Abril 14, 2022
Por Vitor Lima*
A agricultura de precisão tem atraído cada vez mais os olhares das grandes indústrias dedicadas à proteção de cultivos em nome de ganhos de produtividade sem o aumento da área plantada. Com a tecnologia da agtech alemã GeoPard, a visualização dos talhões assume o formato de mapas coloridos, tridimensionais e que integram diferentes tipos de informações.
Plano tridimensional do talhão (Imagem: GeoPard)
Em 2022, a agtech, que já marca presença em 35 países de 4 continentes, mira fortalecer sua presença no Brasil e investir no desenvolvimento de novas tecnologias. A GeoPard está se preparando para uma captação de Série A e espera trazer para perto, além de investidores, parceiros especializados no seu core business, a agricultura de precisão. A GeoPard atende quaisquer culturas agrícolas e presta serviço também para o setor florestal.
Condensando na sua plataforma em nuvem os dados vindos de imagens de satélites com mais de 30 anos de registros, topografia do terreno das lavouras e análises químicas do solo, a GeoPard descreve sua solução como a “integração de diferentes camadas de dados formando mapas perfeitos”, nas palavras de Dmitry Dementiev, CEO e co-fundador da GeoPard.
Segundo ele, as grandes indústrias clientes da GeoPard já observam reduções médias de até 10% no uso de sementes e de até 40% nos custos com aplicação de defensivos agrícolas. Os herbicidas são os produtos que mais ganham eficiência com a melhor aplicação, tendo sido registrada queda de até 70% nos custos com os combatentes de ervas daninhas na lavoura frente métodos de aplicação generalizada usados tradicionalmente campo.
As zonas de aplicação podem ser configuradas no computador direto com o tipo de insumo aplicado, quantidade e preço por hectare (Imagem: Geopard)
“Queremos oferecer a agricultura de precisão de forma facilitada. Basta que o cliente desenhe as fronteiras do seu terreno na plataforma e, então, automaticamente, nós fornecemos o histórico da área e potencial produtivo baseado na integração de dados”, explica Dementiev.
A avaliação dos resultados da aplicação da agricultura de precisão, devido aos altos custos envolvidos, deve ser feita com base no retorno sobre o investimento, e é neste ponto que o Brasil ganha atenção estratégica dos alemães.
Dmitry Dementiev, CEO da GeoPard
“A base de avaliação dos resultados é o retorno sobre o investimento (ROI) e o Brasil apresenta respostas muito positivas nesses termos, principalmente devido às duas safras por ano e à alta produtividade das lavouras”, afirma Dementiev.
No pipeline das ações estratégicas de 2022, a captação de uma nova rodada de investimentos está prevista para os próximos meses. A expectativa é levantar € 5 milhões (cerca de R$ 25 milhões) para dois objetivos principais: evoluir o modelo de negócios e desenvolver novos recursos e funcionalidades para a plataforma.
Hoje, a agtech fornece sua tecnologia ao mercado de três formas: via API, widgets e white label. No primeiro caso (API), o cliente conecta a solução a qualquer sistema, plataforma ou serviço em que já opera. No segundo (widgets), ganha um atalho para a ferramenta com interface para visualização direta pelo usuário. No terceiro (white label), faz uso da plataforma como se fosse da própria empresa contratante, que mantém sua identidade visual e ao mesmo tempo não precisa desenvolver nada internamente.
Tecnologia da GeoPard e My John Deere operando em conjunto para análise de dados (Foto: Real Agriculture)
Na linha de acelerar o desenvolvimento de novas funcionalidades para sua plataforma, a GeoPard também busca novos parceiros. Até aqui, já construiu relações com uma empresa americana de defensivos agrícolas e sementes e a gigante de maquinários John Deere. Esta última levou à integração do sistema da startup com o My John Deere, sua plataforma de gerenciamento de fazendas online e de agricultura de precisão.
A meta agora é incluir novos módulos voltados à análise do carbono nas lavouras, aplicação controlada de nitrogênio e cálculo de indicadores de sustentabilidade.
Atualmente, o cálculo de potencial de produtividade do campo é um dos principais recursos oferecidos pela agtech aos seus usuários. A partir da sobreposição das camadas de diferentes informações agronômicas relativas à produtividade da lavoura — como solo, clima, histórico da área, topografia e inclinação do terreno — é possível obter uma visualização completa dos detalhes de cada metro quadrado do talhão, otimizando o uso da terra.
A busca pela máxima produtividade vem sempre acompanhada da busca pelo máximo rendimento econômico e sustentabilidade do solo no longo prazo. “Em muitos casos, é mais interessante e viável economicamente plantar menos. Isso ocorre em função dos pontos de menor potencial da terra, que só aumentam custos com insumos”, reitera Dementiev.
Além da visualização integrada das informações, a startup alemã visa caminhar também em direção à agricultura de predição e de prescrição. Hoje, já é possível programar mapas prescritivos com aplicações por taxas variadas de insumos, como fertilizantes e herbicidas, com base na necessidade de cada porção de terra da lavoura.
A solução foi criada para um perfil de usuário especialista em agricultura de precisão, como agrônomos de grandes empresas ou técnicos de fazenda independentes. De qualquer forma, a interface simples e intuitiva é uma das apostas para a expansão da tecnologia.
*Com edição de Marina Salles