Fevereiro 2, 2022
Por Marina Salles
Depois de receber um investimento semente do Grupo Stoller (de valor não revelado), a agtech Cromai colocou em marcha seus planos de expansão e já tem no horizonte a perspectiva de engatar uma rodada de Série A. Ao longo de 2021, a área monitorada por seu software de visão computacional cresceu cinco vezes, para 60 mil hectares, principalmente de cana-de-açúcar.
“Com um novo investimento, pretendemos ultrapassar a marca de 1 milhão de hectares em dois anos, com um crescimento forte em cana e soja, além de milho e algodão”, afirma Guilherme Castro, CEO da Cromai. O perfil do investidor deve ser complementar ao da Stoller, empresa americana de nutrição e fisiologia vegetal. Provavelmente, um Venture Capital ou Corporate Venture Capital de outra indústria, que não a de insumos.
Com os recursos vindos do Grupo Stoller, a empresa evoluiu sua tecnologia, por meio da automatização de processos internos e da sofisticação do seu modelo de inteligência artificial e resultados de software — hoje com mais de 4 milhões de amostras de plantas daninhas processadas.
“A consequência de se ter uma boa base de dados é uma maior precisão nos diagnósticos que interferem diretamente na tomada de decisão das usinas com relação ao manejo”, destaca Castro. A tecnologia de visão computacional da startup, área da inteligência artificial dedicada a identificar padrões em imagens, está apta a operar em qualquer região do Brasil a qualquer momento do ano, seja nos períodos de chuva ou seca.
Expansão para novas culturas
Desde 2017, a Cromai tem o segmento de cana como seu carro-chefe e atende de usinas a distribuidores de insumos, com um sistema que acusa a presença de ervas daninhas na lavoura e outro que controla a qualidade da cana entregue pelos fornecedores das usinas.
Para 2022, a solução de detecção de plantas daninhas na soja será a principal novidade no portfólio, e deve ser lançada comercialmente em outubro. Os pilotos a campo terão início antes ainda, com 50 produtores de diferentes tamanhos e regiões. “Estamos priorizando a solução de desempenho fisiológico desenvolvida para soja, que já tem uma demanda crescente”, explica Castro.
Depois da entrada gradual no mercado na safra 2022/23 de soja, o objetivo é atender a pelo menos 500 produtores da oleaginosa no ciclo 2023/24, e ir popularizando a solução de detecção de ervas daninhas, como aconteceu no caso da cana.
“A maior expectativa com o novo investimento de Série A é ampliar de maneira acelerada o impacto positivo que a Cromai tem em campo, com uma tecnologia de ponta, brasileira, que está trazendo cada vez mais sustentabilidade e transformando o manejo agrícola”, diz Castro.
A Cromai faz análises exaustivas da plantação e, em poucos minutos, consegue identificar cada daninha na lavoura, mesmo em pequenos focos (Imagem: Cromai)
Para cumprir as metas, o time da startup promete crescer de um total de 55 funcionários para algo em torno de 150 este ano. O foco de 2022 é expandir a base de clientes, entrar no mercado da soja e também manter o suporte e máximo aproveitamento da solução de daninhas para cana entre as usinas que já aderiram à tecnologia.
Pronta para a tração
De 2017 a 2020, a Cromai passou por um intenso processo de validação da sua proposta de valor, com uma pequena quantidade de clientes que começavam a medir o retorno sobre o investimento (ROI). Apesar da pandemia, 2020 foi o ano de virada para os negócios, quando a startup conquistou seis clientes ativos.
Diogo Dutra, membro do Conselho Cromai, conta que o grande salto veio, então, no segundo semestre de 2021, quando a agtech já contava com mais de 20 clientes — entre eles, seis dos 10 maiores grupos de usinas do Brasil.
O sócio afirma: “O salto no número de novos clientes não só comprova uma eficiência do time comercial, mas também que o valor da Cromai está sendo reconhecido enquanto tecnologia e retorno de investimento. É fato que a Cromai estará presente em grupos de usinas cada vez mais relevantes e aumentará massivamente a base de clientes.”
Até o final de 2023, o plano da Cromai é ultrapassar a marca de 100 usinas e mil produtores de cana-de-açúcar atendidos. Mantendo este ritmo, o novo investimento deve chegar em boa hora para a fase de tração.