Fintechs aumentam em 51% o volume de crédito concedido em 2025

  • Press Release
  • Julho 15, 2026

6ª edição da Pesquisa de Crédito Digital, realizada pela ABCD e pela PwC Brasil, revela consolidação do crédito consignado e eficiência orgânica das operações

São Paulo, 15 de julho de 2026 — A nova edição da Pesquisa Fintechs de Crédito Digital, realizada pela PwC Brasil e pela Associação Brasileira de Crédito Digital (ABCD), revela que as fintechs atingiram a marca de R$ 53,8 bilhões no volume de crédito concedido em 2025, um aumento de 51% em relação ao ano anterior. Mesmo em um cenário macroeconômico mais desafiador e marcado pelo alto custo de captação, o setor manteve o sexto ano consecutivo de crescimento - 82% dessa expansão veio de operações já existentes.

O avanço expressivo aparece acompanhado de um salto na base de clientes pessoas físicas, que ultrapassou 94,9 milhões no Brasil e no exterior, enquanto o atendimento a pessoas jurídicas superou 72 mil clientes. O estudo também evidencia o papel das fintechs na inclusão financeira e na regionalização do acesso ao crédito: o Nordeste, por exemplo, continua avançando em números absolutos e alcançou 20,7 milhões de clientes, consolidando o alcance e a relevância do setor mesmo fora dos grandes centros financeiros tradicionais. 

“O setor se provou. Cresceu de forma consistente, evoluiu em estrutura, ampliou a base de clientes e mostrou resiliência. Hoje as fintechs já não competem por taxa. Competem por serviço, atendimento, relevância para o cliente. O próximo ciclo vai exigir mais. No segmento de pessoa jurídica, a reforma tributária e o split payment vão eliminar o colchão fiscal que integra, hoje, o capital de giro das empresas, e isso vai criar uma demanda estrutural por crédito que as fintechs têm condições de atender”, explica Willer Marcondes, sócio para serviços financeiros da Strategy&, consultoria estratégica da PwC. 

Foco no consignado 

Um dos destaques da Pesquisa Fintechs de Crédito Digital é a mudança na composição da oferta. O crédito consignado se tornou um dos principais motores de expansão e solidez. O crédito sem garantia, que representava 60% das ofertas em 2019, caiu para 14% em 2025, enquanto o consignado para trabalhadores do setor privado passou a ser oferecido por 47% das fintechs participantes. No ano anterior, esse percentual foi de 40%. Os números confirmam a dimensão deste crescimento já que o saldo total em carteiras envolvendo modalidades de consignação aumentou de R$ 1,7 bilhão em 2023 para R$ 15,8 bilhões no ano passado.

Ainda segundo o levantamento, a procura por modalidades com garantias reflete a adaptação do setor para oferecer taxas mais atrativas e ampliar a democratização financeira. Além disso, as principais mudanças estão associadas a novas regulamentações e aumento da segurança dos produtos. 

Melhorias contínuas nas plataformas oficiais e a inclusão de novas garantias, como o FGTS, também demonstram que esta modalidade de crédito tende a continuar crescendo ao longo de 2026. 

Nova regulação

Além do consignado, a vantagem competitiva das fintechs fica evidente em nichos onde o custo costuma ser historicamente elevado para o consumidor. No rotativo do cartão de crédito, a taxa média praticada pelas fintechs é significativamente inferior à dos bancos tradicionais.

Para sustentar esse nível de competitividade, as empresas precisaram se adaptar a um novo e mais complexo ambiente regulatório. O aumento da exigência de capital mínimo e as novas regras para Banking as a Service (BaaS) elevaram as barreiras de entrada, transformando a adequação à regulação em uma vantagem que tem favorecido e acelerado a consolidação de empresas mais estruturadas.

“A regulação ficou mais exigente, ao mesmo tempo em que o capital mínimo subiu. Nesse contexto, algumas fintechs podem ter dificuldade para se adaptar, mas muitas outras já estão capitalizadas e preparadas para esse novo ciclo”, afirma Daniel Gomes, presidente da ABCD. “Os benefícios das fintechs de crédito para a população já são concretos e tendem a continuar crescendo. Foi difícil chegar até aqui, mas o setor alcançou um novo patamar de maturidade. Por isso, os próximos anos devem ser positivos, com crescimento mais sólido e geração de valor mais forte para a sociedade e os acionistas”, completa Gomes. 

Inteligência artificial

Ao atingir um novo patamar de maturidade, as fintechs deixam de basear sua concorrência exclusivamente nas taxas e passam a concentrar seus diferenciais competitivos também na entrega de serviços de qualidade, atendimento superior e relevância das soluções criadas para o cliente. A pesquisa revela esta mesma maturidade no uso da inovação. 

As fintechs aprenderam, ao longo de quase uma década, o que de fato gera eficiência operacional e estão concentrando recursos nisso. A inteligência artificial deixou de ser uma promessa para se tornar uma prioridade declarada: 62% das fintechs já estudam ou desenvolvem soluções de IA, enquanto 96% afirmam que pretendem implementá-las ou expandi-las nos próximos dois anos. Esse é o maior índice de intenção registrado para qualquer tecnologia ao longo desta série histórica.

Além disso, a cibersegurança, que combina pressão regulatória com riscos operacionais crescentes, segue como o segundo vetor de crescimento em tecnologia, com 23% das empresas planejando fazer novos investimentos nesta área. O movimento também é induzido pelo ambiente regulatório. 

Sobre a ABCD

A ABCD (Associação Brasileira de Crédito Digital) é uma associação sem fins lucrativos de âmbito nacional formada por fintechs que oferecem produtos e serviços financeiros. Em franco crescimento no Brasil e no mundo, as fintechs estão mudando a dinâmica do mercado de crédito. São três os objetivos principais da ABCD: busca de maior eficiência no ciclo de crédito, fomento de iniciativas que propiciem o desenvolvimento do mercado de crédito digital no qual as fintechs associadas atuam e criação de relacionamento institucional consistente com os reguladores e demais agentes do ecossistema do crédito.

Sobre a PwC

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