Cana-de-açúcar: um passaporte para o avanço da tecnologia e da sustentabilidade

Dado seu alto potencial de geração de energia, como biocombustível e biomassa, cultura é vista como aliada da descarbonização

Abril 13, 2023

A versatilidade da cana começa com a produção de etanol e açúcar e vai até a geração de uma série de subprodutos (Foto: CNA/ Wenderson Araujo)

Por Maria Renata Fregonezi Gonçalves

Muito se fala sobre como o avanço tecnológico na agricultura pode contribuir com as iniciativas de combate às mudanças climáticas. Nesse contexto, uma cultura específica se tornou crucial – não só pelo processo produtivo em si, mas também pelas possibilidades que a planta oferece. Estou falando da cana-de-açúcar, cujo maior produtor mundial é justamente o Brasil.

Para se ter uma ideia, artigo publicado recentemente por especialistas do Massachusetts Institute of Technology (MIT) sugere que essa cultura seja mais eficiente até mesmo que a energia solar para a descarbonização. Essa tese ainda está sendo estudada, mas ela se baseia em algumas premissas: o aumento da produtividade na lavoura (viabilizado pela tecnologia, irrigação e fertilização corretas, o que permite mais produção de energia e menos uso de insumos utilizando a mesma área); o potencial de captura de carbono da atmosfera e o aproveitamento da totalidade da energia contida na cana a partir do uso de todos os seus subprodutos.

Ou seja: a cana será cada vez mais relevante para a sociedade. Só em 2021 foram produzidos 29,9 bilhões de litros de etanol provenientes do milho e da cana, de acordo com dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Agora, entre 2023 e 2024, o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea-Esalq/USP) projeta crescimento na produção de cana-de-açúcar.

Na safra do Centro-Sul do país, iniciada neste mês de abril, a previsão de produção é de 560 milhões a 595 milhões de toneladas de cana. No Sudeste, avalia-se que o volume colhido será 4% superior ao da safra anterior. Segundo informações da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), mesmo com a área colhida caindo para cerca de 5,1 milhões de hectares, a produtividade deve 00subir, alcançando 74.571 kg/ha. Com uma ajuda do clima e do aumento da produtividade, a cana deve ganhar cada vez mais importância na nossa matriz bioenergética.

Mudança de paradigma

Na busca pela ecoeficiência na produção dentro da porteira, as lavouras de cana-de-açúcar já vêm passando por grandes transformações. Há mais de uma década, a colheita manual, que exigia a queima da palhada, está sendo substituída pela colheita mecanizada. E outras mudanças estão em curso.

Atenta ao potencial desse mercado, a John Deere desenvolveu a colhedora CH950, especificamente para os canaviais brasileiros. Mais que um equipamento moderno, a CH950 traz um conceito inédito: a capacidade de colher duas linhas, no espaçamento simples (1,4 m ou 1,5 m)      simultaneamente. Com quase o dobro de produtividade, as operações se tornam mais lucrativas para o produtor.

A máquina diminui em 28% a necessidade de tratores transbordos, em 50% as perdas por estilhaço (aproximadamente três toneladas por hectare) e em 60% a área compactada. Além disso, reduz o consumo de combustível da frente de colheita, por otimizar os tratores transbordos e reduzir o número de colhedoras necessárias a campo (porque substitui as de uma linha). Outras vantagens são: o próprio ganho de produtividade e de longevidade do canavial que esse maquinário impõe.

Informações em tempo real

A CH950 também permite acesso por meio do Centros de Soluções Conectadas (CSC). Trata-se de um serviço de suporte remoto às operações de clientes e parceiros. O CSC usa uma base de dados – gerados pelas próprias máquinas durante as operações – para identificar oportunidades de redução de custos e otimização de equipamentos. O Brasil tem hoje 42 Centros de Soluções Conectadas para auxiliar na gestão do produtor, a maior concentração do mundo em um único país.

Animados com os benefícios que a cana-de-açúcar pode proporcionar para a sociedade e o agronegócio responsável, seguimos empenhados em desenvolver as tecnologias do futuro. Sabendo que, muitas vezes, soluções inovadoras requerem mudanças de paradigmas, mas que os benefícios atingidos mostram que todo o esforço vale a pena.

Maria Renata Fregonezi Gonçalves é especialista de Produto e  Mercado para soluções em cana-de-açúcar da John Deere. A engenheira agrônoma é formada pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP) e é responsável pelo planejamento e execução do Marketing Tático no segmento.

Especializada em mercado e produto, apoia a Rede de Concessionários da John Deere no Brasil, desenvolvendo a rede no conhecimento e análise de mercado e promovendo e criando valor para as soluções que a empresa oferece ao setor.

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Dirceu Ferreira Junior

Dirceu Ferreira Junior

Sócio e Líder do PwC Agtech Innovation, PwC Brasil

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