Julho 14, 2021
Por Marina Salles
As mulheres cafeicultoras do Brasil estão tendo menor acesso ao uso de tecnologias do que seus pares homens, mostrou um trabalho realizado pelas pesquisadoras Helena Alves, da Embrapa Café; Cristina Arzabe, da Secretaria de Inteligência e Relações Estratégicas da Embrapa; e Margarete Volpato, da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig).
O trabalho teve apoio de Marcelo Oliveira, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que auxiliou na análise das informações do último Censo Agropecuário do instituto, de 2017.
Conforme a pesquisa, dos mais de 304,5 mil estabelecimentos agrícolas brasileiros com produção de café, apenas 40,3 mil são geridos por mulheres, ou 13,2% do total. Número que sobe para 88,7 mil, ou 29,1%, quando são consideradas também as mulheres em condição de cônjuge que trabalham na cogestão das fazendas.
Em relação à área dos estabelecimentos rurais, as mulheres dirigentes estão responsáveis por 815 mil hectares, o que corresponde a 9,1% do todo no país. A maior parte das propriedades geridas por elas (72%) encontra-se na Região Sudeste, com pouco mais de 29 mil estabelecimentos rurais; seguida pelo Nordeste (14%), que conta com 5.860 propriedades. O Norte aparece com 3.119 propriedades (8%), o Sul com 1.586 (4%) e o Centro-Oeste com 663 (2%).
Considerando o universo de 304,5 mil estabelecimentos agrícolas brasileiros com produção de café, apenas 8,5% daqueles com veículos (como caminhonetes) são geridos por mulheres; 9,5% dos com tratores; 6,5% daqueles com implementos e máquinas agrícolas; 2,8% dos com adubadeiras ou distribuidoras de calcário; 1,8% dos com colheitadeiras e 1,2% dos estabelecimentos com semeadeiras e plantadeiras.
No que se refere à participação em cooperativas ou associações, pouco mais de 11% do grupo de mulheres dirigentes de fazendas de café são cooperadas, enquanto entre os homens esse percentual é de 22,5%.
Os dados referentes ao acesso a informações técnicas também mostram diferenças entre os sexos, sendo que 23,6% das mulheres informaram não ter contato com esse tipo de informação, passo que os homens, nesse caso, respondem por 17,9% do total.
As que se informam pela internet são 13,1%. Os homens, 16%.
Em seminários e reuniões técnicas, os números são de 13,3% para as mulheres versus 18,2% para os homens.
Na área de irrigação, o acesso das mulheres às diferentes tecnologias fica na casa dos 10%.
Apesar de todos os desafios, as mulheres dão mais oportunidades para outras mulheres. Nos estabelecimentos dirigidos por elas há uma maior equidade de gênero quando se trata do pessoal ocupado. Enquanto nas propriedades com mulheres gestoras 43% do contingente de mão de obra é do sexo feminino, nos estabelecimentos geridos por homens a porcentagem de mulheres ocupadas é bem inferior, de 24% do total.
Para Cristina Arzabe, é importante levantar e divulgar dados para que se tenha um quadro objetivo da realidade e seja possível justificar políticas públicas que alavanquem a equidade de gênero e o fortalecimento de mulheres e meninas do campo.
“Em especial, é necessário focar na meta 5 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS 5), que preconiza realizar reformas para dar às mulheres direitos iguais aos recursos econômicos, bem como o acesso à propriedade e controle sobre a terra e outras formas de propriedade, serviços financeiros, herança e os recursos naturais, de acordo com as leis nacionais”, afirma Helena Alves, em nota.
Os dados acima foram apresentados na Expocafé Mulheres, um quadro especial da Expocafé 2021.
Crédito da foto principal: Embrapa.