Julho 21, 2022
Por The Yield Lab Latam
Na América Latina, 80% do deal-flow de investimentos em ag&food techs está concentrado na Argentina, Brasil e Chile, de onde também saíram os primeiros unicórnios que oferecem produtos e serviços para o agronegócio na região. É o caso da foodtech chilena NotCo (de produtos 100% vegetais) e da logtech brasileira CargoX.
Mas as oportunidades não deixam dúvidas de que esse ainda pequeno clube de unicórnios vai crescer. Enquanto alguns corredores da linha de frente estão a caminho de se tornarem unicórnios na região, novos mercados, como Colômbia e México, também estão crescendo em relevância e já apresentam um desenvolvimento considerável.
Historicamente, no mercado de ag&food tech predominavam empresas de inovação em precisão para agricultura, o que ainda é muito relevante em toda a América Latina. No entanto, nos últimos anos houve um surgimento acelerado de soluções de supply chain, fintech e foodtech tanto para atender o consumidor quanto o público B2B.
O interessante é que essa evolução anda de mãos dadas com novos modelos de negócios, em que os insights originalmente captados, como valor agronômico, agora alimentam modelos de fintech, rastreabilidade, sustentabilidade, impacto e clima. Essa é a real disrupção e onde está o potencial de investimento na região, ainda mais porque a maioria dessas startups está em fase de seed, o que deixa muito espaço para crescerem e amadurecerem.
No caso do The Yield Lab, hoje o portfólio é bastante sólido e diversificado, trazendo uma amostra interessante das oportunidades que existem para novos soonicorns na América Latina.
A diversidade se faz patente tanto em termos de tecnologias (digital, biotecnologia, hardware) e setores de inovação (alimentos, agricultura e pecuária), geografia (bra, arg, chi, peru, mx) e disrupção (fintech, clima, sustentabilidade).
Alguns exemplos que valem a pena ser explorados em detalhe, pelo pioneirismo das startups em suas categorias, são: Ucrop.it, Kilimo, Seedz y TerraMagna, além da foodtech microTERRA.
Nos últimos anos, a demanda por alimentos sustentáveis tem crescido notavelmente entre os consumidores. Ao mesmo tempo, a rastreabilidade dos processos nas lavouras e a acreditação das boas práticas tornaram-se uma exigência para os produtores. Nesse contexto — e também do Quinto Relatório do Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que coloca a agricultura como uma das principais atividades emissoras de gases de efeito estufa — a Ucrop.it vem trazendo rastreabilidade e valor às práticas sustentáveis em diferentes cultivos com a sua plataforma.
Toda a informação sobre a sustentabilidade da produção fica guardada na plataforma da Ucrop.it (Imagem: Ucrop.it)
A solução digital é gratuita para os produtores e permite que eles transformem a sustentabilidade em práticas de manejo simples, viáveis e lucrativas. Na plataforma digital e com suporte de agrônomos de campo, os produtores podem: rastrear e verificar o histórico de suas lavouras de forma segura e confidencial (com tecnologia blockchain); conhecer o potencial de sustentabilidade de seus cultivos; gerenciar indicadores ambientais, como o Coeficiente de Impacto Ambiental e Pegada de Carbono; além de saber a quais padrões se aplicam e se conectar com atores da cadeia de valor interessados em reconhecer e premiar suas boas práticas agrícolas.
Através da Ucrop.it, o produtor visualiza todas as oportunidades de negócio que dialogam com sua realidade e o lucro potencial correspondente a essas oportunidades. A startup argentina fundada em 2018 já atua em três países da América Latina (Paraguai, Uruguai, Brasil) e também nos Estados Unidos, onde conta com um escritório de desenvolvimento de negócios.
Com uma plataforma SaaS (de software como serviço) para gestão da água na agricultura extensiva e intensiva, a Kilimo visa melhorar a rentabilidade do produtor e reduzir o seu impacto ambiental. Usando Big Data, fornece uma recomendação ideal de irrigação projetada para cada parcela de terra, graças ao seu algoritmo de balanço hídrico de alta precisão.
A Kilimo é uma startup que fornece recomendações de irrigação baseadas em IA (Foto: Kilimo)
Além disso, mede a pegada hídrica de diversas culturas, entregando valor aos produtores de uma nova forma. Com um relatório sobre a utilização da água nos campos, o produtor pode incorporar tecnologia para atingir metas de sustentabilidade e vender seus produtos para novos mercados preocupados com o uso consciente do recurso no planeta.
A plataforma de gestão de irrigação é pioneira na medição da pegada hídrica e assessora e certifica clientes, algo ainda incomum na América Latina. Hoje, a Kilimo tem escritórios na Argentina, México, Peru e Chile.
A Microterra, por sua vez, é uma empresa mexicana de tecnologia de alimentos que produz um ingrediente chamado lemna (uma planta aquática). Este ingrediente traz uma textura inovadora aos alimentos à base de plantas e pode ser produzido de forma escalável, acessível e sustentável em fazendas de aquícolas.
A farinha de lemna traz uma textura inovadora aos alimentos à base de plantas (Foto microTERRA)
Nessas fazendas, a lemna também gera benefícios ao consumir o nitrogênio e fósforo, oriundos dos resíduos dos peixes, evitando que atinjam concentrações tóxicas. A planta aquática contém até 40% de proteína e até 25% de pectina, ingrediente conhecido no mundo da alimentação por sua grande capacidade aglutinante.
Uma nova fonte de proteína alternativa, a farinha de lemna vem sendo utilizada como texturizante natural, rico em proteínas e fibras, com características nutricionais e funcionais, para consumo humano e animal (em rações).
No caso da brasileira Seedz, o terreno fértil está em fornecer inteligência de negócios e insights para grandes empresas do agronegócio por meio de sua plataforma de fidelização e incentivo de vendas. Fazendo parte do programa de fidelidade da startup, o produtor acessa ainda um cashback a cada compra realizada. Para as empresas, isso gera a oportunidade de estabelecer um envolvimento mais profundo com os agricultores e obter mais tráfego de entrada, ao mesmo tempo em que oferece recompensas concretas a seus clientes, uma grande oportunidade em países centrados na agricultura.
O financiamento da produção agrícola, enfim, é um problema sistêmico em toda a América Latina ao qual a agfintech brasileira TerraMagna está atenta. Na região, são similares as características de falta de acesso a crédito pelo produtor, altas taxas de juros e burocracia do mercado. A oportunidade é tão grande que atraiu capital de VCs globais, como o SoftBank, investidor da startup brasileira TerraMagna assim como o The Yield Lab. Portanto, há ainda muito o que transformar em todo o setor, e muitas oportunidades.
O The Yield Lab Latam é uma gestora de capital de risco com larga experiência em tecnologia agrifood e grande presença na América Latina. Investe em startups em estágio inicial de alto potencial com sede na região e que enfrentam os múltiplos desafios apresentados pela indústria agroalimentar.
*As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor e não refletem necessariamente a visão do AgTech Garage News.