US$ 63,4 bi
4,7% ao ano
US$ 101,4 bi
A indústria brasileira de entretenimento e mídia alcançou US$ 63,4 bilhões em receitas em 2025. O crescimento de quase 18% sobre o ano anterior exige uma ressalva: boa parte da alta reflete a inclusão das apostas on-line entre os segmentos medidos. Sem esse efeito, o avanço foi pouco superior a 5%, próximo ao ritmo global.
Até 2030, o setor deve crescer 4,7% ao ano no Brasil, acima dos 3,4% projetados no mundo. A expansão é puxada pelo consumo digital: publicidade na internet e streaming de música avançam mais rápido do que a média mundial, enquanto as apostas on-line já ocupam o quarto lugar entre os segmentos brasileiros, à frente de todo o mercado de vídeo OTT.
A pesquisa acompanha 12 segmentos em 53 mercados. A receita total é composta por publicidade, gastos dos consumidores e conectividade.
Receita total do setor por categoria (US$ bilhões)
As mudanças tecnológicas, a busca por experiências e a disputa pela atenção estão redesenhando a cadeia de valor do setor.
O entretenimento presencial ainda representa uma pequena parcela da receita do setor no Brasil. Cinema, música ao vivo e feiras de negócios somam 1,5% do total, o equivalente à metade da participação global. A diferença é ainda maior na música: os shows respondem por 8% da receita do segmento no país, contra 43% no mundo.
O cenário, porém, começa a mudar. Após a queda de 2025, a bilheteria de cinema deve crescer 4,4% ao ano até 2030. Já a mídia exterior digital (DOOH) deve avançar 9,1% ao ano.
No Brasil, o mercado de música cresce sobretudo com o streaming. A receita do setor deve subir de US$ 1,3 bilhão em 2025 para US$ 2,2 bilhões em 2030. O streaming lidera essa expansão, com alta anual prevista de 11,6%. Já a música ao vivo deve avançar 2% ao ano, partindo de uma base menor.
O vídeo OTT também deve crescer, mas em ritmo mais moderado. Após a alta de 14,2% em 2025, sua receita deve aumentar 5,3% ao ano até 2030, quando chegará a US$ 6,6 bilhões.
A publicidade e a distribuição de conteúdo continuam concentradas em grandes plataformas, mas a produção se espalha por uma rede cada vez maior de criadores, influenciadores e streamers. Ao mesmo tempo, smartphones, ferramentas de produção mais acessíveis e recursos de IA reduzem as barreiras à criação de conteúdo, à formação de comunidades e ao alcance direto da audiência.
No Brasil, esse movimento aparece nos podcasts: 32,2 milhões de pessoas ouvem programas mensalmente, e metade da produção nacional já nasce em vídeo. A IA também ganha espaço: 49% dos podcasters brasileiros já usam ferramentas generativas. Até 2030, feeds, criadores e sistemas de recomendação devem ter um papel cada vez maior na descoberta de conteúdo.
A publicidade na internet avançou 12,7% em 2025, para US$ 8,5 bilhões. Até 2030, deve crescer a uma taxa de 8,5% ao ano e alcançar US$ 12,8 bilhões, acima da taxa global de 7,2%.
A busca em ambientes de varejo ainda representa uma parcela menor do mercado nacional, mas vem crescendo rapidamente. Sua participação na busca paga brasileira deve passar de 14,8% para 24% até 2030, com uma expansão média de 18% ao ano. As plataformas combinam alcance, dados próprios e maior capacidade de mensurar resultados.
A inteligência artificial já está presente em várias etapas cadeia de valor de entretenimento e mídia, da produção e recomendação de conteúdo à descoberta, personalização e publicidade. Seu uso vai além da redução de custos e da automação de tarefas: também pode ampliar receitas e aproximar as marcas do público.
Na publicidade, a IA permite direcionar campanhas com mais precisão e criar formatos mais associados aos resultados comerciais. Por isso, ganha valor a capacidade de conhecer a audiência e relacionar a exposição aos anúncios com o comportamento de compra. Empresas com grandes bases de usuários e dados próprios podem sair em vantagem.
O avanço da tecnologia não muda, no entanto, o que torna uma história capaz de envolver o público. Criatividade, julgamento e experiência humana continuam essenciais para criar conteúdo e estabelecer conexões.
“O mercado brasileiro de entretenimento e mídia entra em um novo ciclo de crescimento impulsionado pela digitalização. A expansão das apostas on-line, do streaming e da publicidade digital mostra que as experiências de consumo de conteúdo estão cada vez mais conectadas, personalizadas e orientadas por dados. Para as empresas do setor, o desafio será converter esse crescimento em rentabilidade sustentável em um ambiente cada vez mais impactado pela inteligência artificial.”