Governo da Nova Zelândia acelera internacionalização de empresas de tecnologia agropecuária em parceria com o AgTech Garage

Por meio do AgriTech International Acceleration Program Latam, agências de inovação neozelandesas fomentam geração de negócios no ecossistema latino-americano

Junho 28, 2022

Por Marina Salles

O AgTech Garage acredita na conexão genuína do ecossistema de inovação, independentemente de fronteiras geográficas e, após cinco meses de trabalho, apresenta os resultados de um programa inédito realizado em parceria com o governo da Nova Zelândia. O AgriTech International Acceleration Programme envolveu as agências governamentais neozelandesas New Zealand Trade and Enterprise (NZTE), Callaghan Innovation e a iniciativa Agritech New Zealand em torno da geração de oportunidades para nove empresas neozelandesas na América Latina por meio da conexão com o AgTech Garage — hub de inovação de referência no agronegócio na América Latina. 

De fevereiro a junho, as nove empresas (ver relação abaixo) tiveram acesso a 15 mentores com expertise nas áreas de negócios e investimentos e realizaram 28 mentorias individuais e 3 em grupo. Tiveram acesso também a 14 conexões de alto nível com diferentes agentes do ecossistema de inovação (às quais devem se somar outras ainda), promovidas graças à visibilidade do programa entre a comunidade do AgTech Garage. Durante os cinco meses, além de oferecer suporte para o mapeamento de oportunidades, o time do AgTech Garage também organizou sessões de pitch com as empresas e forneceu feedbacks para auxiliar na adaptação de seus produtos ao mercado latino-americano.

José Tomé, CEO do AgTech Garage, ressalta que o programa está alinhado com a visão do hub de contribuir com um ecossistema globalmente conectado. “Queremos ir além de promover a inovação no Brasil, na Nova Zelândia, nos EUA. Hoje, está claro que não há fronteiras limitando as conexões. O AgTech Garage já faz a ponte entre produtores e startups de qualquer lugar do mundo, empresas e investidores. Entendemos que pode sim levar mais algum tempo até que o ecossistema de inovação esteja conectado em sua plenitude, mas esse programa reforça muito nossa visão de que esse é o caminho”, afirma. 

As empresas participantes do programa representam todo o espectro de inovação da Nova Zelândia, de startups early-stage, passando por spin-offs acadêmicos até grandes companhias, segundo Steve Jones, Diretor Regional para América Latina da NZTE. Ele explica que o AgriTech International Acceleration Program Latam nasceu para apoiar empresas inovadoras da Nova Zelândia em diferentes estágios de maturidade, com a finalidade acelerar sua entrada em novos mercados na América Latina. 

Steve Jones, da NZTE, em evento de apresentação dos resultados

“O objetivo é que as companhias avaliem seu product market fit, sendo guiadas sobre por onde e como entrar no mercado latino-americano. O relacionamento com o AgTech Garage permite que as empresas criem mais rápido uma rede de contatos, se conectem com mentores com experiência sólida no agronegócio e na área de investimentos, e conheçam potenciais parceiros de negócios”, afirma. 

Feedback das empresas neozelandesas

Para Mat FlowerDay, fundador da LandKind, o programa superou todas as expectativas. “Integrar o AgriTech International Acceleration Program Latam tem sido uma experiência fantástica para nós. O AgTech Garage tem ótimos métodos de condução das conexões e estamos ansiosos para conhecer pessoalmente as pessoas que nos atenderam tão bem no virtual”, diz.

Peter Urich, Gerente da Clymsystems, destaca o apoio do AgTech Garage na construção de pontes, de fato, significativas. “Estou realmente impressionado com a compreensão do AgTech Garage sobre como a CLYMsystems funciona e o que estamos tentando alcançar.  Graças a este entendimento, eles nos conectaram com players relevantes no Brasil e na América Latina para nossa estratégia. Estamos otimistas com as oportunidades que essas novas conexões vão nos oferecer à medida que avançamos”, conta.

Para Caroline Nordahl, CSO da Bluelab, um dos aprendizados do programa é a possibilidade de começar pequeno, e conduzir a internacionalização mais devagar. “As conexões que estamos fazendo com potenciais parceiros antes mesmo de nos estabelecermos na região é uma das maiores gerações de valor do programa. Entendemos não ser necessário traduzir todos os nossos conteúdos antes de começar a fazer prospecções e contatos, por exemplo”, diz.

