Julho 5, 2022
Por Marina Salles
O mercado global de pulses — leia-se grão de bico, lentilha, ervilha, feijões, entre outras sementes de leguminosas que rendem uma boa “sopa grossa”, significado de “pulse” em latim — movimentou 92 milhões de toneladas de grãos em 2020, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). De olho nesse setor, que vem crescendo 3% ao ano na última década, os empreendedores Pedro Liberti e Pablo Riboldi fundaram a startup Global Pulses Market, que também se apropria de um viés sustentável.
“Os pulses usam muito menos água do que commodities como a soja durante o cultivo, são empregados em diferentes gastronomias e têm alto valor proteico, sendo uma alternativa ao consumo de carne e um ingrediente importante em dietas à base de plantas”, destaca Liberti, que administra a operação na Argentina, Colômbia, Canadá e Espanha.
Na composição de alimentos plant-based, que imitam de hambúrgueres a linguiças, o grão de bico e a ervilha já alcançaram protagonismo, enquanto o feijão vem ganhando espaço. Segundo Liberti, o mercado é promissor junto à indústria e também chama a atenção pelo valor agregado dos produtos. Enquanto uma tonelada de trigo custa cerca de US$ 400, o grão-de-bico está na casa de US$ 850 a tonelada.
A meta da Global Pulses Market no próximo ano é conquistar ao menos 0,1% desse mercado de comercialização de grãos e chegar a 1% em cinco anos. Na estimativa, o empreendedor considera que o mercado de pulses fatura US$ 51 bilhões por ano. O giro, em volume, segundo ele, já supera 100 milhões de toneladas anuais. Além dos pulses, o marketplace também opera com a venda de chia e quinoa.
Para suportar o crescimento, depois de um ano e meio de projeto piloto, que resultou no cadastramento de 150 usuários na plataforma, a agtech vai destinar recursos à estruturação do seu modelo de negócios e à implantação de novas tecnologias, como o blockchain.
Em rodada recente de captação de investimento seed, a GPM levantou US$ 60 mil com a Rigran, da Argentina, que atua no comércio exterior de pulses e gerencia cerca de 5% desse tipo de exportação no país. “Queremos atrair grandes empresas como a Rigran para dentro da plataforma, o que aumentaria nossa base de transações mais rapidamente”, afirma Liberti.
Entre os principais importadores de pulses estão a Índia, União Europeia, China, Paquistão e Bangladesh. Enquanto os exportadores de maior relevância são Canadá, Austrália, EUA, China e Mianmar. Já na lista de países produtores figuram nas primeiras posições: Índia, Canadá, Mianmar, China e Brasil.
Durante sua fase piloto, a GPM abriu as portas para clientes e parceiros integrarem o marketplace sem qualquer custo e, agora, estuda os modelos de negócio que podem lhe gerar receita recorrente.
Pela plataforma, importadores, exportadores e produtores de pulses acessam ofertas e preços de mercado, além de um portfólio de serviços associados à operação de compra e venda. O objetivo é dar transparência aos preços praticados, facilitar novas conexões e entregar facilidades adicionais, como serviços de despachante, gestão documental, transporte terrestre e marítimo, análise laboratorial etc. Nesta frente de serviços, a plataforma já conta com 12 parceiros.
Para monetizar sua operação e permitir aos importadores e exportadores concluírem suas transações dentro do marketplace, a agtech busca agora uma fintech parceira. Segundo Blanco, o modelo de cooperação acordado, com exclusividade ou não, dependerá do território que o parceiro é capaz de cobrir. No mercado, as taxas praticadas por operadores da exportação têm variado na faixa de 1,5% a 3% sobre o valor da mercadoria. No caso da GPM, a ideia é praticar uma porcentagem dentro ou abaixo desta faixa.
A startup também estuda avançar em novos modelos de negócios com prestadores de serviço e na geração de insights e levantamento de tendências do segmento de pulses. No futuro, a ideia é que o marketplace também seja um ambiente para comercialização de créditos de carbono gerados a partir da produção sustentável de leguminosas, uma adicionalidade capaz de somar renda para o produtor no campo.