Cromai se prepara para engatar rodada de Série A de olho nos mercados de soja e cana

Após investimento semente recebido do Grupo Stoller, a startup cresceu 5 vezes a área monitorada por sua inteligência artificial em 2021 ante 2020, abarcando 60 mil ha

Fevereiro 2, 2022

Por Marina Salles

Depois de receber um investimento semente do Grupo Stoller (de valor não revelado), a agtech Cromai colocou em marcha seus planos de expansão e já tem no horizonte a perspectiva de engatar uma rodada de Série A. Ao longo de 2021, a área monitorada por seu software de visão computacional cresceu cinco vezes, para 60 mil hectares, principalmente de cana-de-açúcar.

“Com um novo investimento, pretendemos ultrapassar a marca de 1 milhão de hectares em dois anos, com um crescimento forte em cana e soja, além de milho e algodão”, afirma Guilherme Castro, CEO da Cromai. O perfil do investidor deve ser complementar ao da Stoller, empresa americana de nutrição e fisiologia vegetal. Provavelmente, um Venture Capital ou Corporate Venture Capital de outra indústria, que não a de insumos. 

Com os recursos vindos do Grupo Stoller, a empresa evoluiu sua tecnologia, por meio da automatização de processos internos e da sofisticação do seu modelo de inteligência artificial e resultados de software — hoje com mais de 4 milhões de amostras de plantas daninhas processadas. 

“A consequência de se ter uma boa base de dados é uma maior precisão nos diagnósticos que interferem diretamente na tomada de decisão das usinas com relação ao manejo”, destaca Castro. A tecnologia de visão computacional da startup, área da inteligência artificial dedicada a identificar padrões em imagens, está apta a operar em qualquer região do Brasil a qualquer momento do ano, seja nos períodos de chuva ou seca.

Expansão para novas culturas

Desde 2017, a Cromai tem o segmento de cana como seu carro-chefe e atende de usinas a distribuidores de insumos, com um sistema que acusa a presença de ervas daninhas na lavoura e outro que controla a qualidade da cana entregue pelos fornecedores das usinas.

Para 2022, a solução de detecção de plantas daninhas na soja será a principal novidade no portfólio, e deve ser lançada comercialmente em outubro. Os pilotos a campo terão início antes ainda, com 50 produtores de diferentes tamanhos e regiões. “Estamos priorizando a solução de desempenho fisiológico desenvolvida para soja, que já tem uma demanda crescente”, explica Castro.

Depois da entrada gradual no mercado na safra 2022/23 de soja, o objetivo é atender a pelo menos 500 produtores da oleaginosa no ciclo 2023/24, e ir popularizando a solução de detecção de ervas daninhas, como aconteceu no caso da cana. 

“A maior expectativa com o novo investimento de Série A é ampliar de maneira acelerada o impacto positivo que a Cromai tem em campo, com uma tecnologia de ponta, brasileira, que está trazendo cada vez mais sustentabilidade e transformando o manejo agrícola”, diz Castro. 

A Cromai faz análises exaustivas da plantação e, em poucos minutos, consegue identificar cada daninha na lavoura, mesmo em pequenos focos (Imagem: Cromai)

Para cumprir as metas, o time da startup promete crescer de um total de 55 funcionários para algo em torno de 150 este ano. O foco de 2022 é expandir a base de clientes, entrar no mercado da soja e também manter o suporte e máximo aproveitamento da solução de daninhas para cana entre as usinas que já aderiram à tecnologia. 

Pronta para a tração

De 2017 a 2020, a Cromai passou por um intenso processo de validação da sua proposta de valor, com uma pequena quantidade de clientes que começavam a medir o retorno sobre o investimento (ROI). Apesar da pandemia, 2020 foi o ano de virada para os negócios, quando a startup conquistou seis clientes ativos.

Diogo Dutra, membro do Conselho Cromai, conta que o grande salto veio, então, no segundo semestre de 2021, quando a agtech já contava com mais de 20 clientes — entre eles, seis dos 10 maiores grupos de usinas do Brasil.

O sócio afirma: “O salto no número de novos clientes não só comprova uma eficiência do time comercial, mas também que o valor da Cromai está sendo reconhecido enquanto tecnologia e retorno de investimento. É fato que a Cromai estará presente em grupos de usinas cada vez mais relevantes e aumentará massivamente a base de clientes.”

Até o final de 2023, o plano da Cromai é ultrapassar a marca de 100 usinas e mil produtores de cana-de-açúcar atendidos. Mantendo este ritmo, o novo investimento deve chegar em boa hora para a fase de tração.

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Dirceu Ferreira Junior

Dirceu Ferreira Junior

Sócio e Líder do PwC Agtech Innovation, PwC Brasil

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