Quatro padrões de modelos de negócios têm potencial para capturar boa parte do aumento projetado de US$ 230 bilhões nas receitas do setor de gestão de ativos e patrimônio até 2030. Escala, por si só, não garante sucesso: o que diferencia é a clareza estratégica somada à capacidade de execução. Para medir esse preparo, a PwC ouviu 264 gestores e distribuidores da América do Norte, Europa e Ásia, entre agosto e outubro de 2025. Pouco mais da metade demonstra força em uma das duas dimensões. Apenas cerca de uma em cada dez combina as duas.
A pesquisa cruza duas dimensões. A primeira, alto potencial de desempenho, mede o preparo para os próximos cinco anos em três indicadores: velocidade de entrada no mercado, inovação e agilidade estratégica. São classificadas como de alto potencial as empresas do quintil superior da amostra. O que as diferencia é o ritmo operacional: muitas substituíram os ciclos tradicionais de lançamento de fundos pelo desenvolvimento modular de produtos.
A segunda, clareza estratégica, envolve a escolha do modelo de negócio e a clareza da intenção competitiva. Considera a correspondência entre os segmentos de clientes, o posicionamento competitivo e o foco de investimento. Executar bem sem essa definição não garante viabilidade futura.
Hipermercados completos de mercados públicos e privados — 11%
Grandes plataformas globais que abrangem mercados públicos e privados, com ampla cobertura de produtos e alcance de distribuição.
Plataformas de soluções — 14%
Motores de construção de carteiras integrados a plataformas de patrimônio ou mandatos institucionais, combinando capacidades internas e de terceiros.
Gestor de baixo custo — 5%
Provedor de produtos simples e transparentes, em escala, projetados para modelos, plataformas e soluções terceirizadas.
Campeões de nicho — 13%
Especialistas com profunda expertise em uma classe de ativos, região ou segmento de clientes específicos.
Clareza estratégica se traduz em vantagens mensuráveis. Empresas com essse atributo tendem a ser:
Quando as dimensões são cruzadas, fica claro o que falta às empresas e como elas podem se tornar plenamente preparadas para o futuro.
O que as empresas preparadas para o futuro fazem para combinar um modelo vencedor com investimento nas capacidades que o sustentam. Três movimentos se repetem.
Alto patrimônio e institucional seguem relevantes – fundos soberanos crescem a 6,6% ao ano e pessoas de alta renda, a 6,5%. Mas as líderes também miram varejo e investidores de médio porte (CAGR projetado de 5,7%), por meio de distribuição digital escalável. São 1,8 vez mais propensas a apontar esses segmentos como principal motor de receita e 1,5 vez mais propensas a priorizar plataformas de distribuição de terceiros.
Empresas preparadas para o futuro tendem mais a se concentrar em clientes de varejo e investidores de médio porte
P. Quais dos seguintes segmentos de clientes ou investidores você espera que impulsionem o maior crescimento de ativos sob gestão para sua empresa nos próximos cinco anos? Selecione até três respostas.
Nota: o grupo de empresas preparadas para o futuro reúne aquelas com alto potencial de desempenho e alinhamento a um padrão (n = 28), em comparação com os demais respondentes (n = 236).
Fonte: Perspectiva Setorial Global de Gestão de Ativos e Patrimônio 2026 da PwC.
A tecnologia gera vantagem quando muda como as decisões são tomadas e o trabalho é feito. As líderes já incorporam IA agêntica, tokenização e análise avançada aos processos centrais – incluindo triagem de negócios, em que modelos de machine learning atuam como participantes sem direito a voto em comitês de investimento. São 1,8 vez mais propensas a automatizar a hiperpersonalização e 2,6 vezes mais propensas a investir em funções de suporte ao negócio.
Empresas preparadas para o futuro estão à frente na automação do front office
P. Em que medida sua empresa de gestão de ativos pretende automatizar os seguintes processos nos próximos cinco anos? (Mostrando apenas as respostas “Muito” e “Extremamente”)
Nota: o grupo de empresas preparadas para o futuro reúne aquelas com alto potencial de desempenho e alinhamento a um padrão (n = 28), em comparação com os demais respondentes (n = 236).
Fonte: Perspectiva Setorial Global de Gestão de Ativos e Patrimônio 2026 da PwC.
A concorrência não se limita aos pares do setor. As empresas preparadas para o futuro são mais propensas a identificar plataformas colaborativas como força competitiva e a enxergar entrantes não adjacentes – big techs, telecomunicações, varejistas de alto padrão – como fonte de disrupção. O ponto cego está em subestimar para onde o poder se desloca: quem controla o acesso a clientes, os fluxos de dados e as decisões de alocação.
Empresas preparadas para o futuro estão mais atentas à concorrência de plataformas e novos entrantes
P. Em que medida os seguintes grupos serão fontes de competição para sua empresa de gestão de ativos nos próximos cinco anos? (Mostrando apenas as respostas “Muito” e “Extremamente”)
Onde quer que a empresa esteja hoje, tornar-se mais preparada para o futuro depende de combinar clareza estratégica com forte capacidade de execução. Cinco decisões ajudam a desenvolver as duas.
1. Defina seu padrão
Tenha clareza sobre onde e como pretende competir. A resposta pode combinar elementos de mais de um padrão. Depois de defini-la, alinhe capital, talentos, produtos e parcerias e pare de financiar o que não se encaixa no novo modelo.
2. Invista no capital humano certo
Engenheiros de dados, gerentes de produtos digitais e especialistas em análise deixam de ser suporte e passam à vanguarda das estruturas voltadas ao mercado. Vender para assessores exige competências diferentes das necessárias para atender grandes instituições.
3. Prepare-se para a transformação contínua
A transformação é um processo permanente, não uma migração periódica de sistemas. Se faltar capacidade interna, recorra a parcerias ou serviços gerenciados – sempre com métricas claras e governança robusta.
4. Execute fusões e aquisições direcionadas
Use transações para adquirir capacidades que fortaleçam o padrão escolhido, como ativos digitais, expansão de produtos, originação em mercados privados e redes de distribuição.
5. Meça o progresso
Monitore o tempo de lançamento de novos produtos, as jornadas de clientes personalizadas, a requalificação da força de trabalho e a inovação gerada por parcerias.
“O futuro da gestão de ativos e patrimônio certamente exigirá capacidade de fazer escolhas estratégicas claras e, sobretudo, executá-las com disciplina e consistência ao longo do tempo. Para liderar o setor, as organizações precisarão alinhar tecnologia, talentos e capital em torno de um modelo de negócio coerente, capaz de evoluir continuamente diante das mudanças do mercado. Nesse contexto, vantagem competitiva não virá apenas de boas decisões, mas da capacidade de sustentá-las na prática, ajustando prioridades, acelerando a inovação e mantendo foco onde realmente é possível gerar valor.”