Setembro 2, 2021.
Por Braian Souto
Em um contexto em que a pandemia acelerou ainda mais a transformação digital, as companhias têm pela frente o desafio de encontrar novas formas de se manter competitivas e aderentes ao cenário extremamente desafiador que se apresenta. Ampliar as possibilidades de colaboração, bem como a geração e aceleração de ideias passa a ser fundamental nesse processo.
Encontrar as melhores ideias e tirá-las do papel torna-se, portanto, um fator-chave de sucesso. Corporações são organismos complexos e, nem sempre, essa jornada é fácil. Ela passa, essencialmente, pela cultura. A aversão ao risco é bastante comum no ambiente corporativo, mas para inovar é preciso aprender a trabalhar e a conviver com o erro.
No livro “The Digital Transformation”, o especialista em estratégia digital David Rogers pontua que as tecnologias digitais tornaram rápido, fácil e barato testar novas ideias. Ainda segundo Rogers, as empresas precisam dominar a arte da experimentação rápida e aprender a encorajar “fracassos inteligentes”.
Esse é um grande passo, mas a jornada reserva outros desafios. É preciso ter uma estrutura fluída para que as ideias nasçam e se concretizem nesses projetos de experimentação rápida. Um ponto relevante sob este aspecto é o engajamento de times como os de TI, Jurídico, Financeiro e Compras. Essas áreas devem estar sensibilizadas para que atuem como facilitadores do processo de inovação e não como barreiras para que ele aconteça.
E para que este processo seja, de fato, transversal, as empresas também precisam ter canais para ouvir seus times e estabelecer com clareza como as propostas serão analisadas. Esse é um meio de instigar os profissionais a apresentarem ideias, ao mesmo tempo que elimina frustrações, uma vez que está baseado na construção de um ambiente de confiança. Esses são alguns preceitos para uma governança leve e que contribua para estimular um ambiente acolhedor ao novo.
Não existe receita pronta quando a tarefa é minerar novas ideias e tirá-las do papel. Mas, conhecer como outras empresas realizam esse processo, pode ajudar. A Bunge, por exemplo, que é uma das maiores companhias globais do agronegócio, tem trilhado essa jornada por meio de dois caminhos: do intraempreendedorismo e da inovação aberta.
Na frente do intraempreendedorismo, a empresa busca fomentar a cultura da inovação e dar vazão às novas ideias a partir de iniciativas como o Strike Force, que reúne um grupo diverso de 40 pessoas do Brasil e da Argentina, com as mais diferentes ocupações e posições na empresa – identificados por terem características como pensamento crítico e criatividade.
Esse time recebeu a missão de entrar numa jornada exploratória, em que pôde avaliar quais eram as tendências em seu setor, entre pares de mercado e outras culturas.
Além disso, tiveram liberdade para explorar a Bunge e discutir os temas com todos os níveis da organização, dos times de execução e operação até a alta liderança.
O grupo também teve mentoria com líderes da organização. O resultado? Um total de 50 novas ideias, das quais 17 foram selecionadas para um Pitch Day e 6 já estão em fase de estruturação.
Na frente de inovação aberta, por sua vez, a Bunge usa a colaboração como ferramenta de impulso, trazendo para o processo de construção parceiros, empreendedores, universidades, startups, entre outros, que contribuem para ampliar significativamente as possibilidades de sucesso, agregando velocidade e dinamicidade às ações.
Nessa linha, recentemente, a Bunge se tornou parceira de inovação do AgTech Garage, principal hub voltado ao agronegócio, e já tem colhido frutos da parceria, o que lhe permite colaborar não somente com startups – há dois projetos em andamento sob o programa Intensive Connection –, mas também com outras instituições e organizações que atuam no ambiente do hub.
Intraempreendedorismo e inovação aberta não são estradas distantes. Elas podem, e devem, se cruzar quando houver necessidade.
Seja qual for o caminho e a estratégia adotada, o importante é sempre ter o cliente no centro e ter em mente que o desafio da inovação não é encontrar a solução certa, mas sim empregar todos os esforços para resolver um determinado problema, sem a necessidade de desenvolver ações complexas ou super tecnológicas: a chave é gerar valor perceptível ao cliente. É com base nisso que a Bunge tem apostado em soluções que desafiam seu próprio core business.
A pergunta que precisamos fazer todos os dias é: qual problema do agro estamos resolvendo?
Braian Souto é Gerente de Projetos Estratégicos na Bunge e lidera iniciativas que visam a digitalização do core business da companhia e o suporte ao processo de transformação dos negócios por meio de iniciativas de intraempreendedorismo e inovação aberta.