Janeiro 26, 2022
Por Vitor Lima*
Criada há mais de 150 anos, a geladeira não resolveu de forma definitiva todos os problemas da conservação de alimentos para a humanidade e indústria alimentícia. A solução da Intelligent Foods está aí para provar isso. A startup propõe que sem o uso de nenhum conservante — e apenas por meio de um método de esterilização de produtos alimentícios, colocados em embalagens seladas — seja possível armazenar e transportar alimentos de forma segura e durável, mesmo longe dos refrigeradores.
“É importante destacar que isso é feito sem qualquer adição de conservantes, num processo de eliminação de bactérias e microrganismos que garante a segurança alimentar”, conta Flávia C. Murgel, Head de Comunicação e Relacionamento com Clientes da foodtech.
Aquela comidinha caseira, caldos, salgados, pães, bolos e sanduíches. Sem falar em produtos in natura, como sucos naturais, polpas de frutas e legumes, tudo isso ganha um lugar fora das geladeiras com a solução da foodtech. A tecnologia foi validada ainda como alternativa à radiação na esterilização de temperos, condimentos e rações para o mercado pet. Nos restaurantes, é uma alternativa para a conservação de carnes e outros produtos, que podem estar pré-cozidos e ter o preparo finalizado no ponto de venda.
Gabriel Berisso (à esq.) e Wagner Murgel (dir.), CEO’s e co-fundadores da IF, criaram uma solução para responder a dúvidas que os inquietavam: Como garantir que um produto será mantido na temperatura correta? Como evitar as perdas decorrentes de quebras da cadeia fria? (Foto: Intelligent Foods)
Em fase de validação comercial, a solução já recebeu R$ 700 mil de investidores e passou por testes nas mãos de 20 clientes. Agora, para dinamizar sua entrada no mercado, a Intelligent Foods busca parceiros, sejam do setor de alimentação ou de fora dele. “Nosso objetivo é poder colocar uma unidade de esterilização de alimentos em operação ao longo de 2022", diz a Head de Comunicação.
A startup surgiu de pesquisas de alternativas de conservação que pudessem assegurar que alimentos frescos e preparados mantivessem suas características originais até chegar à mesa do consumidor. Isto, considerando que as condições de transporte e armazenagem nem sempre são ideais e, com frequência, muitos produtos se deterioram antes de chegar ao seu destino.
Outro tema relevante também é o impacto socioambiental que a tecnologia traz. Ao dispensar a refrigeração e aumentar o shelf life (validade do produto perecível), não só é possível economizar energia, como também reduzir os custos associados às perdas logísticas.
“Os produtos podem chegar mais baratos na mesa da população e poderão ser levados também a distâncias muito maiores dos centros de produção, mesmo onde a infraestrutura é deficiente”, afirma a porta-voz da Intelligent Foods.
A partir da tecnologia de um software alimentado por sensores instalados nas estruturas de distribuição, armazenagem e transporte de seus clientes, a PackID monitora em tempo real a temperatura e umidade dos alimentos. Conectado à internet, o software é capaz, inclusive, de detectar a abertura de um contêiner refrigerado e dar sua exata localização.
Caroline Dallacorte, CEO e Co-fundadora da PackID
“Temos exemplos de clientes que já chegaram a perder um baú de caminhão inteiro cheio de carne. O prejuízo, que superou R$ 1 milhão, foi resultado de um erro na cadeia de conservação”, conta Caroline Dallacorte, CEO e Co-fundadora na startup. Em outro cliente, a perda de R$2 milhões em vacinas foi resultado do desligamento da refrigeração durante todo um final de semana no caminhão de transporte.
A startup atende a diferentes segmentos, sendo a indústria alimentícia um dos principais (42% de seu portfólio). Entre seus clientes no agro estão: Vigor, Polenghi, Lac Lelo, Tirolez e a Cooperativa Lar. Além do monitoramento de lácteos e carnes, no agro, a PackID também atende o setor de sementes, que demandam controle de temperatura para expressar todo seu potencial germinativo.
A solução se adapta a diferentes espaços e pode ser instalada pelo próprio cliente em câmaras frias, gôndolas, estufas, galpões de armazenagem, ultra-congeladores, dentre outros.
Segundo Caroline, embora os principais gargalos na conservação de alimentos estejam nos centros de distribuição e transporte, todos os outros elos da cadeia de frio devem ser observados com igual atenção. “Basta falhar uma vez em qualquer uma das etapas para que o produto alimentício sofra perda de qualidade e, por isso, é tão importante monitorar os processos até a chegada no consumidor final”, diz.
A nível nacional, a agtech alcança 18 Estados (das regiões Sul, Sudeste, Norte e Centro-Oeste). Na América Latina, tem clientes na Colômbia, Argentina, Chile e Uruguai. Na Europa, atende um cliente em Londres, no Reino Unido.
Quando falamos em segurança dos alimentos, duas vilãs têm os holofotes garantidos na indústria: as bactérias dos gêneros Listeria e Salmonella, que causam problemas à saúde humana quando contaminam leite, carnes, ovos crus ou comidas prontas para consumo. Causadoras de intoxicações alimentares, elas são os principais alvos do “super desinfetante” desenvolvido pela health e foodtech israelita Bio-fence.
O sensor da PackID mede a temperatura e umidade dos alimentos na cadeia fria. (Foto: PackID)
Quando falamos em segurança dos alimentos, duas vilãs têm os holofotes garantidos na indústria: as bactérias dos gêneros Listeria e Salmonella, que causam problemas à saúde humana quando contaminam leite, carnes, ovos crus ou comidas prontas para consumo. Causadoras de intoxicações alimentares, elas são os principais alvos do “super desinfetante” desenvolvido pela health e foodtech israelita Bio-fence.
Com uso próprio pela indústria alimentícia e hospitalar, o desinfetante da startup foi criado a partir de polímeros orgânicos para ser adicionado a revestimentos e tintas. Isto inclui revestimento e pintura para pisos, paredes, metais, plásticos e madeira, que podem passar a ser limpos com menos frequência, já que o aditivo aumenta a vida útil dos anti-sépticos administrados nessas superfícies — funcionando como uma verdadeira cerca-viva, 99,989% imune, ela mesma, à ação de bactérias.
*Com edição de Marina Salles