Junho 22, 2023
À medida que o avanço digital se intensifica, o risco de ataque cibernético aumenta (Foto: Canva)
Por Edgar D’Andrea e Rafael Cortes
A transformação digital no agronegócio brasileiro é impulsionada por diversas tecnologias, o que posiciona o setor como referência mundial em inovação, puxada principalmente pelas startups. Com essa transformação, o agronegócio tem alcançado resultados surpreendentes, graças a ferramentas como a agricultura de precisão, inteligência artificial, robotização, sensoriamento remoto e in loccu (IoTs), conectividade (5G), etc.
Porém, quanto maior o avanço digital, maior é também a superfície tecnológica à disposição de atacantes cibernéticos. A rápida migração para soluções digitais em nuvem e Analytics também contribui para isso e cria mais pressão nas equipes de inovação, build, test & deploy de aplicativos e infraestrutura digital, de logística, engenharia industrial, segurança cibernética e proteção de dados.
Os autores de ameaças cibernéticas estão usando estratégias cada vez mais sofisticadas, adicionando camadas de complexidade técnica que dificultam a detecção de problemas e aumentam, ainda mais, as chances de comprometer sues alvos. Com isso temos um cenário de:
Essa realidade afeta executivos, investidores, acionistas, conselhos e reguladores, que vêm aumentando também seu nível de atenção ao tema da segurança cibernética.
Sempre que o modelo de inovação proposto pela startup utilizar o ambiente digital, haverá riscos associados ao modelo. Mas isso não pode paralisar o empreendedor ou seu CTO. Ao contrário, precisa motivá-los a investir em prevenção.
Num check-list rápido, como você responderia a essas perguntas?
Entre os principais vetores de ataques cibernéticos estão a vulnerabilidade em códigos de aplicativos e APIs (Application Programming Interface). Essa via responde, em conjunto, pela origem de mais de 35% dos ataques cibernéticos no primeiro contato com o alvo. . . Por isso é tão importante adotar métodos estruturados, como os DevOps, aplicados ao desenvolvimento e à integração de códigos e aplicativos na plataforma digital da startup.
O DevOps é uma abordagem que busca integrar as equipes de desenvolvimento de software (Dev) e operações de TI (Ops), por meio da automação de tarefas, utilização de ferramentas e adoção de práticas ágeis, com o objetivo de aprimorar os processos de desenvolvimento e implantação. Essa colaboração entre as áreas resulta em entregas de software mais rápidas e confiáveis, proporcionando maior eficiência.
Além disso, plataformas tecnológicas de orquestração, automação, integração e deployment contínuos, apoiado por inteligência artificial e machine learning, têm tido papel fundamental na otimização dos processos de Dev e de Ops.
A segurança cibernética se integra aos processos DevOps e à esteira CI (Continuous Integration) /CD (Continuous Deployment) por meio do DevSecOps, que estabelece um processo estruturado para a atuação das equipes desenvolvedores (Dev), engenheiros de segurança (Sec) e de TI (Ops).
DevSecOps se apoia em avaliar a segurança de códigos em cada etapa do DevOps, em automatizar e otimizar os processos por meio de ferramentas de segurança, ajudando as equipes no desenvolvimento de códigos de qualidade em todo o ciclo de vida de desenvolvimento de software (SDLC).
Em busca de rapidez, eficiência e automação no contexto “everything as a code”, o DevSecOps deve considerar dois elementos fundamentais como parte do DevOps:
1) Security as Code (SAC), por meio de códigos de segurança que automatizam tarefas como scan e avaliação de vulnerabilidade do código, de testes dinâmicos (DAST) e estáticos de segurança (SAST) ;
2) Infrastructure as Code (IaC), definindo e entregando, por exemplo, redes, máquinas virtuais, topologias e conexões e seus respectivos versionamentos.
Neste que é o primeiro artigo da série “Segurança Cibernética e Proteção de Dados – O que isso tem a ver com Startups do Agro” exploramos os desafios na área de segurança cibernética e a necessidade de começar a olhar para eles. Se gostou do conteúdo, continue acompanhando as publicações no AgTech Garage News e também nossa campanha sobre ciber nas mídias sociais. É fato que os riscos cibernéticos não devem ser vistos como um tema meramente tecnológico, mas sim como uma oportunidade de negócios para empresas e startups criarem valor, confiança e resiliência no mercado.
Edgar D’Andrea é sócio da PwC, com larga experiência profissional prestando serviços de consultoria em Segurança da Informação, Proteção de Dados, Governança de TI e Gestão de Riscos e Compliance. Visão executiva, assessorando Conselhos de Administração, Comitês de Auditoria e Comitês de Risco no direcionamento de abordagens ágeis e eficientes em segurança cibernética e proteção de dados, que geram confiança e resiliência em todas as linhas de defesa da organização. Bacharel em Ciência da Computação pela Universidade Estadual de Campinas, pós-graduado pela FGV-SP e participante de programas internacionais de formação executiva.
Rafael Cortes é sócio da PwC e lidera o centro de operações e a prestação de serviços gerenciados em segurança cibernética da PwC Brasil. É bacharel em Engenharia da Computação pela Universidade Federal de Itajubá e tem MBA em Gestão Empresarial pela FIA. Atuando há mais de 18 anos em Tecnologia e Segurança cibernética, tem as certificações Certified Information Systems Security Professional (CISSP), Harvard Advanced Manage Mentor, Advanced Level Linux Certification (LPIC-2) e Microsoft Certified Professional (MCP).