O otimismo em torno da IA ainda não se traduz, na mesma medida, em investimento, resultados e inovação mensurável nas operações das empresas. Na Pesquisa de Tendências Digitais em Operações 2026, que ouviu 767 líderes de operações e cadeia de suprimentos em empresas dos EUA, 85% afirmam estar à frente da maioria dos concorrentes em transformação digital. Ainda assim, 89% dizem que seus investimentos em tecnologia não geraram todos os resultados esperados.
Outros fatores dificultam a reinvenção das operações:
Embora esses desafios sejam reais e generalizados, algumas empresas parecem ter encontrado a fórmula certa. Uma análise mais profunda dos resultados da pesquisa revela um pequeno grupo de líderes que afirmam ter incorporado totalmente a IA, modernizado as bases de dados e redesenhado os modelos operacionais de forma conjunta. Eles estão superando seus pares, às vezes de forma expressiva.
Isso aumenta a pressão sobre as organizações que ainda estão atrasadas nessa corrida. Pilotos isolados e melhorias incrementais não bastam: a vantagem competitiva exige a transição de iniciativas fragmentadas para uma reinvenção ousada e integrada.
P: Em que estágio sua organização está atualmente no desenvolvimento de uma estratégia de IA corporativa? (Selecione uma opção.)
Nota: os percentuais podem não somar 100% devido a arredondamentos.
Base: 767 executivos
Fonte: Pesquisa de Tendências Digitais em Operações 2026 da PwC
Em muitas empresas, a forma como as empresas abordam a IA ainda é limitada. Embora a digitalização das operações deva caminhar lado a lado com a estratégia de negócios, muitos entrevistados relatam uma abordagem que trata os problemas isoladamente, e não de forma integrada em toda a empresa.
Não surpreende que 72% classifiquem a automação das operações entre as três prioridades de investimento em IA. Em contrapartida, outras ações essenciais não recebem o mesmo nível de atenção: apenas 30% incluem a escalabilidade das soluções e o desenvolvimento de capacidades ponta a ponta entre os três principais critérios para avaliar o retorno dos investimentos digitais. Além disso, apenas 24% citam a redução da complexidade corporativa como um dos três principais fatores na decisão de desenvolver internamente ou adquirir tecnologias digitais para operações ou cadeia de suprimentos.
Esses números reforçam uma constatação preocupante que se repete em nossas pesquisas anuais. Assim como no ano passado, 89% dos entrevistados apontam pelo menos uma razão pela qual os investimentos em tecnologia não entregaram totalmente os resultados esperados, e a maioria cita dois ou três motivos. A complexidade de integração lidera a lista, seguida por problemas de dados e desafios de adoção pelos usuários. Isso confirma o que vemos em muitos clientes: conectar sistemas, plataformas e dados continua sendo um grande obstáculo para a geração de valor digital nas operações.
P: Se seus investimentos em tecnologia operacional não entregaram todos os resultados esperados, quais são os motivos? (Selecione todos que se aplicam.)
Base: Todos os executivos 767; Produção industrial 140; Varejo e consumo 102; Tecnologia, mídia e telecom 120; Energia, serviços de utilidade pública e recursos 122; Farmacêutico e biociências 81; Serviços financeiros 41; Seguros 40; Saúde 83
Fonte: Pesquisa de Tendências Digitais em Operações 2026 da PwC
*Não se aplica – nossos investimentos em tecnologia entregaram os resultados esperados
Quando implementada corretamente, porém, a IA pode, e deve, nivelar o campo de competição. Uma maioria expressiva dos participantes concorda em parte ou totalmente que as tecnologias emergentes de IA e nuvem permitem que organizações em qualquer nível de maturidade digital ultrapassem os líderes do setor (91%). Também acredita que ferramentas de dados acessíveis baseadas em nuvem e IA ajudam empresas menores a alcançar paridade com os líderes digitais (93%). Isso deveria emitir um alerta para grandes empresas já estabelecidas. Vantagens tradicionais como escala ou infraestrutura já não garantem mais proteção contra concorrentes mais novos, ágeis e digitalmente capacitados. Investir dinheiro em tecnologia sem se comprometer com a inovação não basta.
Próximo passo: substitua o discurso centrado em tecnologias e capacidades isoladas por uma abordagem integrada e priorize capacidades escaláveis, em vez de soluções pontuais. Em vez de tratar a facilidade de integração como algo desejável, transforme-a em um indicador de desempenho no nível do conselho. Se você não consegue conectar a IA entre os fluxos de trabalho, está apenas acumulando complexidade, não inovando ou se transformando.
A base de dados que sustenta operações e cadeias de suprimentos está melhorando, mas ainda está longe do ideal para muitas empresas. Apenas 51% dos entrevistados afirmam que suas empresas estabelecem uma base de dados limpa e estruturada antes de escalar iniciativas digitais. Ao mesmo tempo, 60% dizem que a má qualidade dos dados impactou, de alguma forma, a geração de valor dessas iniciativas.
