Junho 30, 2021.
Por Marina Salles
Se existe alguém no campo capaz de dizer aos empreendedores do agronegócio quais problemas resolver, esse alguém é, sem dúvida, o produtor rural. Com isso em vista, o World Agri-Tech South America Summit reuniu no painel Foco dos Produtores: Prioridades, Oportunidades e Investimentos grandes referências da agropecuária na América Latina e trouxe à tona seus desafios mais proeminentes.
Indo direto ao ponto, Fernando Degobbi, CEO da cooperativa Coopercitrus, disse que para entender as necessidades do produtor é necessário, antes de mais nada, estar imerso no universo da atividade agrícola. E que isso não significa que o empreendedor precise sentir a dor do cliente na pele.
"Eu não gosto dessa expressão 'sentir a dor' e entendo que a dor não é o melhor sintoma. Nós, como cooperativa, buscamos evitar a dor do produtor e nos manter por perto para prevenir situações que recaem em maiores problemas. Apenas sentir a dor é o mesmo que sofrer junto. Ao contrário disso, a nossa estratégia é estar lado a lado, oferecendo ao produtor as soluções e os serviços de que ele precisa", afirma.
Em primeiro plano, Fernando Degobbi, CEO da cooperativa Coopercitrus
Com receita próxima de R$ 6 bilhões em 2020 e 38,5 mil associados (dedicados ao segmento da pecuária, cana-de-açúcar, grãos, citros e hortifrútis), a Coopercitrus tem hoje como um dos pilares da sua divisão de Tecnologia Agrícola a oferta de serviços relacionados à agricultura de precisão e, somente em 2021, espera atender mais de 10 mil produtores em 5 milhões de hectares.
Na SLC Agrícola, que teve receita líquida superior a R$ 3 bilhões no ano passado, a prioridade, por sua vez, tem sido a aplicação localizada de defensivos agrícolas, uso de telemetria (para acessar, em tempo real, informações das máquinas no campo) e de ferramentas que monitoram o microclima da fazenda, segundo Frederico Logemann, head de inovação da companhia.
Em sua fala no evento, Logemann destacou também os três principais gargalos que observa na oferta de tecnologia. A começar pela falta de suporte no campo depois que as soluções são implementadas — alerta que serve para grandes empresas e também startups. Citou também a falta de integração entre diferentes ferramentas e carência de uma diferenciação clara entre concorrentes, que dificulta e atrasa a escolha do melhor serviço.
Em sintonia com Logemann, Gabriela Nichel, agrônoma e proprietária da Fazenda Boa Vista, localizada em Buricá (RS), disse enfrentar os mesmos problemas e trouxe à pauta a importância de envolver os produtores no desenvolvimento de novas tecnologias. Para ela, é preciso melhorar a qualificação da mão de obra no campo, que precisa passar por treinamentos e, em muitos casos, ser convencida a utilizar as ferramentas colocadas à sua disposição.
Na visão de Gabriela, a infraestrutura de conectividade na zona rural, elencada por especialistas como um dos principais desafios à adoção de tecnologias no campo, é mais simples de contornar do que os desafios citados no painel, presentes na rotina dela e dos colegas produtores dia após dia dentro das fazendas.