ações e reflexões.

Esta publicação, resultado da parceria entre a PwC Brasil e o Instituto Millenium, é expressão desse compromisso. Apresentamos um mapa para a educação brasileira, com evidências, boas práticas e visões de especialistas que se entrelaçam com os desafios e as oportunidades do nosso tempo. A diversidade dos temas aqui tratados revela a complexidade e a riqueza dessa agenda.

01. Lições das redes que avançaram: estratégias sistêmicas de sucesso

A educação brasileira enfrenta um descompasso entre a ampliação do acesso ao ensino fundamental e os baixos resultados de aprendizagem, especialmente em matemática. Em um sistema descentralizado, no qual estados e municípios têm autonomia, o desempenho insatisfatório reflete, em muitos casos, a falta de recursos, capacidade técnica e condições institucionais para a implementação de políticas eficazes. Apesar desse cenário, algumas redes conseguiram avançar de forma consistente, inclusive em contextos socioeconômicos adversos, como em Sobral, Teresina e Cocal dos Alves. Essas experiências mostram que a gestão consistente, o foco em resultados e a continuidade das iniciativas são fatores centrais para a melhoria sustentada da educação no Brasil.

02. Gestão de pessoas na educação: os professores e a liderança escolar – alavancas de transformação

Estudos de Eric Hanushek mostram que maiores gastos educacionais não garantem, por si só, melhores resultados de aprendizagem. O fator decisivo é a produtividade, a forma como os recursos são convertidos em aprendizado. Sistemas com investimentos semelhantes podem ter desempenhos muito diferentes, sobretudo porque a educação depende essencialmente do trabalho de professores e gestores. Assim, a qualidade da atuação da equipe escolar é central, enquanto materiais e tecnologias têm impacto limitado quando usados isoladamente. Assim, práticas eficazes de gestão de pessoas, como seleção, formação, avaliação, incentivos e liderança pedagógica, são determinantes para alcançar melhores resultados com os mesmos recursos e elevar a qualidade da educação.

03. Gestão baseada em dados e avaliação de resultados

Apesar do aumento expressivo dos investimentos públicos em educação nas últimas décadas, os resultados de aprendizagem no Brasil permanecem baixos. A dificuldade central não está no volume de recursos, mas na forma como são planejados, executados e avaliados. A fragmentação institucional, a ausência de coordenação e o uso limitado de evidências reduzem a capacidade do sistema de aprender com os erros e ajustar as políticas. Experiências mostram que a combinação de avaliação sistemática, uso de dados para orientar decisões pedagógicas, formação continuada, incentivos bem concebidos e liderança escolar com autonomia e responsabilidade pode melhorar os resultados, mesmo em contextos adversos. Esses casos reforçam que a gestão educacional eficaz depende de intencionalidade, continuidade e foco claro na aprendizagem dos alunos.

04. Guia prático para a implementação de políticas educacionais

A implementação de políticas educacionais é um dos principais desafios da gestão pública na educação. Ela exige preparo técnico, visão estratégica e capacidade de articulação política. Decisões bem formuladas não se traduzem automaticamente em bons resultados, pois a implementação envolve adaptação ao contexto local, coordenação de múltiplos atores, mobilização de recursos e acompanhamento contínuo. Com base em referências teóricas e entrevistas com secretários de educação, o texto organiza aprendizados sobre planejamento, tomada de decisão, gestão de pessoas e monitoramento, com recomendações práticas aplicáveis desde os primeiros meses de gestão.

05. Parcerias estratégicas e inovação na oferta educacional

A universalização do acesso à educação básica no Brasil não resultou em avanços proporcionais na aprendizagem, o que expõe os limites do modelo tradicional de oferta estatal. Diante dessa estagnação de resultados, as parcerias entre o setor público e o privado ganham relevância como estratégias para ampliar a qualidade, a eficiência e a equidade do sistema educacional. Experiências internacionais com parcerias público-privadas, escolas charter, financiamento por aluno e vouchers educacionais mostram potencial para estimular a inovação e melhorar os resultados, desde que bem reguladas. A discussão desses arranjos destaca oportunidades, riscos e recomendações práticas para gestores interessados em diversificar a oferta educacional e ampliar o acesso a uma educação de maior qualidade.

