Junho 30, 2021.
Por Marina Salles
Os produtores mato-grossenses têm recorrido cada vez mais a ferramentas digitais para gerir sua propriedade e fazer compras de insumos, aponta o estudo “O perfil do agricultor mato-grossense na era digital” do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), que teve apoio do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-MT) e do Instituto AgriHub, ambos ligados ao Sistema Famato.
A pesquisa foi realizada com 470 agricultores de Mato Grosso, que respondem por uma área total de 901 mil hectares de soja, ou 9% da área de plantio da cultura no Estado. A faixa de idade média do grupo ficou em 36 a 65 anos. Conduzido entre os meses de setembro e outubro de 2020, o levantamento abarcou 80 dos 141 municípios mato-grossenses.
Entre as constatações da pesquisa, foi verificado que 35% dos agricultores mato-grossenses compram seus insumos online, com destaque para a região Centro-Sul do Estado, onde o percentual é ainda maior (46%).
Contudo, no caso das vendas de produtos de maneira virtual, a prática é menos frequente, sendo adotada por 23% dos entrevistados. No Sudeste de Mato Grosso, essa média sobe para 40%.
Olhando para a oferta de tecnologia de forma mais ampla, 61% dos agricultores utilizam algum tipo de aplicativo ou software. Os mais populares são voltados à gestão da propriedade (36%). Na sequência, previsão do tempo (34%) e manejo de pragas, doenças e daninhas (15%), além de outras funções (15%).
Conforme a pesquisa, 86% dos entrevistados têm internet na propriedade, ainda que somente na sede — o que representa 97% dos casos. Da amostra que afirmou ter internet, apenas 3% tem cobertura em toda a área da fazenda. Os tipos de conexão utilizada variam, mas a mais comum é a rádio.
Na lista dos benefícios da internet nas propriedades, apareceu em primeiro lugar a retenção dos funcionários (22%). Seguida do controle dos estoques (18%), monitoramento das operações agrícolas (17%), compras online (16%), monitoramento do clima (14%), segurança na fazenda (13%) e outros (0,7%).
Perguntados porque inovam e adotam novas tecnologias, os produtores disseram que seu foco está em melhorar a gestão da propriedade (47%). Para uma fatia menor (16%), o objetivo principal é acompanhar a fazenda a distância (16%). Outros 11% afirmaram que sua prioridade é monitorar os efeitos das mudanças climáticas.
A pesquisa também mostrou que 92% dos agricultores de Mato Grosso fazem uso de smartphones, enquanto 78% faz uso de computadores.
Em relação aos canais que eles se informam para decidir adotar novas tecnologias, no cenário pré-pandemia, o Whatsapp aparecia com relevância de 27% e as feiras agropecuárias com 25%.
Depois da crise sanitária, que impediu a realização de eventos, o WhatsApp ganhou importância e passou a ser a principal fonte de informação de 38% dos entrevistados. Outras redes sociais, como o Facebook (12%) e Instagram (11%), também ocupam agora um espaço mais relevante.
Quanto ao reflexo da Covid-19 na adoção de tecnologia pelos agricultores, cerca de 63% dos agricultores
das sete regiões do Estado afirmaram que não houve mudanças nos hábitos da propriedade.
Para aqueles que mudaram seus hábitos, as práticas mais adotadas foram: utilização de sistemas eletrônicos (16%), realização de reuniões online (13%) e cursos online (5%).
Segundo o superintendente do Imea, Daniel Latorraca, o estudo contribuiu para avaliar o momento atual do produtor no que tange a utilização de tecnologia, além de fomentar ainda mais o desenvolvimento das soluções para o agro. “A pesquisa revela desafios como a conectividade, os canais de comunicação e oportunidades de melhorias, dados de clima, monitoramento da produtividade, entre outros fatores importantes que ainda precisamos avançar”, disse, em nota.