Em rodada de R$ 40 milhões, Grão Direto traz Amaggi, ADM, Cargill e LDC como sócias

As tradings irão deter fatias minoritárias na plataforma, que já tinha no quadro de acionistas empresários rurais, indústrias, Venture Capitals e instituições financeiras

Março 4, 2022

Por Marina Salles 

A Grão Direto, maior plataforma digital de comercialização de grãos da América Latina, anunciou sua terceira rodada de investimentos, agora no valor de R$ 40 milhões, com a participação das tradings Amaggi, ADM, Cargill e Louis Dreyfus Company (LDC). Elas vão se juntar à Lanx, Grupo Rendimento, Barn, além de outros fundos e investidores individuais, que já eram sócios do negócio. A operação foi submetida à análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

A plataforma, que seguirá atuando de maneira independente, registra mais de 190 mil downloads de seu aplicativo. “A inovação faz parte do DNA do agricultor brasileiro. A mesma revolução digital já promovida ‘dentro da porteira’, estamos fazendo junto com ele também fora da porteira”, afirma Alexandre Borges, CEO da Grão Direto.

Em 2021, 200 mil ofertas de compra e venda foram disponibilizadas pela plataforma, o equivalente a mais de um milhão de toneladas de grãos. Nos últimos dois anos, os clientes operaram de mais de 1.100 cidades do Brasil e o faturamento da Grão Direto cresceu 15 vezes. 

Os públicos vendedor e comprador incluem desde pequenos fazendeiros a grandes grupos produtores; e de pequenos granjeiros até grandes tradings internacionais, cooperativas, fábricas de ração, revendas, corretoras e demais perfis da cadeia do agro, respectivamente. Hoje, os vendedores operam na plataforma sem custo e os compradores pagam uma taxa na transação. 

Sócios-clientes

Dois dos novos sócios, ADM e LDC, já utilizam os serviços da Grão Direto e constataram na prática os impactos positivos da digitalização nos negócios. Amaggi e Cargill, além de investidores, também passarão a utilizar as soluções da Grão Direto. Hoje, a startup tem centenas de empresas clientes e milhares de agricultores conectados ao seu sistema diariamente. 

“A tecnologia permite a democratização das inovações. Hoje, com a Grão Direto, um pequeno comprador pode usar a mesma plataforma que as maiores empresas do agronegócio do mundo utilizam”, diz Borges.

A visão da empresa é construir um ecossistema digital seguro com apoio de todos os elos envolvidos na negociações de commodities agrícolas. “Assim como as bolsas de valores ao redor do mundo surgiram a partir da colaboração de diversos operadores de mercado, queremos seguir trazendo novos investidores estratégicos, sejam eles compradores, distribuidores, cooperativas, indústria e, obviamente, agricultores”, explica Alexandre. “O agro é muito diverso e queremos replicar esta diversidade aqui, reforçando nossa neutralidade, independência e inovação em prol de uma agricultura moderna no Brasil e no mundo”, completa o CEO.

Próximos passos

A companhia já planeja novas rodadas de investimento nos próximos 18 meses e projeta uma potencial abertura de seu capital dentro dos próximos 5 anos, permitindo ao longo deste processo que os próprios usuários e clientes da plataforma se tornem sócios. 

“Nossos usuários são nossos maiores embaixadores, já estamos estudando formas de tornar possível, no futuro, que eles também possam ter seu pedacinho, ou seu ‘grãozinho’, nesta imensa lavoura de oportunidades”, explica Alexandre. 

O novo aporte permitirá acelerar este caminho. Os investimentos previstos incluirão crescimento ainda maior de seu time (que já quintuplicou de tamanho em 2021, passando de 15 para 75 profissionais), presença em todo o Brasil, ampliação do portfólio de produtos, desenvolvimento tecnológico para oferecer serviços de negociação ainda mais completos – incluindo produtos financeiros, além da ampliação dos serviços de dados e inteligência de mercado.

 

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Dirceu Ferreira Junior

Dirceu Ferreira Junior

Sócio e Líder do PwC Agtech Innovation, PwC Brasil

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