Julho 27, 2023
O mundo busca de forma incansável meios de produzir três insumos fundamentais para existência humana: alimento, energia e medicamentos (Foto: Canva)
Por Tomás Peña
A América Latina reúne países com potencial para garantir a segurança alimentar e energética em escala global. Uma das ferramentas é o investimento em tecnologia e eficiência em todo o processo produtivo. Outro ponto fundamental é construir um bom relacionamento entre os países latino-americanos, e implementar um diálogo ainda maior entre o setor produtivo e de inovação. Este tem tudo para ser um diferencial da região.
O mercado internacional enxerga no mundo tropical um incrível potencial para garantir essa demanda por alimentos. Mas não é só quantidade e qualidade, os consumidores querem um produto que tenha responsabilidade ambiental, social e governamental, para o que hoje utilizamos a sigla ESG.
Temos que cuidar da água, do solo, das pessoas e desenvolver soluções tecnológicas mais sustentáveis. Dentro da porteira, os produtores já estão implementando equipamentos que geram informações sobre a origem da produção. Nesse mercado exigente e atento às mudanças climáticas, o termo “eficiência” ganha mais um significado: rastreabilidade. Neste sentido, o setor produtivo necessita de um ecossistema capaz de cuidar da água, de áreas degradadas, reflorestamento, da rotação de culturas e, em suma, da sua sustentabilidade.
Os próximos 50 anos serão desafiadores para a produção de alimentos. A população global deve atingir a marca de 10 bilhões de habitantes. A missão do presente é construir de forma sólida um ecossistema capaz de produzir alimento em larga escala, sem novas áreas e em conformidade com as normas ambientais.
A questão é simples, porém complexa: Como será possível? O mundo busca de forma incansável meios de produzir três insumos fundamentais para existência humana: alimento, energia e medicamentos. A América Latina, e o mundo tropical, por exemplo, têm mecanismos de garantir parte importante dessa demanda, com pouca emissão de carbono, investimentos em solos degradados, na produção de água e conservação de nascentes.
As novas tecnologias e os investimentos em inovação na indústria agroalimentos surgem como uma solução para esse futuro não muito distante. Diante deste cenário, empresas de investimento estão ampliando capital e apostando em empreendedores de ag&food techs, que olham de forma criteriosa esse cenário promissor.
O mundo está com os olhos voltados para o Brasil e os países da América Latina. Em julho, a União Europeia quebrou um regime de oito anos e sentou à mesa com líderes latino- americanos. A presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, anunciou um investimento de cerca de R$ 242 bilhões para a região da América Latina e Caribe. O aporte será destinado a investimentos em infraestrutura e projetos de energia limpa.
Essa aproximação é uma sinalização contumaz do bloco europeu, de que essa região do globo é uma saída para evitar um colapso social, ambiental e energético. Vale aqui lembrar que o renomado jornal Financial Times fez duras críticas à Europa por ignorar durante anos o potencial da América do Sul, e ainda menciona que as próprias nações europeias atrapalham as relações com seu protecionismo ambiental em excesso.
Esse cenário já faz parte das estratégias de investimentos da gestora The Yield Lab Latam, que tem enxergado um universo de oportunidades de inovação na América Latina desde 2018. Está no nosso DNA atrair investimentos e crescimento, com soluções inovadoras, que tragam mais eficiência na produção de alimentos e mensurem o impacto ambiental.
O resultado desse trabalho já é conhecido. Empresas como TerraMagna, Seedz, Agroforte, Voa e @Tech têm ganho destaque no mercado brasileiro pelos resultados alcançados.
A captação de investimentos da The Yield Lab Latam segue nas tradicionais ag&food techs, mas colocamos a agenda verde nas rodadas das greentechs – empresas com soluções sustentáveis, com foco no futuro dos alimentos e da sociedade.
Na busca de respostas sobre “Como alimentar 10 bilhões de pessoas de forma sustentável?”, promovemos um painel, pela The Yield Lab Latam, com investidores e empreendedores no Chile. E ali tivemos uma espécie de termômetro, que também ajuda a nortear nossos investimentos. Com a meta de, até o fim de 2023, fechar seu terceiro fundo, desta vez de US$ 50 milhões para investir em 30 startups latino-americanas, a The Yield Lab Latam acredita que parte da solução está na cabeça dos empreendedores que pensam o futuro.
Estratégicas para a segurança alimentar, as ag&food techs, especialmente da América Latina, podem fazer a diferença para o mundo. É importante reforçar que o relacionamento entre os países e um amplo diálogo entre os setores já têm trazido resultados econômicos e ambientais de sucesso para o bloco de países do Caribe e da América do Sul.
Trabalhando com corporações dentro de um plano estratégico entendemos que é possível atingir metas ambiciosas em termos do desenvolvimento sustentável, com rentabilidade elevada também para as grandes empresas e os produtores rurais.
As plataformas digitais são insumos valiosos para isso, que garantem analisar centenas de possibilidades para encontrar soluções mais rentáveis, inteligentes e com a capacidade de ampliar mercados. Isto vale para a cadeia alimentar, energética e química, por exemplo, ligadas ao agronegócio.
O futuro é cada vez mais promissor e acreditamos no caminho de criar redes de investidores em ag&food para acompanharmos essa revolução no campo tecnológico do setor agropecuário, sempre trazendo também o produtor-investidor para perto. Essa colaboração, geral e irrestrita, com envolvimento de todos os atores do ecossistema de inovação, se faz essencial para permitir que as tecnologias desenvolvidas atendam às necessidades reais do setor, beneficiando agricultores, empresas e as demandas globais.
Tomás Peña é Diretor da The Yield Lab Latam. É empreendedor, mentor e grande entusiasta de inovações disruptivas baseadas em tecnologia e comunicação. É especialista em startups, agtechs, captação de investimentos, desenvolvimento de modelos de negócios e tem vasta experiência com ecossistemas de inovação.