Maio 17, 2022
Por Vitor Lima*
A agtech argentina Eiwa — já reconhecida no mercado pela gestão de dados de P&D coletados em ensaios experimentais para empresas de melhoramento de sementes e de insumos agrícolas — está com planos ambiciosos para 2022. No acumulado de janeiro a dezembro, a meta é quase dobrar o faturamento de 2021, que totalizou US$ 1 milhão.
E, para isso, a Eiwa vai seguir com sua missão “de desvendar o valor dos dados agronômicos para acelerar o desenvolvimento e a implantação de soluções agrícolas no mercado”, adicionando o insight de que essa informação pode ser útil também para os departamentos de vendas e marketing se for trabalhada com esse objetivo.
“A conexão de informações, hoje, mostra um potencial enorme, mas também há uma dificuldade no agrupamento de dados tabulares, de planilhas e dados georreferenciados. Isso porque o processo envolve muito trabalho manual”, conta Carlos Hirsch, Diretor de Desenvolvimento de Negócios da Eiwa. “Nossas soluções são pensadas para automatizar esses processos e aumentar a qualidade dos dados gerados”, diz.
Se de um lado a expertise da Eiwa é gerir dados, a ferramenta Eiwa Vault vem para apoiar equipes comerciais e de marketing no que eles também fazem de melhor: construir marcas e referências sobre novos produtos, argumenta Hirsch.
Diante da trajetória bem-sucedida no mercado atendendo pesquisadores e desenvolvedores de tecnologia, a estratégia agora é gerar valor para outros públicos, moldando a entrega às suas necessidades.
Organizando as estruturas de dados de forma funcional e visual é como a agtech vê que pode agregar valor e explorar melhor as informações para os times de posicionamento de produto e marca.
Os recursos utilizados pelo sistema vão envolver desde as informações referentes aos ensaios de pesquisa (seja de sementes híbridas, de defensivos químicos ou biológicos, além de fertilizantes) até outros dados coletados depois. Nesse sentido, imagens de drones podem ser processadas para gerar inteligência, bem como informações de arquivos de dados da própria fazenda imputados pelo agricultor na plataforma da startup.
Cobrindo do planejamento à execução e análise, o produto é um “ecossistema de dados em nuvem para quem desenvolve ciência e inovação na agricultura”, segundo Hirsch. Entre as funcionalidades da plataforma estão o gerenciamento de dados com customização por região, definição de blocos de ensaios plantados por lotes, planejamento de aquisição e visualização em diferentes modos.
Somente no primeiro trimestre de 2022, a solução, que foi lançada em novembro de 2021, já triplicou sua carteira de clientes, chegando a 40 contas. Para o segundo trimestre, a meta é a manutenção do crescimento da ordem dos 11% ao mês. A companhia de origem suíça Syngenta, de sementes e defensivos; a argentina GDM, de sementes, e a indiana UPL, com sua linha de produtos biológicos, já são clientes da startup e estão entre os early adopters da nova solução.
Inserida no hub de inovação do AgTech Garage, a agtech argentina acredita no potencial dos relacionamentos, como os que mantém com seus clientes atuais e permitiram desenvolver uma solução que, de fato, resolve um desafio da indústria. No momento, além de novos parceiros de negócios, a Eiwa busca interações de valor com outras startups que tenham soluções em sintonia com os principais processos da empresa.
“Estamos abertos a fazer negócios. Outras startups que tenham, por exemplo, soluções com sensores específicos para coleta de dados de campo podem ter muita sinergia com a Eiwa”, diz Hirsch. Em relação a outros agentes da comunidade do AgTech Garage, a Eiwa já tem em sua carteira de clientes gigantes como a americana FMC e a japonesa Sumitomo Chemical.