Global Data Centre Outlook 2026–50

Onde serão investidos US$ 31,6 trilhões em data centers até 2050?

Global Data Centre Outlook 2026–50
  • Outubro 13, 2026

A expansão da inteligência artificial inaugura um ciclo de investimentos de longo prazo. A disponibilidade de energia, o acesso a chips e as decisões de cada país definirão onde essa infraestrutura será construída.

Ferrovias, eletrificação e internet mobilizaram investimentos em larga escala e transformaram a economia de seu tempo. A infraestrutura de inteligência artificial pode superar esses ciclos em escala e tem uma característica que a diferencia: o investimento não termina com a construção dos data centers. Servidores, GPUs e outros equipamentos precisam ser substituídos ou atualizados a cada quatro a seis anos.

A PwC encomendou à Oxford Economics projeções para 46 países e territórios, agrupados em cinco regiões. Na projeção de referência, os investimentos globais em data centers podem chegar a US$ 31,6 trilhões entre 2026 e 2050. O intervalo estimado vai de cerca de US$ 22 trilhões a quase US$ 50 trilhões, conforme o ritmo de adoção da IA. Os valores são expressos em dólares de 2025.

 

Investimento global em data centers pode chegar a US$ 31,6 trilhões até 2050 
Investimento acumulado por região, no cenário de referência, 2026–2050

Um ciclo de investimento que se renova

O investimento anual deve crescer de aproximadamente US$ 800 bilhões em 2026 para US$ 1,1 trilhão em 2030 e US$ 1,8 trilhão em 2050. Grande parte dos recursos será destinada aos equipamentos instalados nos data centers, como servidores, sistemas de armazenamento, redes, CPUs e GPUs.

A participação dos equipamentos de tecnologia da informação e comunicação (TIC) no investimento total deve passar de 70% em 2026 para 93% em 2050. Segundo a projeção, cada dólar investido na construção pode exigir cerca de US$ 12 em equipamentos de TIC ao longo do tempo. Ao longo de uma vida útil de 20 anos, um data center pode passar por três a cinco ciclos de renovação tecnológica.

A IA intensifica esse movimento. Suas aplicações dependem de GPUs e aceleradores mais caros, que consomem mais energia e acompanham um ritmo acelerado de inovação. Por isso, o valor dos data centers dependerá tanto da infraestrutura física quanto da capacidade de substituir e atualizar os equipamentos.

Energia e política definem onde o capital chega

A demanda por data centers cresce em várias partes do mundo, mas nem todos os mercados conseguirão atendê-la. A disponibilidade de energia acessível, confiável e de baixa emissão é o principal fator limitante. A capacidade das redes, a conexão às subestações e o prazo para obter transformadores também influenciam quais projetos sairão do papel e quando.

Outros fatores ajudam a definir quais localidades podem atender a diferentes tipos de demanda: conectividade e latência; segurança e requisitos de soberania de dados; acesso a GPUs e a ecossistemas de tecnologia; previsibilidade regulatória e aceitação das comunidades. A sustentabilidade atravessa essas condições. Redes com maior participação de fontes renováveis e caminhos claros para reduzir as emissões podem representar uma vantagem competitiva.

A projeção também considera que os compradores e as aplicações estão se diversificando. Além das grandes empresas de computação em nuvem, a demanda vem também de provedores especializados em nuvem e em GPUs, desenvolvedores de modelos, empresas e governos. Enquanto algumas aplicações de IA precisam estar próximas dos usuários e dos dados, o treinamento de modelos pode ocorrer em locais com energia confiável, chips disponíveis e capacidade de construir em grande escala.

A distribuição regional dos investimentos

Na projeção de referência do estudo, as Américas concentram US$ 16,5 trilhões em investimentos acumulados até 2050. Os Estados Unidos respondem por US$ 15,1 trilhões, o que corresponde a cerca de 48% do total global. A região se beneficia da presença de empresas de tecnologia, de desenvolvedores de modelos de IA e de fornecedores de chips.

A Ásia-Pacífico soma US$ 8,2 trilhões, com a China e a Índia entre as principais fontes de demanda. O resultado varia entre os mercados: Japão e Austrália tendem a ser mais resilientes por atenderem a diferentes tipos de aplicação, enquanto países mais dependentes de cargas de trabalho que podem migrar entre regiões ficam mais expostos.

A Europa registra US$ 5,6 trilhões, abaixo de sua participação na economia global. Restrições de energia, dificuldades de planejamento e regras fragmentadas limitam o crescimento. Os países nórdicos se destacam pela oferta de energia renovável, pelo clima favorável à refrigeração e por custos de eletricidade mais baixos do que os de outras partes da Europa.

O Oriente Médio soma US$ 1,1 trilhão e apresenta a taxa de crescimento anual composta mais alta na projeção. A coordenação entre energia, capital, planejamento e projetos ajuda a acelerar a construção. Na África, os investimentos somam US$ 255 bilhões. A expansão se apoia principalmente na infraestrutura digital básica, o que torna a região menos dependente de um cenário específico de adoção da IA.

Cenários geopolíticos podem mudar o mapa

A pesquisa testa dois cenários de fragmentação. No primeiro, as restrições comerciais dificultam o acesso a chips avançados. O investimento acumulado global cairia de US$ 31,6 trilhões para US$ 25,5 trilhões. Os mercados mais dependentes de GPUs e de projetos de IA seriam os mais afetados.

No segundo, governos e setores regulados passam a exigir que cargas de trabalho críticas, como as de serviços públicos, finanças e saúde, sejam processadas no próprio país. Nesse caso, o total global recuaria menos, para US$ 29,5 trilhões, mas os recursos seriam redistribuídos. Mercados com grande demanda interna e capacidade limitada poderiam ganhar participação. O Brasil aparece entre os países das Américas que poderiam se beneficiar dessa maior demanda doméstica.

Os cenários não recebem pesos de probabilidade. Eles mostram como mudanças na adoção da IA, no comércio de chips e nas regras de soberania podem alterar a localização dos investimentos.

 

Aumento potencial dos investimentos com a adoção acelerada da IA supera a redução prevista em cenário de adoção mais lenta 
Investimento global acumulado em data centers, 2026–2050

Decisões para o ciclo

Para investidores, a análise recomenda tratar os data centers como ativos que combinam imóveis, energia e equipamentos de tecnologia – cada camada tem prazos e riscos próprios. Para operadores, garantir energia e planejar instalações que possam ser ampliadas por etapas ajuda a responder à incerteza da demanda. Para governos, coordenar licenciamento, redes elétricas e planejamento pode tornar os projetos mais rápidos e previsíveis.

O capital e a demanda devem ser expressivos, mas sua distribuição dependerá da capacidade de cada mercado de oferecer energia, infraestrutura, acesso a tecnologia e condições para construir. Até 2050, essas escolhas podem redesenhar o mapa global da computação.

Global Data Centre Outlook 2026–50

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Daniel Martins

Daniel Martins

Sócio e líder da indústria de Energia e Serviços de Utilidade Pública, PwC Brasil

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