Experiência dos mentores

Para Marcelo Carvalho, co-fundador do AgTech Garage e CEO da AgriPoint, os países têm por si só diferenças culturais e tecnológicas que um programa como o AgriTech International Acceleration Programme ajuda a identificar. Para ele, a iniciativa é a prova viva de que as barreiras geográficas não limitam mais a colaboração a nível mundial capaz de promover o acesso a novos mercados. “Não é surpresa que a Nova Zelândia, um país historicamente aberto a se relacionar com o exterior, tenha capitaneado essa ação ao lado do AgTech Garage”, diz. 

De acordo com ele, por mais que o empreendedor tenha uma boa ideia, algo que funciona muito bem num determinado mercado, precisa levantar as necessidades de adaptação ao cruzar novas fronteiras. “Um grande mérito do programa é permitir, a um custo baixo — principalmente para o empreendedor, que não tem que se deslocar para conhecer outros países — identificar essas diferenças culturais. Isso evita que ele comece uma operação e depois descubra que não encaminhou os negócios da melhor maneira possível”, afirma Carvalho.

Da mesma forma que os neozelandeses têm muito a aprender sobre a América Latina, Kieran Gartlan, Diretor do The Yield Lab, pontua que os brasileiros também podem extrair lições importantes da conexão com as empresas daquele país. “A Nova Zelândia é um país de tamanho limitado e isso força os produtores a serem mais eficientes e recorrerem a tecnologias para aumentar sua produtividade. No Brasil, a vantagem é que temos áreas maiores, mas, ao mesmo tempo, a pressão por eficiência é menor”, diz. 

Uma vez na América Latina, um ponto de atenção para os empreendedores que vêm de fora, na visão de Gartlan, é manter o foco. “Diante de mercados com tanto potencial, como o Brasil, é preciso ter os contatos certos, além de um bom market fit, no que o programa em parceria com o AgTech Garage traz grandes contribuições”, argumenta. 

Brendan O'Connell, CEO do hub neozelandês AgritechNZ, que acompanhou de perto as mentorias, reforça: “Se você não faz conexões, você fica isolado. Como qualquer indivíduo ou país, recomendo o exercício de você parar para compreender quais são seus pontos fracos e fortes”, diz. 

Do lado neozelandês, ele vê uma grande expertise no agronegócio e alta capacidade de realização, enquanto na América Latina, enxerga grandes oportunidades. “Temos soluções que são realmente únicas, por outro lado, a Nova Zelândia está mais isolada geograficamente. Por isso, desde sempre, precisamos sair do país, viajar. Quando eu ouço falar das conexões, isso para mim significa relacionamento e experiências. É muito importante ter um diálogo aberto para promover ambientes conectados e o AgTech Garage faz isso muito bem. Sou muito grato pelo programa que construímos e o benefício que esta iniciativa pode gerar para o mundo”. 

Próximos passos

Gabriela Geraldi, do AgTech Garage

Gabriela Geraldi, Gestora de Comunidade do AgTech Garage, o intuito do AgTech Garage é seguir acompanhando as conexões geradas, para monitorar a realização de parcerias ou outro modelo de sinergia que aproxime as empresas neozelandesas do ecossistema de inovação Latam. Para aquelas empresas que desejarem manter um relacionamento mais próximo do hub, também existe a possibilidade de se tornarem Ecosystem Partners, startups membership ou residentes.

No Brasil, o programa também teve suporte de Nádia Alcântara, Gerente de Desenvolvimento de Negócios da NZTE, que detalha os próximos planos do governo da Nova Zelândia. “Estamos avaliando a possibilidade de conduzir uma missão ao AgTech Garage, para as empresas terem a oportunidade de fazer uma imersão no ecossistema latino-americano e interagir presencialmente com seus novos contatos”, diz Nádia. 

Ela acrescenta que a experiência bem-sucedida pode ainda servir de modelo para iniciativas da NZTE em outras regiões. “Vamos levar nossos aprendizados e compreensão dos resultados finais do piloto para propor atividades semelhantes em outras regiões e mercados”, afirma. 

Contatos

Dirceu Ferreira Junior

Dirceu Ferreira Junior

Sócio e Líder do PwC Agtech Innovation, PwC Brasil

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