Auravant chega ao Brasil para acelerar digitalização no agro

De origem argentina, a startup visa potencializar o conhecimento agronômico e digitalizar processos em pequenas e grandes empresas

Janeiro 25, 2022

Por Marina Salles

A Auravant agtech de origem argentina, com sede na Espanha e um novo escritório no Brasil — enxergou na digitalização do agro uma oportunidade. Com o objetivo de fazer da sua plataforma de gestão de dados um sistema operacional de referência no setor, a empresa oferece soluções digitais integradas para pequenos produtores e grandes empresas.

A integração pode ser feita para players de toda a cadeia produtiva. No caso do produtor, com serviços que potencializam o conhecimento agronômico; de empresas de insumos, com ferramentas de fidelização e desenvolvimento de produtos; em concessionárias, para ampliar o suporte técnico; em empresas alimentícias, como forma de gerenciar a rastreabilidade dos alimentos.

Nesse contexto, a plataforma da empresa conversa com computadores de bordo de máquinas agrícolas de diferentes marcas e sistemas de controle de armazenagem de grãos, por exemplo. “Queremos ser o sistema operacional do agro”, afirma Leandro Sabignoso, CEO da Auravant, que projeta faturamento de 2,5 milhões de euros para a agtech em 2022. “Acreditamos que é possível ser eficiente e sustentável, com tecnologia digital fácil de usar,” emenda.

Internacionalização escalonada

Sabrina Muñoz, diretora geral da Auravant Brasil

Após dois aportes em dois anos (o último de 1,6 milhão de euros, liderado pelo GoHub Ventures, fundo de corporate venture capital da Global Omnium, empresa de saneamento espanhola), a startup iniciou a expansão global. Na Espanha, se voltou às culturas intensivas, depois de ter se dedicado à agricultura extensiva na Argentina. Em 2022, o foco será explorar o mercado brasileiro a partir de São Paulo, capital. Atualmente, a Auravant tem 30 mil usuários em 70 países e 8 milhões de hectares monitorados.

Com oferta inicial freemium, a plataforma quer democratizar e aproximar a tecnologia do produtor rural e do assessor agronômico. Por meio de múltiplas fontes de dados (imagens de satélite, drone, clima e mapas de rendimento), a ferramenta da agtech gera diferentes camadas de informação que permitem determinar, por exemplo, a dosagem adequada de insumos em cada ponto da lavoura. O objetivo é economizar tempo, dinheiro e reduzir o impacto ambiental, além de aumentar a produtividade e manter a rastreabilidade dos produtos.  

A diretora-geral para o Brasil, Sabrina Muñoz, explica que o time no país — que atualmente tem 3 profissionais — deve passar a 20 nos próximos meses, com atendimentos em regiões produtoras como Sul, Sudeste e Centro-Oeste, de acordo com a demanda. Para se inserir no ecossistema de inovação no país, a Auravant tem participado de encontros com a Embrapa e entidades do setor, e já faz parte do AgTech Garage. 

Soluções sob medida

Além de desenvolver funcionalidades personalizadas para cada necessidade e modelo de negócio dos clientes, a Auravant permite que as empresas clientes tenham o próprio ambiente corporativo. Assim, a startup consegue acessar o business intelligence (BI) dos parceiros, entender melhor seus processos e dar subsídios para uma melhor tomada de decisões. “São soluções white label que permitem que empresas possam digitalizar seus negócios”, afirma Sabignoso. 

Para se tornar o sistema operacional do agronegócio, a empresa acredita na integração da plataforma a outros sistemas. Nesse sentido, a solução passa por constante processo de atualização e desenvolvimento. 

“Acreditamos na integração como ferramenta para o crescimento e apoio aos nossos usuários que podem encontrar todas as informações em só lugar, simplificando rotinas e processos complexos. O nosso ‘marketplace de extensões’ reforça esse conceito,” explica Sabrina. 

A relevância da privacidade dos dados para a startup é traduzida ainda na presença de um chief data officer (CDO), que cuida da gestão e fluxo de informações. “O produtor é dono das informações. Ele é quem determina a melhor maneira de utilizá-los, com muita transparência e rastreabilidade”, diz o CEO. Além disso, a empresa se define como agnóstica e não faz recomendações de produtos ou quantidade de aplicação, o que fica a cargo do usuário.

Com essas premissas, a startup está em busca de novos talentos no Brasil e projeta uma escalada capaz de levá-la ao posto de unicórnio nos próximos  anos. “Essa mudança de paradigma de nos integrarmos a todos os sistemas, além da personalização, empoderamento e rastreabilidade das informações são os nossos diferenciais”, destaca o CEO da Auravant.

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Dirceu Ferreira Junior

Dirceu Ferreira Junior

Sócio e Líder do PwC Agtech Innovation, PwC Brasil

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