Fevereiro 9, 2023
Na construção de novos projetos, as perguntas certas precisam ser feitas (Imagem: viarami Pixabay)
Por CHAP, com tradução de Rafael Matsubara e edição de Marina Salles
São vários os caminhos possíveis para se propor um novo projeto ou um novo investimento dentro das empresas. Mas o difícil, na maioria dos casos, é tomar a decisão sobre seguir adiante, principalmente, quando falta informação. Diante desse desafio, o governo britânico criou uma metodologia de construção de cases de negócios, que ficou famosa dentro e fora do Reino Unido.
Desde 2018, a metodologia “Five Case Model” passou a ser adotada pelo grupo de nações do G20 como padrão internacional para desenvolver projetos de infraestrutura, e agora está sendo usada também no universo da inovação. Catalisador independente da inovação no Reino Unido, o CHAP (Crop Health and Protection) incorporou a metodologia, com as devidas adaptações no seu Programa de Inovações, liderado pelo Dr. Harry Langford, com foco na agricultura.
Thorner e Rosie Pitt-Watson, da Folio Partnership
O objetivo do CHAP sempre foi garantir que os desafios certos fossem não apenas identificados, mas avaliados de forma bem estruturada e consistente para gerar cases de sucesso no futuro. Em artigo para o CHAP, traduzido para o AgTech Garage News, Paul Thorner e Rosie Pitt-Watson, diretores da consultoria Folio Partnership, que auxiliaram na implementação da metodologia, trazem detalhes sobre a jornada de experimentação. Acompanhe:
Antes de mais nada, vale dizer que o Five Case Model é reconhecido como o padrão-ouro do HM Treasury para o desenvolvimento de cases de negócios e é pré-requisito do governo britânico para avaliar projetos que buscam financiamento público.
Quando ainda não era aplicado esse modelo, os documentos que chegavam para o governo careciam de consistência ou estrutura padronizada – o que tornava o processo de avaliação muito complicado.
Joe Flanagan, um avaliador do His Majesty’s Treasury (Tesouro de Sua Majestade, em português) notou que, particularmente no caso dos projetos de TI, os orçamentos eram sempre muito caros, vinham com termos que não podiam ser entendidos por boa parte das pessoas e, em vários casos, falhavam em entregar as metas e benefícios propostos.
Com o suporte do Tesouro britânico, ele desenvolveu um modelo de apresentação para cases de negócios de TI que exigia uma metodologia consistente, coerente e de fácil compreensão por avaliadores e aprovadores. O Five Case Model nasceu e depois de um tempo foi adotado por praticamente todos os departamentos governamentais do Reino Unido.
O Five Case Model é o que o próprio nome sugere, um “Modelo de Cinco Casos”, com uma abordagem baseada nos seguintes pilares:
Estratégico – é necessário?
Econômico – é o melhor custo-benefício?
Comercial – é viável?
Financeiro – é acessível?
Gestão – é alcançável?
Uma vez avaliados esses itens, a metodologia sugere que os cinco pilares sejam muito bem justificados para, então, o projeto poder avançar.
O que qualquer modelo de desenvolvimento de negócios deveria oferecer é uma metodologia capaz de ser aplicada de maneira estruturada e consistente, no que o “Five Case Model” se destaca, devido à sua arquitetura bem organizada e homogênea. Esta é também parte da razão pela qual o CHAP adotou o modelo e o aplicou no seu Programa de Inovações. Para o CHAP, trata-se de um método comprovado para endossar financiamentos da sua rede, formada por pesquisadores, indústria e governo.
A evolução do modelo ao longo dos anos, também foi decisiva para a adesão do CHAP, que viu com bons olhos o fato de serem realizadas pesquisas sobre o porquê de alguns projetos continuarem a não ser entregues. Um relatório do Escritório de Comércio do Governo Britânico prova a importância da metodologia, e aponta como causa mais comum de fracasso de projetos públicos a insistência na falta de ligação clara entre a ideia proposta e a estratégia chave da organização, incluindo falha na definição das métricas do projeto.
Em versão recente, com orientações sobre as melhores práticas para o desenvolvimento de negócios usando a metodologia “Five Case Model”, um dos ensinamentos que aparece é a atenção para o uso do método de forma “escalável e proporcional”. No CHAP, a jornada foi justamente flexível e adaptável.
Quando o CHAP desenvolveu seu primeiro case de negócios usando a metodologia, fez uso de todas as ferramentas incorporadas ao modelo formal. Uma delas, o “framework de opções”, que ajuda a alcançar os princípios-chave dos pilares: olhar para uma ampla gama de opções como parte de uma longa lista de soluções.
Devido à natureza de projetos do CHAP, contudo, descobrimos que a ferramenta de framework de opções não estava funcionando tão bem quanto deveria. Então, gradualmente deixamos de usar essa ferramenta, mas adotamos outros métodos para garantir que o princípio básico de ter uma variedade de opções no início do processo não fosse comprometido.
Por causa de suas propriedades versáteis, o CHAP foi capaz de moldar o “Five Case Model” para adequá-lo melhor ao propósito da natureza interna do seu processo de desenvolvimento de cases para o setor do agro tecnológico.
Em organizações onde a inovação e a criatividade têm um papel fundamental, é útil ter uma discussão sensata e fazer perguntas difíceis sobre o que é realmente necessário para nos ajudar a tomar melhores decisões.
Pela nossa experiência, o que ficou claro é que os cinco princípios-chave são mesmo absolutamente inegociáveis, quando se trata de aplicar a metodologia corretamente. O CHAP faz a interpretação deles assim:
O primeiro princípio é sempre ter uma compreensão clara e compartilhada de qual é exatamente o desafio, antes mesmo que alguém comece a pensar em soluções.
Em seguida, como mencionado, é ter uma gama realmente ampla de opções, mergulhando profundamente em todas as várias maneiras possíveis de enfrentar o desafio.
Em terceiro lugar, o “Five Case Model” requer uma boa dose de objetividade. Não se pode optar por uma solução simplesmente porque é atraente ou porque alguém da liderança gostou dela. A decisão deve ser justificada por meio de uma abordagem racional e objetiva que possa ser explicada com clareza.
O quarto ponto é a necessidade de encontrar o melhor equilíbrio entre custo, benefício e risco. Sem uma análise completa da interação entre cada fator (economia, benefício qualitativo e risco), a seleção de uma solução viável não será robusta.
Por fim, vale reconhecer que o “Five Case Model”, embora objetivo, também requer julgamentos para levar à decisão final – levando em consideração custo, benefício e risco de cada solução para encontrar o equilíbrio. O “Five Case Model” é tanto uma ciência quanto uma arte, e mistura o melhor dos dois mundos.
No geral, esses são os cinco aspectos que o modelo deve manter e que não podem ser comprometidos ao longo do processo, mesmo que as ferramentas usadas (como o framework de opções) sejam adaptadas ou alteradas para atender especificidades.
O CHAP (Crop Health and Protection) é um catalisador independente para a inovação no Reino Unido, que reúne pesquisadores, indústria e governo. Com investimentos da ordem de £18 milhões, o CHAP e seus parceiros construíram instalações de última geração em centros de excelência no Reino Unido. O objetivo é acelerar a identificação, desenvolvimento e adoção de soluções agro tecnológicas para transformar os sistemas agrícolas locais e globais de forma sustentável. Como parceiro institucional do AgTech Garage, o CHAP busca novas oportunidades de colaboração, inovação, troca de conhecimento e negócios na América Latina.