Mastera, que promove ponte entre Academia e mercado, avança com convênio junto à Esalq-USP

Fundada em 2020, a startup promove da conexão entre pesquisadores e grandes corporações à gestão e desenvolvimento de diversos projetos

Novembro 29, 2022

Por Marina Salles 

Para potencializar a transferência de tecnologia entre as universidades e o mercado, a Mastera foi criada em 2020 e celebra, agora, os primeiros resultados da assinatura de um convênio com a Esalq-USP. A parceria visa identificar pesquisas científicas com alta propensão de se tornarem produtos escaláveis, na medida em que resolvem, sobretudo, os desafios de grandes empresas. 

Intermediando esta relação, a Mastera entra como radar de soluções, além de se ocupar da gestão profissional dos projetos. Na frente de gestão, a startup oferece tanto a possibilidade de participar da fase que antecede o lançamento comercial do produto como de entrar como parceira e sócia de diferentes iniciativas. A primeira delas está se dando na área de nanotecnologia dentro do programa Acelera Esalq. O projeto visa utilizar nanopartículas capazes de acentuar a absorção de luz solar, para favorecer o crescimento das plantas em cultivos protegidos.

“Para as grandes empresas, se valer do nosso convênio com a Esalq-USP gera, de entrada, economia de tempo e maior praticidade nas relações com a universidade. Mas vai muito além disso. Damos celeridade ao desenvolvimento de novas soluções e coordenamos todo o processo”, diz Tainan Lamas, com passagem pelo negócio de produção e distribuição de tomates para 11 Estados, investor builder, empreendedor serial e fundador da Mastera ao lado de Rafael Vivian — profissional com 20 anos de experiência em inovação agropecuária e passagem pela Basf. 

Do conselho da empresa, participam ainda Guga Stocco, também membro dos conselhos da Totvs, Vince Partners, Falconi e Banco Original, e Roberto Laganá, fundador da Care Plus e sócio da Joint Partners.

“O convênio Mastera-Esalq-USP é uma oportunidade que beneficia todos os envolvidos, seja a universidade, as empresas ou a própria startup. Sabemos que as pesquisas têm um linguajar próprio e que o mercado não procura em teses ou artigos científicos soluções para seus problemas. Precisamos de caminhos para que a informação saia da Academia de forma mais palpável para o mercado, e a Mastera abre uma nova oportunidade para que isso aconteça”, diz José Belasque Júnior, professor da Esalq-USP coordenador do convênio. 

Modus operandi das parcerias

Com a visão estratégica de atender novos desafios e demandas futuras do mercado, a Mastera investiga soluções, prioritariamente, nas áreas de: agricultura digital preditiva, adaptação aos efeitos climáticos, ampliação do uso de bioinsumos, novas ferramentas biotecnológicas para a agricultura e nanotecnologia, tanto para sanidade como segurança alimentar e nutricional.

Em qualquer um dos temas, é analisada a viabilidade tecnológica e financeira da solução, assim como sua escalabilidade. Por esse processo de validação do projeto e posterior desenvolvimento colaborativo da solução comercial, a Mastera cobra uma taxa de implementação. No caso de vir a ser sócia da iniciativa, a Mastera formaliza contratualmente também uma participação sobre as vendas do produto. 

Além do projeto em nanotecnologia, o primeiro em desenvolvimento no convênio com a Esalq-USP, a Mastera tem outras iniciativas em andamento. É o caso de um sistema de inteligência artificial alimentado por colares usados pelo gado no campo. O sistema registra automaticamente informações dos animais e gera relatórios sobre sua saúde física (conforto térmico, estresse, índice de bem-estar), alimentação (qualidade do pasto, necessidade de mudança de piquete ou de suplementação animal)  e permite fazer até mesmo o balanço da emissão de gases de efeito estufa cabeça a cabeça. 

Em outro projeto, na área de plantio de hortaliças, a Mastera está em fase de aperfeiçoamento da tecnologia para otimizar a linha de produção e, posteriormente, poder escalar e comercializar módulos de cultivo de plantas em substrato altamente nutritivo em ambientes urbanos, seja para o público B2C ou B2B. 

Horizonte de crescimento

A expectativa de Lamas é que o convênio como a Esalq-USP acelere o desenvolvimento de novas tecnologias também pela Mastera e que, no prazo de três anos, aconteça o lançamento comercial de suas primeiras soluções no mercado. 

A ideia por trás da fundação da startup veio da observação de que muitas pesquisas acadêmicas acabavam ficando engavetadas, mesmo diante da demanda de grandes empresas por incorporar inovações cientificamente testadas e de eficácia comprovada. O objetivo, então, foi conectar estes dois elos, tendo como base a teoria de modelos ecossistêmicos do futurista americano Frank Diana. 

Além disso, serviu de inspiração para a Mastera o trabalho que vinha sendo realizado pela empresa americana Zymergen, adquirida por U$ 300 milhões em 2022 pela companhia de biotecnologia Ginkgo Bioworks. Diferente da Zymergen, contudo, que sempre manteve estrutura e pessoal próprios para fazer desenvolvimentos para terceiros, a Mastera acredita na realização de parcerias para promover seu crescimento. 

“Hoje, estamos em conversa com mais de 10 empresas e 20 pesquisadores no Brasil e EUA para o desenvolvimento de produtos em diversas áreas, como pecuária, agricultura urbana, biotecnologia, entre outras. Já fomos procurados por empresas do Reino Unido, Índia e Turquia e estamos sempre ampliando o alcance das nossas buscas nos bancos de pesquisa para atender à demanda dos nossos parceiros”, diz Lamas. A expectativa é que a Mastera possa faturar R$ 12 milhões por ano.

A Mastera também atende diretamente pesquisadores que querem levar suas soluções ao mercado e oferece um curso para instrução sobre as bases de empreendedorismo e negócios. Atua de maneira pró-ativa, ainda, na identificação de oportunidades em bases científicas nacionais e internacionais para explorar inovações junto a possíveis parceiros de pesquisa e de negócios.

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Dirceu Ferreira Junior

Dirceu Ferreira Junior

Sócio e Líder do PwC Agtech Innovation, PwC Brasil

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