Maio 11, 2022
A solução da OneSoil usa imagens de satélite para gerar mapas de monitoramento remoto na fazenda (Foto: OneSoil)
Por Vitor Lima*
A menos de dois anos atuando no mercado brasileiro, a startup suíça OneSoil já colhe resultados relevantes. A agtech aterrissou no país com um aplicativo web gratuito, que permite fazer o monitoramento remoto das lavouras a partir de imagens de satélite usando inteligência artificial. Assim, fornece mapas de índice de vegetação (NDVI) úteis na elaboração de planos de plantio e aplicação de insumos a taxa variável.
Já com 84 mil usuários da versão gratuita do seu app no país (quase ¼ da base de usuários mundial, que soma 360 mil contas), a startup prepara o lançamento da sua versão paga, recheada de outras funcionalidades a serviço da agricultura de precisão.
Batizado Projeto Yield (Projeto Produtividade/Rendimento, em tradução livre), o modelo pago da plataforma traz um aprofundamento do produto gratuito, permitindo o acesso a bancos de dados com histórico de seis anos de NDVI, além da identificação detalhada dos teores de matéria orgânica do solo e traçado do relevo das fazendas. Inclui ainda dados de produtividade e recomendação do número de sementes para cada talhão, em função da sua fertilidade.
Os mapas gerados pela OneSoil visam reduzir os custos do agricultor, graças ao uso mais eficiente de sementes, fertilizantes e defensivos agrícolas. A nível mundial o aplicativo já está em uso em mais de 160 países. No caso da nova ferramenta, os ganhos potenciais podem chegar a até US$ 40 por hectare, quando se compara a produtividade gerada pelo manejo tradicional versus o desempenho das culturas de grãos usando a tecnologia da OneSoil.
Segundo Morten Schmidt, CEO da agtech, o crescimento da OneSoil e os resultados que ela gera no campo se devem, sobretudo, à fácil navegação e acesso às recomendações agronômicas. “Nossa principal base de construção da plataforma é a usabilidade. Se você dá um novo produto na mão do usuário, ele deve conseguir manusear sem a necessidade de treinamento. Se não fosse assim, não faria sentido para nós, e faz menos sentido ainda para o produtor”, opina.
A expansão do Projeto Yield no Brasil vem acompanhada ainda de uma estratégia Latam de crescimento e busca por novas parcerias. Atualmente, a OneSoil trabalha com a John Deere e Trimble no exterior e quer aumentar sua rede de parceiros no Brasil e países vizinhos. Nessa missão, a startup tem o AgTech Garage a seu lado. A parceria com o hub — líder no fomento à inovação aberta no agronegócio da América Latina — está sendo anunciada hoje e ajudará a catalisar o relacionamento com outros agentes do ecossistema de inovação, principalmente indústrias de maquinários e de insumos. Ambos os segmentos estão no foco da geração de valor da solução paga da agtech suíça. No Brasil, o representante da OneSoil é Marcello Ramos, que fica sediado no AgTech Garage, em Piracicaba (SP).
Na América Latina, a estratégia da OneSoil para ampliar o uso das suas tecnologias passa pelas revendas de insumos e de maquinários. Depois de conquistar a credibilidade de milhares de usuários no Brasil, onde monitora 17,9 milhões de hectares (32% das terras agricultáveis), seu plano é adicionar valor ao pacote de prestadores de serviço no campo com a versão paga.
Os clientes-alvo do Projeto Yield são revendedores de insumos, sobretudo sementes, e maquinários de aplicação, além de consultores e agrônomos das fazendas. Para eles, o custo da ferramenta pode ser inferior a US$ 2 por hectare, dependendo do país, e tem potencial de gerar uma rentabilidade ainda maior ao produtor (vide resultados no exterior citados acima).
No modelo de negócios B2B da OneSoil, uma equipe de suporte faz contato com os vendedores de soluções de agricultura de precisão e propõe incluir a plataforma da startup como mais uma ferramenta dentro do seu portfólio, trazendo complementaridade. “Como os revendedores já têm sua carteira de clientes, eles conseguem, com maior eficácia, fazer a demonstração da tecnologia ao agricultor”, afirma Schmidt.
Na propriedade do cliente, o vendedor pode cadastrar as áreas da fazenda, mostrar a produção em comparação aos dados da região e avaliar práticas de manejo. De início, os revendedores têm acesso aos dados gerados pela OneSoil e o produtor pode adicionar os inputs dos seus maquinários para sofisticar as análises.
Com US$ 6,7 milhões já captados em rodadas de investimento seed e série A, com as gestoras Bulba Ventures, Palta, Almaz Capital e PortfoLion, a meta da empresa é continuar crescendo por meio da geração de receita. Por isso, mira a interação com os agentes da cadeia brasileira com o olhar atento também a possíveis integrações com parceiros argentinos.
A visão de longo prazo da startup é de entregar ao agricultor o poder de tomada de decisão sobre os melhores insumos para aplicar na sua fazenda, mas muito mais baseado em dados.
Na próxima safra no Brasil, a de 2022/2023, a previsão é que, para além das análises da efetividade da aplicação de insumos com taxa variável, a OneSoil ofereça também uma ferramenta de comparação de diferentes marcas de máquinas e insumos no contexto da agricultura de precisão.
“O Brasil é um dos principais mercados do agronegócio no mundo e enxergamos muitas oportunidades. Estamos dispostos a colaborar com outras startups que possam nos complementar, assim como com os grandes players da cadeia produtiva que valorizem a agricultura de precisão em seus negócios”, afirma o CEO da OneSoil.
Morten Schmidt, CEO da OneSoil: “Se a tecnologia não for de fácil uso, para nós, não serve”