BRCarbon mira ganho de escala e acurácia em projetos de carbono com aquisição de drone de última geração

Com sensor específico para coleta de dados, startup ganha diferencial competitivo para atuar no mercado voluntário de créditos de carbono do setor florestal 

Novembro 30, 2021.

Por Vitor Lima*

Quantificar e emitir créditos de carbono no setor florestal para gerar uma nova fonte de receita para o produtor na ponta da cadeia. Essa tem sido a contribuição da BRCarbon para manter a floresta em pé, em meio a anúncios subsequentes de alta no desmatamento no Brasil. Com projetos que vão do bioma Amazônia ao Cerrado e Mata Atlântica, a startup acaba de ganhar mais um aliado na sua missão: o drone Matrice 300 RTK, fabricado pela chinesa DJI, capaz de “enxergar a floresta em três dimensões. 

O drone carrega a tecnologia do sensor LiDAR Zenmuse L1 e traz um diferencial competitivo para a startup, que ainda depende de mensurações de campo para fazer a quantificação do sequestro de carbono das árvores. LiDAR vem do termo em inglês Light Detection and Ranging e se refere à tecnologia embarcada num sensor remoto utilizado para coleta de dados. 

O sensor emite um laser que, ao tocar nos objetos à sua frente, é refletido. A partir da contagem do tempo de retorno dos feixes emitidos é possível, então, fazer o cálculo da distância para quaisquer objetos ou obstáculos. Mesmo voando acima de florestas com 100 metros de altura, o equipamento consegue “enxergar” o chão e mapear tanto o terreno como a superfície imageada.

Este tipo de tecnologia é usada em diversos setores, seja para mapeamento topográfico, inspeções de linhas de transmissão de energia, energia eólica, resgates, regiões de mineração e até em sensores de ré dos carros. 

A BRCarbon é pioneira em projetos no mercado voluntário de carbono florestal na aplicação do LiDAR, que será usado na contagem do número de árvores, quantificação de copas, medição indireta de altura, total individual de árvores, área de copa e estimativas do Diâmetro a Altura do Peito (DAP) e estoque de carbono florestal. Todos esses dados serão comparados com os inventários florestais usuais, realizados em campo. 

“A ideia é aplicar a tecnologia nos nossos projetos. Em todos eles a gente tem a demanda do inventário florestal, então a tecnologia LiDAR veio a somar as mensurações florestais realizadas em campo”, explica Renan Kamimura, Diretor Técnico da BRCarbon. O ganho será no aumento de eficiência e eficácia das operações, tendo reflexos também em redução de custos operacionais e incremento da acurácia na medição do estoque de carbono dos projetos florestais no mercado voluntário.

Na execução de projetos, a BRCarbon atende clientes que possuem imóveis rurais particulares e querem perpetuar a conservação florestal. A partir de áreas privadas conservadas, gera-se os créditos de carbono a partir do excedente de reserva legal para os produtores rurais. Outros dos seus serviços são ainda de conservação florestal, aceleração da restauração, monitoramento de incêndios e neutralização da pegada de carbono. Com uma equipe multidisciplinar de 15 profissionais experientes no mercado, a startup atua em todo o Brasil partindo do nível de propriedade.

Drone + time de campo = alta acurácia e ganho de escala

Kamimura explica que os inventários florestais de campo, que a BRCarbon já levantou até aqui para 100% das áreas onde tem projetos, continua valendo e tem extrema relevância. A questão é que agora ela será cruzada com os dados do drone. Após um trabalho interno de processamento das informações, a expectativa é que o drone complemente o trabalho dos especialistas de campo e permita a redução da intensidade amostral feita manualmente.

Com o drone, a necessidade é de 2 funcionários (um piloto e um auxiliar) para sobrevoar e coletar dados de 150 hectares, em média, em 1 hora. Além disso, são necessárias outras 4 horas de processamento das imagens em 3D. Diversos estudos científicos, demonstram que o imageamento com drone e LiDAR tende a ser mais preciso para mensuração de determinados parâmetros florestais, como por exemplo a medição de altura total e área de copa de árvores, devido à dificuldade de medição destas variáveis a campo em florestas tropicais. 

Segundo Kamimura, o uso da tecnologia eleva o padrão do inventário florestal da BRCarbon do patamar de aproximação dos dados por amostragem para o de um censo tridimensional da floresta. Em projetos de carbono, o inventário florestal é um dos pontos mais importantes, pois ele quantifica qual o impacto climático do projeto. Ele diz quanto você deixou de emitir para atmosfera, conservando aquele ativo florestal, ou quanto você sequestrou de CO2, plantando aquelas árvores. 

“Os resultados do inventário florestal permitem quantificar os créditos de carbono e o potencial de comercialização. O investidor não quer saber de um crédito que não entregue segurança, daí a necessidade do protocolo de mensuração ter alta confiabilidade”, diz Kamimura.

Atenta a essa necessidade, a BRCarbon trabalha com o conceito de MRV (sigla para Mensuração, Report e Verificação). A etapa de “mensuração” é relativa à coleta de dados. A de “report”, referente à elaboração de um relatório descritivo e evidências espaciais. Enquanto a verificação se faz por meio de uma auditoria externa e independente, que avalia a qualidade das medidas, compara o planejado e o realizado e, só aí, libera o registro do crédito que foi gerado.

Renan Kamimura, da BRCarbon

O mercado de carbono 

Avaliado em U$260 bilhões, o mercado de carbono existe nos formatos regulado e voluntário. Enquanto o primeiro surgiu a partir do Protocolo de Quioto, do qual muitos países foram signatários para reduzir emissões de gases de efeito estufa (GEE) por meio de obrigações legais, o segundo — em que a BrCarbon atua — nasceu em paralelo, desvinculado da ação da Organização das Nações Unidas (ONU), visando atender qualquer empresa ou ONG que, voluntariamente, queira reduzir suas emissões. 

“O mercado voluntário de carbono tem apresentado uma demanda muito grande. Tanto de empresas querendo neutralizar suas emissões e comprar créditos dos nossos projetos como também de agricultores querendo mais uma alternativa econômica de geração de renda a partir da floresta em pé”, diz Kamimura.

A lógica do mercado de créditos de carbono, em si, é simples, e prevê que os países e empresas necessitam reduzir emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE). Caso emitam acima do acordado, devem neutralizar ou compensar suas respectivas emissões a partir de créditos de carbono de outros agentes que tenham reduzido suas emissões, ou promover novas tecnologias e processos que reduzam seu resultado. Desta forma é gerado um incentivo econômico àqueles que promovem boas práticas, atrelados ao pagamento por serviços ambientais.

De acordo com o último relatório Global Carbon Offsets Report, da consultoria IHS Markit, de abril de 2021, um crédito de carbono está avaliado em US$ 7,21 (1 crédito de carbono = 1 tonelada de CO2). E dados médios fornecidos pela consultoria indicam que, em média, para cada hectare de floresta em pé na Amazônia, por exemplo, o estoque de carbono armazenado equivale a 400 toneladas de CO2.

“Se o produtor tem uma boa gestão da fazenda, faz a manutenção do estoque de carbono e demonstra isso com medição e verificação por terceiros independentes, ele pode ser remunerado e garantir sim a manutenção da floresta em pé”, conclui Kamimura.

*Com edição de Marina Salles

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Dirceu Ferreira Junior

Dirceu Ferreira Junior

Sócio e Líder do PwC Agtech Innovation, PwC Brasil

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