Esses desafios persistem mesmo com a maioria dos entrevistados afirmando que a qualidade e a confiabilidade dos dados evoluíram nos últimos dois a três anos. Para 58%, porém, o avanço foi apenas discreto, enquanto somente 30% relataram melhora significativa. O último percentual foi maior entre os entrevistados que não relatam barreiras significativas para adotar ou escalar agentes autônomos e entre os que já incorporaram a IA em todas as unidades de negócio.
P: Nos últimos 2 a 3 anos, como mudaram a qualidade e a confiabilidade geral dos dados da sua organização? (Resposta à opção “Melhorou significativamente”.)
Nota: os segmentos não são mutuamente exclusivos, pois os respondentes podem integrar mais de um grupo. Segmentos calculados com base nas respostas a perguntas anteriores (P: Qual é o principal fator que está retardando a adoção ou a escala de agentes autônomos na sua organização? Em que estágio sua organização se encontra no desenvolvimento de uma estratégia de IA corporativa?).
Base: todos os executivos 767; Sem barreiras significativas para adoção ou escala de agentes autônomos 199; Estratégia de IA totalmente incorporada 205
Fonte: Pesquisa de Tendências Digitais em Operações 2026 da PwC
A pesquisa também relativiza a busca por dados impecáveis. Para a maioria dos entrevistados, o mais importante é dispor de informações capazes de orientar decisões: 89% concordam que isso é mais relevante do que ter dados completos, 84% afirmam estar confortáveis em decidir mesmo quando os dados são imperfeitos e 73% acreditam que a perfeição não é um requisito para gerar valor.
Esses números revelam um paradoxo comum. Muitos líderes afirmam que os dados não precisam ser perfeitos para lançar iniciativas digitais, mas também reconhecem que sua baixa qualidade pode comprometer os resultados. Algumas empresas estão conseguindo equilibrar essa equação, melhorando a qualidade dos dados de forma direcionada e gradual, em paralelo à transformação.
Próximo passo: não permita que a qualidade dos dados se torne um entrave à transformação. Agentes de IA já conseguem interpretar contexto, lidar com informações incompletas e apoiar decisões mais rápidas com os dados disponíveis. Adote uma abordagem que combine experimentação, governança disciplinada e melhoria contínua da qualidade dos dados. A vantagem competitiva não virá de esperar por uma base perfeita, mas de extrair valor dos dados que a organização já tem e melhorá-los continuamente.
A pesquisa reforça algo que observamos com frequência: as iniciativas digitais, e seu impacto, variam conforme o setor, às vezes de forma considerável. Isso reflete diferenças fundamentais entre os tipos de operação. Empresas intensivas em produtos e ativos costumam competir por meio de cadeias de suprimentos que movimentam materiais e mercadorias. Já empresas intensivas em serviços competem por meio de cadeias que coordenam pessoas, processos e fluxos digitais entre as áreas de atendimento, operações e suporte administrativo.
Cada modelo exige uma abordagem própria, capaz de refletir diferenças nos padrões de risco, nos obstáculos à transformação e nas principais fontes de criação de valor. Os resultados da pesquisa ilustram bem essa diferença. Entrevistados de empresas baseadas em cadeias de serviços, por exemplo, tendem mais a afirmar que não enfrentam barreiras significativas para adotar ou escalar agentes autônomos. Já nas cadeias de suprimentos, uma parcela maior dos entrevistados aponta a falta de habilidades e talentos como um obstáculo relevante. Além disso, organizações orientadas por cadeias de serviço relatam, com mais frequência, ter integrado capacidades digitais de ponta a ponta.
P: Em que medida sua organização implantou capacidades digitais (como agentes de IA, ecossistemas de dados e automação inteligente) em suas operações? (Selecione uma opção.)
Nota: segmentos calculados com base no setor dos respondentes (cadeia de suprimentos inclui Produção Industrial, Varejo e consumo, Tecnologia, mídia e telecomunicações, Energia, serviços de utilidade pública e recursos, Farmacêutico e biociências; cadeia de serviços inclui Serviços financeiros, Seguros e Saúde).
Base: cadeia de suprimentos 603; cadeia de serviços 164
Fonte: Pesquisa de Tendências Digitais em Operações 2026 da PwC
Essas diferenças mostram como é fundamental combinar conhecimento específico do setor com os esforços de transformação digital. Na produção industrial, a automação operacional pode se referir a processos físicos, enquanto em setores de serviços pode se referir a fluxos de trabalho digitais, como processamento de sinistros ou avaliação de riscos.
Eliminar os silos organizacionais figura entre os principais objetivos da transformação das operações. A IA e a automação prometem acelerar esse movimento: mais de quatro em cada cinco entrevistados (83%) acreditam que essas tecnologias contribuirão para romper os silos funcionais tradicionais. A pesquisa, porém, mostra que a transição para modelos organizacionais mais horizontais e em rede continua cercada de desafios.
P: Quais são as maiores barreiras para alcançar uma estrutura organizacional horizontal e em rede? (Classifique até 3.)
