Outubro 4, 2021.
Por Marina Salles
Da receita global da americana FMC, de soluções para proteção e nutrição de plantas, 30%, ou US$ 1,4 bilhão de US$ 4,6 bilhões, vieram da América Latina no ano passado — sendo o Brasil o grande expoente do bloco.
Vinicius Batista, Gerente de Acesso ao Mercado e Clientes da FMC, conta que no país a área de inovação da companhia já tem 15 pessoas, engajadas em estruturar os pilares que irão promover o crescimento do negócio no futuro.
Recém entrante no AgTech Garage, a FMC tem trabalhado ações de inovação em diversas frentes. A começar pelo seu core business, que é o manejo de pragas e doenças nas lavouras e em que já mantém contato com três startups, inclusive, internacionais. Na área de crédito, a parceria mais recente foi fechada com as brasileiras TerraMagna e DuAgro.
Baseada em machine learning, a plataforma Arc farm intelligence é uma das grandes apostas da empresa. A tecnologia faz uso de modelagem preditiva baseada em dados em tempo real para garantir a aplicação do defensivo certo na hora e local certos na lavoura.
“A Arc é capaz de prever a pressão de insetos com uma semana de antecedência e com mais de 90% de confiabilidade, o que previne o dano econômico”, afirma Batista. Em fase piloto no Brasil, a ferramenta já congrega dados de 1,3 milhão de hectares nas culturas de soja, milho e algodão. Geograficamente, abrange a Bahia, Mato Grosso e Rio Grande do Sul, sendo o intuito continuar expandindo a atuação.
Nas suas previsões, a plataforma considera dados climáticos e o número de insetos no campo para identificar problemas a nível regional e de cada propriedade. O objetivo é ser capaz de acompanhar a ocorrência, flutuação, comportamento e migração das pragas.
Para complementar suas soluções de agricultura de precisão, a FMC também trabalha em cooperação com outros parceiros, como a Scanit Technologies. Sediada na Califórnia, nos EUA, a startup foi investida do braço de Venture Capital da FMC, o FMC Ventures, e está analisando a presença da ferrugem asiática da soja no Brasil desde o início de 2021.
A Scanit Technologies foi quem criou o SporeCam instrument, um sensor que detecta proativamente esporos de patógenos suspensos no ar, antes que eles infectem as lavouras.
Além dessa agtech, outras duas integram o portfólio da FMC Ventures: a Trace Genomics (que combina o sequenciamento do DNA de microrganismos do solo com aprendizado de máquina para identificar novos produtos biológicos) e a BioPhero (de desenvolvimento de feromônios), com potencial para produzir soluções aplicáveis também ao contexto brasileiro.
Vinicius Batista, da FMC
De olho em oportunidades associadas direta e indiretamente ao seu core business, a FMC firmou parceria com também com as agfintechs TerraMagna e DuAgro, para ofertar R$ 200 milhões em crédito rural para compra de insumos agrícolas. A iniciativa tem como parceria a consultoria Markestrat.
Vinicius Batista destaca que, ainda hoje, o acesso ao crédito é um fator limitante para o produtor expandir sua produção, investir em tecnologia e ter melhores resultados. “Disponibilizar crédito de uma forma simples, rápida e desburocratizada para os distribuidores é sempre uma busca nossa e, por isso, decidimos trabalhar com as duas startups”, diz.
Tanto a TerraMagna como a DuAgro fazem desde a análise de risco do crédito até a captação de recursos no mercado financeiro, o que gera condições mais atrativas para o produtor rural do que a própria indústria é capaz de oferecer quando recorre ao seu balanço para financiar os distribuidores.
Usando imagens de satélite, inteligência artificial e diferentes bases de dados, a TerraMagna tem conquistado a confiança dos investidores para aportar recursos no agronegócio. A agfintech avalia a capacidade produtiva das lavouras e os riscos agronômicos, climáticos e de crédito associados às operações por meio destas tecnologias.
No caso da DuAgro, a principal informação analisada é o histórico do produtor junto a indústrias, revendas e cooperativas, que são o canal-fim para a concessão de crédito. Com uma proposta diferente de outras agfintechs, a startup faz uso de Cédulas de Produto Rural (CPRs) Financeiras e não exige do produtor garantias ou penhor agrícola para financiar a compra de insumos.
“Nessas transações com as startups, nós não temos nenhum benefício indireto, nenhuma comissão envolvida, e o crédito oferecido é, sim, mais vantajoso do que uma compra convencional”, declara Batista.
Segundo ele, ao mesmo tempo em que a FMC não tem nenhum custo adicional na parceria, também não tem contrapartidas financeiras. “Esse modelo de concessão de crédito junto às startups tem tudo para dar certo e temos interesse em avançar com ele no Brasil, caso demonstre que atende às necessidades do produtor rural”, diz. O projeto faz parte do programa de relacionamento “Juntos da FMC”, que visa estreitar laços com a cadeia produtiva.