Com time experiente na certificação florestal, Neocert mira novos mercados e quer deixar sua marca na “2ª Revolução Verde”

Acreditada a emitir certificações florestais de renome, a startup busca parceiros para projetos piloto em áreas de soja, café e pastagens

Setembro 28, 2021

Por Marina Salles e Vitor Silva

Olhar a certificação como a construção de um processo ao invés de um produto-fim, essa é a proposta da Neocert. A startup, que começou a operar no mercado de florestas no início de 2021, já com duas certificações no portfólio (FSC, Cerflor/PEFC), e quer ir muito além. 

Liderado por um time de 16 profissionais — que têm, em média, 18 anos de experiência trabalhando com certificações florestais e já realizaram mais de 1.500 auditorias ao longo da carreira — o plano agora é pôr para funcionar uma tecnologia piloto de certificação continuada em fazendas de pecuária, soja ou café. 

“O nosso olhar ousado é a gente produzir com esta ferramenta a segunda revolução verde. Uma revolução pautada no ESG [com ações de cunho social, ambiental e de governança], em que o recurso natural é definitivamente entendido como recurso de produção e provê a sustentabilidade econômica do negócio” diz Daniele Rua, Diretora Executiva na Neocert, que recém mudou sua sede para dentro do hub AgTech Garage, em Piracicaba (SP). 

Escalada de sustentabilidade

Na nova fase, a jornada de dados será o diferencial da Neocert, que quer atender associações, cooperativas, empresas de insumos e agroindústrias e prover uma plataforma de acompanhamento do produtor rural em larga escala. “Queremos pilotar grande, trabalhar com organizações que têm vários produtores na sua base e impactar grandes territórios”, afirma Daniele. 

A plataforma, em construção, será fundamentada em uma tecnologia de Data Analytics atrelada a parâmetros científicos, para traçar a radiografia do momento em que o produtor rural está e apontar os próximos estágios da sua caminhada rumo a uma produção mais sustentável e eficiente. “As perguntas chave são: Que dado ele precisa reportar? E que prática ele precisa adotar para ser mais sustentável?”, resume Daniele. 

Em processos de certificação tradicional, a busca por essas respostas também se faz presente. Mas o pulo do gato, para a Neocert, está em como fazer a coleta desses dados e movimentar os produtores a fim de dinamizar sua tomada de decisão. 

“Vamos fazer auditorias presenciais na frequência que a certificação já exige, mas também fornecer uma interface de comunicação com os clientes e investir forte no componente de capacitação”, diz. A ideia é fomentar um ciclo de auditorias parciais e dar condições de o produtor ter feedbacks e orientações mais frequentes. Atualmente, a Neocert já conta com uma frente de educação que dará suporte a essa necessidade, a NeoExperience.

Hoje, boa parte das certificações disponíveis no mercado é creditada às propriedades depois de extensa verificação e adequação das instalações, e tem validade pré-determinada. Anualmente, são feitas também auditorias que validam a manutenção das boas práticas. 

Daniele Rua, Diretora Executiva na Neocert

Abrindo novos mercados

Segundo Daniele, o mercado florestal está entre os mais maduros no que tange a certificação e se mantém como terreno fértil e seguro para a continuidade da escalada da Neocert. Dos 7,8 milhões de hectares de florestas plantadas no Brasil, 46% têm certificação FSC e/ou PEFC, segundo a empresa. 

“O mercado florestal foi pioneiro porque o produto é padronizado e porque os consumidores e a cadeia de papel e celulose reconheceram cedo o valor da certificação. Na casa de todo mundo tem um selo FSC, seja no leite Tetra-Pak ou nas embalagens de comida congelada”, explica. 

No café, a tendência de gourmetização e a percepção do valor agregado para os grãos especiais vêm impulsionando o mercado. Enquanto na pecuária e na sojicultura é a pressão da sociedade e dos investidores que têm movimentado o ponteiro da balança. O tema, de alta relevância, está na agenda das empresas de insumos, das tradings e também dos frigoríficos.

As pessoas querem o selo na carne, mas também na empresa. O mercado financeiro é quem puxa a necessidade de governança e o selo de terceiro parte"

A mudança que a Neocert propõe está alinhada às demandas da porteira para fora, mas também para dentro. A mecânica da certificação, hoje, é da porteira para fora: o selo no produto, a margem no produto, ela explica. O desafio, portanto, é produzir um processo que gere muito valor da porteira para dentro, para o produtor poder fazer a gestão dos riscos da sua atividade e se antecipar a possíveis problemas. 

“Na primeira Revolução Verde, o Brasil saiu de importador de alimentos para exportador. Mas o custo disso foi alto. Queremos ajudar a equalizar essa equação. Se o produtor usar o defensivo da forma correta, a conta social, ambiental e econômica fecha. Mas como o produtor vai ser convencido disso? Vendo dados e buscando evoluir”, afirma a diretora da Neocert.

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Dirceu Ferreira Junior

Dirceu Ferreira Junior

Sócio e Líder do PwC Agtech Innovation, PwC Brasil

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