Agosto 2, 2022
Seis startups foram selecionadas para integrar o quarto e último ciclo do Programa Soja Sustentável do Cerrado, que teve como tema soluções para pagamento por serviços ambientais, mercado de carbono, mecanismos financeiros, monitoramento, adequação e conformação ambiental, cobrindo algumas das principais demandas de conservação e restauração ambientais da atualidade. As selecionadas são: Terras App Solutions, Sintrópica Capital Natural, Bioflore, Preservaland, Green Bonds Brasil e Regrow Ag.
As empresas vêm se somar a outras 15 selecionadas nos três primeiros ciclos do programa na formação de um portfólio integrado de soluções inovadoras em favor da cadeia de suprimentos da soja sustentável, livre de desmatamento e conversão de vegetação nativa.
Resultado da parceria entre o Land Innovation Fund e AgTech Garage, com apoio estratégico da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) e do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPQD), o PSSC conta com recurso inicial de cerca de R$ 3,4 milhões para apoio às startups, com a possibilidade de aumento de receita a partir da entrada de novos parceiros interessados em apoiar o ecossistema de inovação pela sustentabilidade do agronegócio.
Ao longo dos quatro ciclos, o programa recebeu 163 inscrições vindas do Brasil e do exterior. Os finalistas foram escolhidos a partir de critérios como inovação, modelo de negócio, perfil da equipe, impacto ambiental, viabilidades técnica e econômica, e sinergia com os objetivos gerais do Land Innovation Fund para desenvolver, testar e entregar soluções científicas, tecnológicas e de negócios em favor de uma cadeia de suprimentos da soja sustentável e livre de desmatamento na América do Sul. Também foi levado em consideração o potencial de intercâmbio e complementaridade entre os projetos para enfrentar alguns dos maiores desafios da agenda de sustentabilidade internacional.
“Com os quatro ciclos do Programa Soja Sustentável do Cerrado, conseguimos criar condições para o desenvolvimento de uma paisagem de inovação, com espaço para o intercâmbio entre os diversos atores e o fomento de soluções com potencial transformador para a cadeia da soja, em diferentes estágios de desenvolvimento”, explica Carlos E. Quintela, diretor do Land Innovation Fund. “As 21 iniciativas selecionadas para compor o PSSC oferecem soluções de inovação para toda a propriedade rural – da área produtiva à floresta em pé – alinhadas com as principais questões da agenda de sustentabilidade internacional, e garantem diversidade ao nosso portfólio de projetos”, completa Quintela.
Com mais esta etapa concluída, o portfólio do PSSC passa a contar com soluções de 21 startups: Terras App Solutions, Sintrópica Capital Natural, Bioflore, Preservaland, Green Bonds Brasil, Regrow Ag, Adapta, Agrorobótica, AgTrace, BrainAg, BrCarbon, Busca Terra, Connect Farm, Forestmatic, Green Bug, Maneje Bem, SafeTrace, SciCrop, Plantem, Quiron e Um grau e meio.
Carlos Quintela, diretor do Land Innovation Fund
Terras App Solutions: startup voltada para o desenvolvimento de aplicativos de gestão da propriedade rural, monitoramento de risco socioambiental e rastreabilidade de produtos agrícolas. A proposta da Terras é facilitar (1) o acesso ao crédito rural sustentável, (2) ampliar a oferta de assistência técnica dos imóveis rurais e (3) realizar o monitoramento socioambiental e de produção das áreas participantes do projeto a fim de assegurar o aumento da produtividade e a compliance socioambiental de negócios sustentáveis. Com a oferta dos serviços, a Terras App espera criar condições para o incremento produtivo da propriedade rural conjugado à adoção de práticas agrícolas sustentáveis e de baixo carbono, favoráveis à manutenção da biodiversidade e da preservação ambiental.
Sintrópica Capital Natural: startup dedicada ao desenvolvimento de soluções ponta a ponta em Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA), a empresa propõe-se a estruturar cadeias de crédito rural sustentável e viabilizar recursos para que produtores, cooperativas rurais, fornecedores de insumos sustentáveis e outros profissionais da cadeia de suprimentos agrícola invistam em ações de manejo sustentável e de conservação e restauração em propriedades rurais, gerando renda e benefícios em serviços ecossistêmicos. A empresa utiliza ferramentas de geotecnologia para avaliação e aferição de ativos ambientais, enquanto desenvolve metodologias de valoração seguindo parâmetros praticados no mercado internacional para efetivação de CPR-Verde.
Bioflore: plataforma web e aplicativo mobile que dá flexibilidade para as associações de produtores, construindo um banco de áreas para que as empresas possam compensar suas emissões de carbono e garantir geração de renda para o pequeno produtor. A solução da Bioflore utiliza inteligência artificial e técnicas de sensoriamento remoto para reduzir o custo no monitoramento de carbono e da biodiversidade em remanescentes de vegetação nativa e projetos de restauração florestal em propriedades rurais. O sistema FloreViewer permite o monitoramento remoto de variações de estoque de carbono e padrões de biodiversidade em áreas de vegetação nativa em propriedades rurais produtoras de soja, reduzindo custos com idas a campo e tornando a solução mais acessível para o produtor rural interessado em gerar renda através da restauração e manutenção de APPs e Reserva Legal.
Preservaland: fomentar a preservação ambiental através da valoração financeira de áreas florestadas em imóveis rurais, essa é a proposta da Preservaland. A startup faz a conexão entre empresas da iniciativa privada interessadas em cumprir metas de ESG e produtores rurais dispostos a gerar renda com áreas florestais disponíveis em suas propriedades. Utilizando uma plataforma digital com imagens de satélite que identificam e monitoram potenciais áreas de preservação ambiental, a empresa cria uma base de dados de áreas passíveis de adoção para preservação pela iniciativa privada. A ferramenta reduz intermediários no mercado de negócios verdes e viabiliza a preservação ambiental de modo eficiente, acessível e escalável.
Green Bonds Brasil: a proposta da fintech é montar uma cadeia de custódia para o mercado voluntário de carbono brasileiro, da contratação de estudos de estimativa de estoque ao registro digital dos créditos em estrutura blockchain e registro API, até a comercialização para empresas que desejem compensar suas emissões, conferindo transparência e rastreabilidade ao processo. A custódia do crédito de carbono é uma iniciativa inédita da Green Bonds Brasil. A empresa pretende criar uma base de dados que pode ser monitorada pelo proprietário rural dentro de uma PI modo proprietário, com créditos que podem ser comercializados por empresas interessadas em compensar suas emissões ou hubs que queiram negociar carbono no mercado.
Regrow Ag: Usando modelos de culturas e solos cientificamente verificados, conectividade com plataformas de gerenciamento de fazendas e terabytes de imagens de satélite para apoiar mercados e programas de ecossistemas equitativos, a Regrow Ag criou uma ferramenta de mensuração, reporte e verificação (MRV) independente, capaz de monitorar toda a propriedade – da área plantada à reserva legal. A startup pretende agora adaptar e validar o modelo já utilizado pela empresa às características e condições tropicais de solo, clima e sistemas de produção para oferecer um sistema transparente e robusto de monitoramento das propriedades rurais de soja do país. A ferramenta conjuga sensoriamento remoto, modelagem e amostragem do solo, aumentando a viabilidade econômica e a escalabilidade do projeto.