Nestlé vai investir US$ 1 bilhão para fomentar a “cafeicultura regenerativa”

A empresa trabalhará em conjunto com produtores de café para avaliar a eficácia de diferentes práticas da agricultura regenerativa com foco em sete países, incluindo o Brasil

Outubro 5, 2022

Por Marina Salles

A Nescafé, principal marca de café da Nestlé, vai investir 1 bilhão de francos suíços (o equivalente a US$ 1 bilhão) nos próximos oito anos no que chamou Nescafé Plan 2030. O grande objetivo da marca é auxiliar produtores de café a nível global na transição da agricultura convencional para a agricultura regenerativa e, paralelamente, contribuir para zerar as emissões líquidas de gases de efeito estufa da Nestlè até 2050. No prazo até 2030, o compromisso da Nestlè é de reduzir pela metade as suas emissões de GEE. 

A agricultura regenerativa é uma abordagem que visa melhorar a saúde e a fertilidade do solo, bem como proteger os recursos hídricos, a fauna e a flora, preconizando manejos sustentáveis, como o uso de culturas de cobertura e a aplicação de fertilizantes orgânicos. 

Para gerar o impacto positivo esperado no campo, a Nestlè se comprometeu a trabalhar junto com agricultores, fornecedores e parceiros, auxiliando na proteção das terras agrícolas, no aumento da biodiversidade e na prevenção do desmatamento. Além disso, a empresa irá apoiar os produtores com o plantio de mais de 20 milhões de árvores. 

“Queremos que os produtores de café prosperem tanto quanto queremos que o café tenha um impacto positivo no meio ambiente. Nossas ações podem ajudar a impulsionar mudanças em todo o setor do café”, diz Philipp Navratil, Diretor da Unidade de Negócios Estratégicos de Café da Nestlé.

Produzindo um café sustentável

Conforme o Banco Interamericano de Desenvolvimento, até 2050, o aumento das temperaturas pode reduzir áreas próprias para cultivo de café em até 50%. Ao mesmo tempo, cerca de 125 milhões de pessoas dependem do café para seu sustento, segundo a Fairtrade Foundation, e estima-se que 80% das famílias de cafeicultores vivam na linha da pobreza ou abaixo dela, de acordo com a TechnoServe

Diante deste cenário, a Nescafé se propõe a trabalhar com os produtores de café para testar, aprender e avaliar a eficácia de diferentes práticas da agricultura regenerativa. Isso com foco em sete países principais, de onde a marca obtém 90% de seu café, sendo eles: Brasil, Vietnã, México, Colômbia, Costa do Marfim, Indonésia e Honduras.

No México, Costa do Marfim e Indonésia, a Nescafé vai promover um plano piloto de apoio financeiro para acelerar a transição para o novo modelo regenerativo. A proposta é dar incentivos financeiros condicionados à adoção de práticas agrícolas regenerativas, incentivar o uso de mecanismos de proteção de renda por meio de seguro meteorológico e fomentar maior acesso a linhas de crédito para os agricultores. 

Mensurando resultados

A parceira da Nescafé no monitoramento e avaliação do projeto é a Rainforest Alliance, que terá suporte também do Sustainable Food Lab para tópicos relacionados à avaliação de renda, estratégia e acompanhamento do progresso dos produtores de café.

O sucesso do plano será mensurado a partir de dois indicadores-chave: (1) até 2025, a Nescafé quer garantir que 100% do seu café seja de origem responsável, sendo que no Brasil a meta foi alcançada em 2019, e (2) garantir que 20% do café da marca seja obtido a partir de métodos agrícolas regenerativos até 2025; 50% até 2030.

O anúncio de hoje dá continuidade aos esforços iniciados pela Nescafé em 2010. De lá para cá, algumas iniciativas já deram frutos, a exemplo da redução de cerca de 50% na captação de água das suas fábricas de café solúvel na comparação entre 2020 e 2010, por tonelada de produto, e da marca de 82% de aquisição de café de origem responsável ao redor do mundo em 2021. No Brasil, como mencionado anteriormente, esse número já é de 100%, com todo o grão comprado e consumido no país tendo certificação. 

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Dirceu Ferreira Junior

Dirceu Ferreira Junior

Sócio e Líder do PwC Agtech Innovation, PwC Brasil

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