Outubro 7, 2021.
Por Letícia Caroline Méo
Ter na cabeça que toda empresa vai gerar um impacto ambiental social é mandatório, seja você consumidor ou empreendedor. Afinal, qualquer interferência no meio, por menor que seja, gera impactos. Assim, a questão é muito mais entender em que nível da jornada da sustentabilidade a empresa se encontra: em que fase sua empresa está? Vocês investem em melhoria contínua? Vocês sabem comunicar a sustentabilidade de forma transparente, sem vender uma imagem equivocada para o mercado?
Essa é uma necessidade de grandes companhias e também das startups, para não cair no vazio do greenwashing (“lavagem verde”, em tradução livre para o português) e promover uma imagem de preocupação com questões ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês) sem saber exatamente como isso se encaixa no contexto da sua empresa.
Se você é empreendedor e não sabe por onde começar a olhar para o ESG, o primeiro conselho é se perguntar:
— Onde a minha empresa está no caminho para se tornar mais sustentável?
— E onde quer chegar?
Com um esboço disso, vale traçar um raio-X mais profundo do negócio e olhar também para as relações com o ecossistema. Cada reflexão nessa trilha pode representar um passo a mais para implementar processos mais sustentáveis, se aproximar de investidores, consumidores e fidelizar clientes.
1) Seja genuíno. É importante que venha dos fundadores da startup a demanda por estruturar processos ESG. Do lado jurídico, isso parte já do contrato social da empresa e prevê que a governança esteja presente em todas as tomadas de decisão.
Como eu vou me apresentar para o mercado? Quais os meus valores? Os processos precisam estar organizados de forma a serem perpetuados independentemente de quem lidera ou veste a camisa da empresa. O contrato social e os manuais para disseminar a cultura ESG dentro da empresa desde a fundação têm esse papel.
2) Faça uma comunicação clara das suas ações. Cair na tentação de se posicionar como “empresa verde” transmitindo uma mensagem genérica, é um erro comum. Citações como: “meu produto preserva a camada atmosférica” ou “é amigo do meio ambiente” ou “é 100% sustentável”, na verdade, não querem dizer nada. Quando for comunicar o que sua startup está fazendo em prol da sustentabilidade, comunique o ponto específico de forma objetiva.
“Uso energia fotovoltaica na minha usina de café” é o tipo de mensagem esclarecedora para o consumidor. Ou: “Dos plásticos que utilizo na minha operação, 100% são cedidos aos funcionários para reciclagem em cooperativas, e o recurso gerado é integralmente revertido em renda extra para eles”. Em outras palavras, sempre fuja do greenwashing, ou seja, de passar a impressão e imagem de que o negócio tem uma pegada ESG quando não tem ou quando ainda não está em determinada fase da sustentabilidade.
3) Invista em certificações com credibilidade. Hoje em dia, muitos negócios se utilizam de autodeclarações para se promover. Ao invés disso, recorra a certificações de órgãos independentes e com chancela para atestar suas boas práticas. Um exemplo é o selo do Sistema B, que usa uma ferramenta gratuita para acompanhar a evolução da performance das empresas de acordo com altos padrões de desempenho e impacto positivo reconhecidos pelo mercado. A Avaliação de Impacto B (BIA), disponível online, é realizada em cinco áreas: Governança, Trabalhadores, Clientes, Comunidade e Meio Ambiente
4) Não espere sua startup crescer para olhar para o ESG. Como falamos no início, incorporar o ESG na estrutura corporativa desde a elaboração do contrato social é a melhor estratégia para não se perder mais adiante. Na falta de um planejamento prévio, não são raras as corporações que têm criado áreas de sustentabilidade e investido em projetos de terceiros para poder dizer que se preocupam com demandas socioambientais. Coloque em todos os contratos que fizerem com fornecedores e parceiros de negócio cláusulas antigreenwashing, ou seja, ESG, que fixem os valores da sustentabilidade que vocês têm.
Sem querer me repetir, ter essa consciência no DNA, e ser genuíno, é fundamental. Conforme a teoria da qualidade, cada dólar investido em práticas sustentáveis tem potencial de economizar outros US$ 4 em processos para recuperar danos ou más práticas, como a recuperação do solo, por exemplo, devido ao uso de produtos indevidos. Resumindo os conselhos, o mais importante é ter o ESG como valor posto em prática!
Letícia Caroline Méo é consultora jurídica e advogada. Mestre e Especialista em Direito. Associada da Associação Brasileira dos Profissionais pelo Desenvolvimento Sustentável. Autora do livro "Greenwashing e Direito do Consumidor: como prevenir (ou reprimir) o marketing ambiental ilícito". Legal advisor da startup Um Grau e Meio. Co-fundadora da Choice! Conexão Sustentável, que conecta pessoas e empresas, para falarem sobre a sustentabilidade de marcas e produtos. A missão de Letícia é fomentar o consumo e a produção mais sustentáveis.