Março 16, 2023
A TI no agronegócio tem múltiplas aplicações, desde a gestão financeira e administrativa até a interligação de tecnologias no campo (Imagem: Canva/ sasirim pamai’s)
Por Marco Righetti
A importância dos dados gerados no processo produtivo tem criado uma série de oportunidades pela busca da agricultura de precisão e otimização no manejo do campo, que vai da semeadura das lavouras e cria dos animais à indústria de transformação e entrega de alimentos na ponta. Entender este mundo de inteligência de dados tem feito a diferença para produtores, agrônomos e participantes do agronegócio.
Muitas inovações implementadas permitem capturar dados sobre o comportamento de uma fazenda e os elementos que a cercam, como defensivos agrícolas, maquinário, insumos, pesquisa e aplicação de técnicas agronômicas, pessoal, clima, infraestrutura de escoamento e logística.
Se pararmos para pensar, o ofício do agronegócio sempre foi cercado por dados e informações consolidadas para tomar decisões sobre: quando planto?, qual semente escolho?, terá chuva ou geada em 15 dias?, desloco pessoal para qual talhão?, qual será o prêmio de seguro da minha safra no ano que vem?, como economizo em defensivos, mas também controlo a ameaça das pragas?, onde aplico um complemento no solo?, quando vou retornar o investimento em melhoria genética do rebanho?, é hora de estocar ou comercializar grãos?, entre um conjunto interminável de questões do dia a dia do produtor rural.
Por um lado, estas perguntas não são novas, por outro, os dados no agronegócio têm se tornado mais disponíveis, mas não respondem a todas elas. De certo, ainda existem muitos desafios, nós sabemos. Mesmo com as soluções mais modernas para em correlacionar estes dados e obter uma visão única da realidade de cada produtor de forma integrada com o contexto em que cada um está inserido.
Mas por que os dados gerados no campo não se conversam como gostaríamos? O que está faltando nessa equação? É importante reconhecer que já avançamos muito, que a disseminação de informação sobre tecnologia evoluiu nos cursos de agronomia, que as novas gerações de produtores estão abertas ao digital, que há no mercado boas soluções de captura e análise de dados, seja por sensores de solo ou do maquinário, imagens de satélite ou mesmo de drones e automação na agroindústria. Mas o que falta então?
Falta os dados deixarem de falar todos ao mesmo tempo e passarem a conversar. Isto é, o dado de previsão de geada precisa “falar” com o de maturidade da lavoura, para o produtor tomar a melhor decisão sobre uma possível colheita.
É sobre integração e inteligência de dados, sobre comunicar o que está na prancheta do agrônomo com o sistema de inteligência artificial de uma máquina, uma estação meteorológica na fazenda ou mesmo um banco de dados externo, para transformar o input bruto em informação inteligente para atuar diretamente no campo.
Dados e Tecnologia da Informação no Agronegócio
Quando a produção agrícola no Brasil começou a receber da academia e de institutos de pesquisas, novas técnicas agronômicas de sementes, plantio, manejo, produção, colheita e transformação, a ciência aplicada permitiu ganhos exponenciais de produtividade. Agora estamos em outro momento, em que a Tecnologia da Informação (TI), tão conhecida em alguns segmentos, cumpre um papel tão inovador no agronegócio quanyo o Internet Banking nos bancos nos anos 1990 ou os smartphones no nosso dia a dia mais de uma década atrás
A TI no agronegócio pode estar presente na gestão financeira e administrativa de uma fazenda com sistemas ERP. Ela pode fazer parte do desenvolvimento da agricultura de precisão em conjunto com tecnologias avançadas, como imagens de drones e satélites. Pode melhorar a capacidade produtiva de uma propriedade rural ou mesmo ajudar na melhoria genética do rebanho na pecuária. Outra presença importante da TI é no apoio a operações logísticas no manejo tanto para o controle de insumos (água, defensivos) quanto para os trabalhos de colheita e logística. E por fim, as demandas por ESG contam com a TI para automatizar a rastreabilidade da produção e permitir transparência na gestão agrícola, principalmente no caso das exportações.