Base: todos os executivos
Fonte: Pesquisa de Tendências Digitais em Operações 2026 da PwC
Esses obstáculos podem explicar por que apenas 41% dos entrevistados afirmam que suas empresas já operam hoje com estruturas colaborativas e horizontais. Isso pode fazer grande diferença no sucesso dos investimentos digitais: entre as empresas com modelos horizontais, os ganhos de desempenho em velocidade, precisão, visibilidade e colaboração são significativamente maiores.
P: Em que medida sua organização implantou capacidades digitais (como agentes de IA, ecossistemas de dados e automação inteligente) nas operações? (Selecione uma opção.) Qual das opções melhor descreve o uso atual de agentes de IA pela sua organização para qualidade ou gestão de dados? (Selecione uma opção.)
Nota: exibindo 1 opção de 4 em cada pergunta. Segmentos calculados com base nas respostas a uma pergunta anterior (P: Qual das opções melhor descreve a estrutura operacional da sua organização entre as áreas?).
Base: estrutura horizontal e colaborativa 316; estrutura predominantemente em silos ou parcialmente integrada 451
Fonte: Pesquisa de Tendências Digitais em Operações 2026 da PwC
Próximo passo: a IA pode criar estruturas operacionais, de forma deliberada ou não. Por isso, repense seu modelo operacional em paralelo à implementação da IA e incentive resultados compartilhados entre as áreas, não a otimização do desempenho de cada silo. Também será essencial preparar as equipes para assumir funções de maior valor agregado, apoiadas pela IA. A colaboração efetiva entre pessoas e agentes inteligentes não acontecerá por acaso.
Entre os 767 líderes de operações e cadeia de suprimentos entrevistados, um grupo pequeno pode estar redesenhando a curva de desempenho. Apenas 4% relatam sucesso em quatro áreas-chave: IA plenamente integrada em toda a empresa, ausência de barreiras significativas para escalar agentes autônomos, estrutura operacional colaborativa e horizontal, e investimentos em tecnologia que entregam todos os resultados esperados.
Qual é o segredo dessas empresas? Entre as práticas que as destacam das demais, estão:
P: Até que ponto sua organização implantou capacidades digitais nas operações? (Selecione uma opção.) Em que medida sua organização alcançou impacto nos negócios com os investimentos digitais recentes? (Selecione uma opção.) Em quais áreas das suas operações plataformas nativas de IA ou agentes de IA estão sendo usadas atualmente? (Selecione todas que se aplicam.) Como sua organização mede o impacto dos investimentos digitais recentes nos negócios? (Selecione uma opção.) Nos últimos 2 a 3 anos, como mudaram a qualidade e a confiabilidade geral dos dados da sua organização? (Selecione uma opção.)
Nota: segmentos calculados com base nas respostas a perguntas anteriores (líderes são os respondentes que reúnem simultaneamente quatro características: estratégia de IA totalmente incorporada, investimentos em tecnologia operacional que entregam os resultados esperados, ausência de barreiras significativas à adoção ou escala de agentes autônomos e estrutura organizacional colaborativa e horizontal).
Base: Líderes 30; Demais 737
Fonte: Pesquisa de Tendências Digitais em Operações 2026 da PwC
Ao contrário de muitas organizações que ainda estão no início da jornada de maturidade em IA, essas empresas não limitam a tecnologia a iniciativas pontuais. Elas integram IA, dados e operações ao core business. Ao tratar essas frentes como parte de uma única agenda de transformação, as líderes transformam ambição digital em resultados mensuráveis e escaláveis, enquanto muitas concorrentes ainda avançam por meio de iniciativas desconectadas.
Poucas empresas já conseguem gerar impacto corporativo relevante, mas praticamente todas iniciaram sua jornada de operações digitais. A diferença estará na capacidade de transformar experimentação em execução em escala.
A lacuna entre ambição e execução nas operações ainda é ampla e continuará sendo um desafio para muitas empresas. Aquelas que conseguirem integrar IA, dados e transformação do modelo operacional de forma coordenada e decisiva estarão mais bem posicionadas não apenas para melhorar seu desempenho operacional, mas para redefinir o padrão de desempenho de seus setores.
A Pesquisa de Tendências Digitais em Operações 2026 da PwC ouviu 767 líderes de operações e cadeia de suprimentos entre janeiro e fevereiro de 2026. Participaram do estudo executivos, diretores e gerentes de empresas sediadas nos Estados Unidos, com receita anual superior a US$ 100 milhões, que responderam a um questionário on-line. Todos tinham responsabilidade exclusiva ou compartilhada por decisões relacionadas a operações, cadeia de suprimentos ou compras e suprimentos (procurement). Os setores representados foram: consumo e varejo (13%), energia, serviços de utilidade pública e recursos naturais (16%), serviços financeiros (5%), saúde (11%), produtos industriais (18%), seguros (5%), farmacêutico e biociências (11%) e tecnologia e telecomunicações (16%).