06. A revolução empreendedora na educação americana

A criação de escolas alternativas por líderes do setor tecnológico, como Mark Zuckerberg, Jeff Bezos e Elon Musk, ilustra um movimento crescente de afastamento das elites do sistema escolar tradicional nos Estados Unidos. Mais do que episódios isolados, essas iniciativas refletem uma insatisfação mais ampla com o modelo vigente e a busca por formatos educacionais personalizados, flexíveis e orientados a resultados. Dados nacionais mostram que entre 20% e 22% dos estudantes do ensino básico americano já estão fora das redes distritais tradicionais, formando um mercado educacional alternativo de grande escala. Esse movimento revela uma transformação estrutural na oferta educacional, impulsionada pelo empreendedorismo, pela inovação e pela ampliação das possibilidades de escolha das famílias.

07. Primeira infância, aprendizado e produtividade

O aumento da escolaridade no Brasil não foi acompanhado por ganhos de produtividade, em grande parte devido à estagnação da aprendizagem ao longo da trajetória escolar. Apesar de avanços nos anos iniciais, o desempenho no ensino fundamental final e no ensino médio está inalterado há décadas. Soma-se a isso o baixo nível de habilidades socioemocionais, refletido no fraco engajamento dos estudantes brasileiros em avaliações internacionais. Essas evidências reforçam a centralidade da primeira infância e da aprendizagem efetiva como bases para o desenvolvimento de competências e para o aumento da produtividade no longo prazo.

08. Os desafios do “novo” ensino médio

A reforma do Ensino Médio busca superar a estagnação da aprendizagem e reduzir o abandono escolar, por meio de iniciativas como o Pé-de-Meia, que enfrenta a evasão escolar associada à necessidade de trabalhar. Experiências estaduais, como as escolas de tempo integral em Pernambuco, mostram quedas expressivas no abandono quando qualidade, acompanhamento e apoio ao estudante são fortalecidos. Mas os desafios continuam: formação docente orientada a competências, consolidação do eixo técnico-profissional conectado às realidades locais e ampliação de itinerários em municípios pequenos. O êxito do novo modelo também depende de avaliações alinhadas à BNCC, capazes de transformar a reforma em prática efetiva.

09. Educação integral no século XXI: desafios, evidências e caminhos para o Brasil

A educação brasileira enfrenta, ao mesmo tempo, baixos níveis de aprendizagem, desigualdades persistentes e aumento do sofrimento emocional, do desengajamento e da violência nas escolas. Dados recentes mostram que muitos estudantes aprendem menos do que o esperado, sentem pouco pertencimento ao ambiente escolar e convivem com situações de bullying e insegurança. Esse contexto exige que a escola vá além da mera transmissão de conteúdos e seja concebida como um espaço de desenvolvimento integral. A educação integral aparece, assim, como um caminho para articular aprendizagem, convivência, saúde mental e proteção, integrando currículo, clima escolar e políticas de cuidado para criar condições reais de aprendizado e bem-estar.

10. Panorama da educação brasileira

A educação brasileira avançou significativamente no acesso à escola, especialmente no Ensino Fundamental, mas ainda enfrenta desafios profundos de aprendizagem, permanência e equidade. Etapas como a Educação Infantil e o Ensino Médio concentram os principais gargalos, com problemas de acesso, altas taxas de reprovação e abandono e baixos níveis de aprendizagem, sobretudo em Matemática. Avaliações nacionais e internacionais revelam grandes desigualdades associadas ao nível socioeconômico, à cor/raça e ao território, além de fragilidades estruturais como infraestrutura insuficiente, formação docente desigual e governança fragmentada. O panorama indica que o desafio central não é apenas manter os alunos na escola, mas também garantir que aprendam, permaneçam e tenham oportunidades reais de desenvolvimento, exigindo uma agenda de longo prazo que combine qualidade, equidade e continuidade das políticas educacionais.

O futuro hoje: caminhos para a educação brasileira

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Marco Castro

Marco Castro

CEO, PwC Brasil

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