COP-27: compromisso de cada um com as futuras gerações

A convite do Centro Sebrae de Sustentabilidade e do Ministério do Meio Ambiente, a ConnectFARM esteve na COP 27 e seu CEO narra a experiência

Novembro 24, 2022

Por Rodrigo Franco Dias

Em 2020 assumimos, como empresa, um grande compromisso com o planeta. Ao assinarmos o Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU), nos comprometemos de maneira formal com o desenvolvimento sustentável da Agenda 2030 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) – metas que visam a utilização sustentável dos recursos atuais para não comprometê-los para as gerações futuras.

Essas metas são divididas em quatro dimensões:

  • Social, com foco em qualidade de vida, saúde, educação;
  • Economia, com olhar para a inovação e a empregabilidade;
  • Ambiental, com abrangência em preservação e uso sustentável do meio ambiente;
  • Institucional, sobre viabilidade de implementação.

Colocar em prática esses objetivos e conhecer mais sobre estes temas foi a grande motivação da ConnectFARM para estar na COP-27 deste ano, realizada no Egito.

A Conference of Parties (COP) da United Nations for Climate Changes (UNFCC) deste ano trouxe uma programação ampla. No primeiro dia, por exemplo, debateu-se quais recursos serão investidos para que seja possível o atingimento das metas para 2030 e 2050.

COP da alimentação e agricultura

A agricultura ficou reservada para o sexto dia, com temas importantes como energia, alimentação, água e preservação de recursos naturais. O foco esteve em como estabelecer regras de quanto, onde e como serão as compensações financeiras, que deverão ser realizadas pelos países que mais emitem gases de efeito estufa ou pelos maiores poluidores.

Esta foi a primeira edição da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas que contou com um pavilhão dedicado à “Alimentação e Agricultura”. Ali, a ConnectFARM apresentou o trabalho que realiza com algoritmo proprietário, o Índice de Gestão Ambiental (IGA), que cruza informações de atributos do solo, das plantas e do ambiente para estimar o potencial produtivo de cada talhão da lavoura.

No painel “Mensuração e Técnicas de Manejo Sustentável para Fixação de Carbono no Solo em Produções Agrícolas de Biodiesel e Etanol”, levei os resultados do trabalho de consultoria agronômica que realizamos com mais de 500 produtores em aproximadamente 1,5 milhão de hectares de 10 estados do Brasil, em parcerias com as multinacionais químicas, para aplicação de agricultura de conservação por meio de plantas de cobertura, em biomas como o Cerrado e o Pampa.

Quando olhamos para o Brasil, um país com recursos naturais em abundância, principalmente água, e vemos lugares como Sharm el-Sheikh, no meio do deserto, percebemos como somos ricos em recursos naturais e o quanto isso é importante para a agricultura mundial.

Gigante por natureza

O Brasil é visto como um gigante, com as maiores reservas naturais de água e áreas de florestas do mundo. No entanto, o país também é, indiretamente, o que detém as maiores reservas de carbono estocado do planeta. Exatamente por isso, o potencial para exploração desse mercado é enorme. Há grande preocupação com a preservação desses recursos. Alguns presidentes, como o de Portugal, citaram o Brasil como principal player global na pauta da preservação.

O governo brasileiro, representado pelo Ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, e equipe, apresentou a disposição do país e os compromissos para reduzir o desmatamento e preservar biomas. O Centro Sebrae Sustentabilidade (CSS), juntamente com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), levaram grupos de empresários com o objetivo de mostrar para o mundo os esforços da iniciativa privada, reforçando o potencial do país em levar desenvolvimento sustentável à máxima potência.

Nosso maior aprendizado foi conhecer as dinâmicas de negociação entre países e como as relações internacionais acontecem na prática. Entender as principais demandas globais e como elas contextualizam os objetivos propostos pela ONU. E ainda, como cada país tem papel fundamental para a construção de um mundo melhor, compreendendo que é possível aliar desenvolvimento e sustentabilidade.

A conta um dia chega, por mais que se contestem verdades inconvenientes sobre o clima. Mas é inegável que a falta de alimentos, água e energia – recursos mal distribuídos no mundo – ainda são os maiores problemas para o desenvolvimento, considerando o crescente aumento da população. Cabe a cada um de nós assinar o próprio compromisso com as gerações futuras. Nós assinamos o nosso!

Rodrigo Franco Dias é CEO da ConnectFARM, engenheiro agrônomo, pesquisador, mestre em Agricultura de Precisão, com atuação nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, além do Matopiba. Focado em análise de dados e desenvolvimento de tecnologias. Parceiro de desenvolvimento de várias plataformas no Brasil. Também é produtor rural na cidade de Cachoeira do Sul (RS).

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Dirceu Ferreira Junior

Dirceu Ferreira Junior

Sócio e Líder do PwC Agtech Innovation, PwC Brasil

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