Junho 1, 2023
Campus do Centro Universitário Integrado em Campo Mourão, no Paraná (Foto: Ivan Amorin)
Por Rafael Zampar
O mercado de trabalho exige, dos profissionais que estão terminando sua formação, habilidades que vão muito além das técnicas. Hoje, muito se fala em habilidades socioemocionais (chamadas de soft skills) para se referir a competências que, normalmente, não são aprendidas em um curso superior.
Nesse sentido, o relatório sobre o Futuro dos Empregos 2023 do Fórum Econômico Mundial (The Future of Jobs Report 2023), lista as 5 principais habilidades demandadas pelas empresas: pensamento analítico; pensamento criativo; resiliência, flexibilidade e agilidade; motivação e autoconhecimento e curiosidade e aprendizagem ao longo da vida
As habilidades socioemocionais desempenham um papel crucial no mundo profissional contemporâneo. Enquanto as hard skills se concentram em conhecimentos técnicos específicos, as soft skills envolvem comportamentos e relacionamentos que são altamente valorizados pelas empresas. Há inclusive uma crítica à terminologia soft skills por se entender que soft seria relacionado a algo menos importante, quando na verdade tais habilidades são fundamentais.
A importância dessas habilidades transcende as fronteiras das diferentes áreas profissionais, pois elas impactam diretamente a qualidade das relações interpessoais, a eficiência das equipes e a capacidade de enfrentar desafios e adaptar-se às mudanças. Auxiliar no desenvolvimento das habilidades socioemocionais é fundamental para que as instituições de ensino preparem profissionais para se destacar no mercado de trabalho e construir uma carreira sólida e bem-sucedida.
No mercado do agronegócio, as habilidades socioemocionais vêm ganhando cada vez mais reconhecimento e valorização. Tradicionalmente, o setor era conhecido por demandar principalmente habilidades técnicas e conhecimentos específicos em agricultura, pecuária e agronegócio. No entanto, a crescente complexidade e globalização desse setor tem impulsionado a busca por profissionais com habilidades socioemocionais bem desenvolvidas.
Essa demanda por novas habilidades se justifica porque, no contexto agrícola atual, desempenham um papel fundamental na interação com equipes, fornecedores, clientes e demais partes interessadas. A capacidade de comunicação eficaz, trabalho em equipe, negociação, liderança e resolução de conflitos são essenciais para estabelecer relações de confiança, lidar com situações desafiadoras e promover uma gestão eficiente das operações agrícolas.
Sendo assim, no mercado do agronegócio, as habilidades socioemocionais já são valorizadas tanto quanto as habilidades técnicas. Profissionais que possuem um equilíbrio entre essas competências têm maiores chances de se destacar e prosperar nesse setor em constante evolução.
Pensando nessa nova dinâmica do mercado de trabalho, o Centro Universitário Integrado reformulou seu currículo na graduação em agronomia e, no ano de 2022, foi criada a BeAgro Integrado, o primeiro ecossistema de educação e inovação para o Agronegócio do Brasil. Em um conceito de verticalização da educação, inovação e tecnologia no agronegócio, a BeAgro permite pensar na formação integral do profissional de maneira estratégica.
Este ecossistema teve, como primeira ação, rodadas com as maiores empresas do agronegócio mundial com objetivo de entender se os profissionais formados pelas universidades brasileiras correspondiam às necessidades do mercado. As respostas negativas dos maiores players indicaram que era necessário repensar toda a estrutura curricular e o formato do curso. Dessa maneira, uma equipe debruçou-se para pensar em um formato diferenciado, que depois foi validado com as empresas.
O novo currículo de agronomia pretende entregar para o mercado um profissional com hard skills, soft skills e que entenda de negócios. O primeiro diferencial do modelo é a divisão do curso em cinco grandes temas, um para cada ano da graduação.
Baseando-se em outras experiências, foi desenvolvido um curso modular, por competências, em que cada módulo é composto por pelo menos três disciplinas: duas disciplinas básicas e uma disciplina de aplicação, diferente do que tradicionalmente acontece. Via de regra, nos cursos tradicionais, as disciplinas se dão em sequência e, em muitos casos, a aplicação do conhecimento é planejada para ocorrer até 1 ou 2 anos depois de o aluno estudar a base teórica (algo muito comum em disciplinas como matemática, química e física).
Reforçando ainda essa vivência prática, tão demandada pelas empresas, a nova matriz do Integrado acrescentou, em cada módulo, um desafio ou problema para o aluno resolver (Case On Farm), uma situação real produzida por uma empresa parceira.
Entendendo que sempre há novas exigências, o quinto e último ano do curso, por fim, abre espaço para que os estudantes tenham contato com conteúdos sobre o mercado agropecuário, visão sistêmica e gestão do agronegócio, economia e administração rural, habilidades sócio-comportamentais e gestão de carreira.
Como instituição de ensino atenta às tendências do mercado, acreditamos que é fundamental nos mantermos atualizados, o que se reflete positivamente também na satisfação e empregabilidade dos nossos graduandos.
Rafael Zampar é professor do Curso de Agronomia do Centro Universitário Integrado desde 2008. Também atua como Diretor de Negócios do Grupo Integrado, sendo responsável pela BeAgro, dentre outras iniciativas inovadoras na educação. É graduado em Ciências Biológicas e Pedagogia e tem Doutorado em Ciências.
Rafael Zampar é professor do Curso de Agronomia do Centro Universitário Integrado desde 2008. Também atua como Diretor de Negócios do Grupo Integrado, sendo responsável pela BeAgro, dentre outras iniciativas inovadoras na educação. É graduado em Ciências Biológicas e Pedagogia e tem Doutorado em Ciências.