Portanto, assim como ocorre com a ciência agronômica, a Tecnologia da Informação contribui com suas várias disciplinas, em especial a ciência de dados, para melhoria da eficiência operacional do produtor rural.
Quando as técnicas da ciência de dados se aplicam de forma estruturada e alinhada com os objetivos do produtor, a sua produção, por exemplo, “fala” quando um defensivo deve ser comprado e aplicado, quando uma semente é melhor que outra, pela capacidade de adaptação às mudanças climáticas, quando um equipamento deve sofrer manutenção ou ser substituído, quando o de crédito ou seguro daquela propriedade têm uma avaliação justa ouquando vender ou estocar grãos. As possibilidades são infinitas.
Chegar neste estágio de a produção “falar” exige uma implantação de programas orientados a dados, pois é estratégico para o produtor, ainda mais no setor que apenas começou a incorporar a cultura de dados em seu dia a dia.
No geral, os produtores do agronegócio já têm ampla disponibilidade de dados através de imagens de satélite ou da robotização de máquinas agrícolas modernas. O fator crítico de sucesso é saber correlacionar estas informações dentro dos processos de produção, reforma, aplicação de defensivos, manejo e logística de colheita (ou engorda e corte, no caso da pecuária).
Esta correlação tem que ser feita de forma objetiva para o suporte à decisão de agrônomos, veterinários e zootecnistas, desde o planejamento até o manejo dos talhões. Deve ser objeto de análise e transparência para o crédito e seguro agrícola. É parte essencial nas operações de logística de colheita e escoamento da produção de forma otimizada. E, dentro de um cenário de mudança climática, o conhecimento de ciência de dados também se faz essencial levando em conta eventos severos ou mesmo não esperados para determinadas épocas do ano. Neste caso, soluções de captura e organização de dados, análise preditiva com IA, análise de negócios com Analytics e formação de dados para aprendizagem de máquina devem estar contextualizados e com boa usabilidade para o produtor rural.
O mesmo vale para soluções de blockchain, que permitem rastrear a produção agrícola e oferecer registros compartilhados, imutáveis e seguros de cada etapa aos vários participantes da cadeia. Por exemplo, criar rastreabilidade para a proteína animal produzida para consumo interno e exportação, com certificação de origem automatizada em relação a pastos que não afetem áreas de mata nativa, validação do registro de trabalhadores e de condições sanitárias regulares. Para atingir estes objetivos, as composições de soluções com tecnologias de reconhecimento facial, IoT e GPS, por exemplo, são um diferencial para participantes da cadeia (pecuaristas, trabalhadores rurais, veterinários, traders e frigoríficos).
A presença da Oracle no Agronegócio, também por meio do AgTech Garage, vem justamente para contribuir com a jornada do dado no setor, uma vez que as decisões inteligentes e assetivas são fatores determinantes para o sucesso do agronegócio produtivo e sustentável nos próximos anos. Dentro do cenário de ciência de dados, temos muito com que contribuir na formação de um AgroData robusto e de fácil uso na agricultura e na pecuária. Nos próximos artigos, entenderemos como a TI pode contribuir cada vez mais com a adoção da ciência de dados, o que está alinhado com nossa missão na Oracle, que é ajudar as pessoas a verem os dados de novas maneiras, descobrir ideias e desbloquear possibilidades infinitas.
Marco Righetti é Diretor Sênior de Engenharia Cloud na Oracle para América Latina. Com 30 anos no mercado de TI e 15 anos de Oracle, lidera o time de engenharia de soluções Oracle na região, para arquiteturas focadas em Cloud, Data Management, IA, IoT, Blockchain e Cloud Native baseadas em inovação e implantação. Righetti também é responsável pela implementação dos Oracle Customer Innovation Labs na América Latina. E tem passagens por empresas como Xerox e BEA Systems. É formado em Tecnologia e Processamento de Dados pela PUC-Rio e em Processos Gerenciais na Fundação Getúlio Vargas.