Julho 27, 2021
Por Marina Salles
A startup brasileira Fine Instrument Technology (FIT), que comercializa o equipamento de ressonância magnética nuclear (SpecFit) com aplicação em indústria e pesquisa, está avançando em seu processo de internacionalização na América Latina.
A startup, que iniciou sua expansão internacional a partir da Colômbia, em 2018, hoje está presente em 19 países. Nos últimos 12 meses, conquistou os mercados da Guatemala, Peru, Equador, Costa Rica, Honduras, Nicarágua e México.
“As vendas para o exterior saltaram de 55% sobre o total em todo o ano de 2020, para 86% no primeiro semestre de 2021”, afirma Silvia Azevedo, CEO da startup.
O equipamento SpecFIT, desenvolvido pela FIT em parceria com a Embrapa Instrumentação (São Carlos), utiliza ressonância magnética e é capaz de determinar o teor de óleos em grãos e seus resíduos em 60 segundos, sem o uso de produtos químicos e sem a destruição da amostra. Além disso, o equipamento analisa o teor de sólidos em óleos e gorduras utilizados na fabricação de alimentos processados.
O equipamento tem sido uma ferramenta tecnológica importante para o controle de perdas e eficiência no processo de extração de óleos (em especial o óleo de palma), na extração de cacau e análise de gorduras na fabricação de chocolate e outros alimentos que têm em sua composição gorduras animais (carnes) ou vegetais (soja, girassol, algodão etc).
“No Brasil, já temos mais de 80% das empresas extratoras de óleo de palma utilizando o SpecFIT. Agora estamos crescendo na América Latina, um mercado com grande potencial para o nosso equipamento”, avalia Silvia Azevedo. Silvia lembra que o Brasil é o 10º produtor mundial do óleo de palma, conhecido no país como óleo de dendê.
Nesse mercado, um fator que impulsionou as vendas recentemente foi a alta de preços puxada pelo cenário macroeconômico. De 2019 para cá, o preço do óleo de palma, que é o óleo mais consumido no mundo, saltou de U$ 500 a tonelada para valores na casa de U$1,5 mil a tonelada. “O cenário favorece a busca por tecnologias para aumentar a eficiência e investir no aprimoramento dos processos produtivos”, diz Silvia.
Na América Latina, a expansão da FIT tem sido calçada em parcerias com empresas distribuidoras e a partir da ampliação de oferta de serviços de suporte qualificado para manutenção de equipamentos. O alvo do crescimento agora são países de destaque na produção agrícola ou de alimentos industrializados que utilizam óleos e gorduras como matéria prima, além de produtos cárneos e rações animais.
Em 2020, a FIT já havia entrado no mercado asiático de óleo de palma, formado por grandes produtores como Malásia, Indonésia e Tailândia. Hoje, a empresa também tem distribuidores na Alemanha, região do Benelux (Bélgica, países baixos e Luxemburgo) e nos EUA.
O diretor de Tecnologia da FIT, Daniel Consalter, afirma que a tecnologia é reconhecida por normas como a ISSO, AOCS e AOAC para outras medidas, o que comprova a precisão e acurácia da técnica. Além disso, o equipamento requer pouca ou nenhuma preparação para o manuseio.
“É preciso, contudo, que as empresas avancem rumo à nova geração no campo das análises, alinhada à tendência da indústria 4.0. Vamos lançar este ano ferramentas que auxiliem os clientes nesta jornada”, diz Consalter.