Dezembro 14, 2022
As startups brasileiras têm atendido mais às expectativas dos investidores nas fases iniciais de desenvolvimento do negócio em comparação a fases mais maduras. O retrato, resultado da pesquisa “Jornada da Confiança”, realizada pela PwC Brasil com apoio da Liga Ventures e do AgTech Garage no setor de Agronegócios, revela, pela primeira vez, como as empresas estão posicionadas em termos de governança corporativa em relação à expectativa dos investidores.
Movimentando cerca de US$ 3 bilhões nos três primeiros trimestres de 2022, segundo o State of Venture Q3’22 Report (CB Insights), as startups foram avaliadas do ponto de vista da expectativa dos investidores e de suas práticas para cada fase de sua jornada: Ideação, Validação, Tração e Escala.
A pesquisa foi realizada com 169 empreendedores e 37 investidores que responderam a questões elaboradas tendo por base o framework criado pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), amparado em quatro pilares:
Luiz Ponzoni (PwC Brasil), Camila Simão (BR Angels), Daniel Grossi (Liga Ventures) e Isadora Faria (PwC Brasil) participaram do painel de apresentação da pesquisa ao mercado (Foto: PwC Brasil)
No que se refere ao pilar “Estratégia e sociedade”, a pesquisa mostra que as startups que estão nas fases iniciais de Ideação e Validação apresentam maturidade elevada em relação às práticas sugeridas pelo framework e superam as expectativas dos investidores. Os resultados mostram amadurecimento acima de 50% para temas como Contribuição dos sócios; Expectativa de cada sócio; Regras de saída e/ou de entrada; Alçadas, papéis e responsabilidades; e Estatuto ou contrato social.
Mas, ao chegar à fase de Tração, começam a surgir alguns pontos de atenção: 20% das startups afirmam cumprir as práticas relacionadas aos temas Processo formal para estratégia e gestão de riscos, e Ética e conduta, ante uma expectativa maior dos investidores (41%). Essa diferença entre expectativa dos investidores e práticas adotadas mostram que há uma oportunidade clara de diferenciação para as startups nesse pilar e nessa fase.
“Estabelecer claramente as responsabilidades individuais em uma empresa e definir um bom sistema de prestação de contas facilita a supervisão da administração e melhora a tomada de decisão durante a jornada de crescimento da organização. Com este retrato inédito que traçamos sobre a maturidade do ambiente de governança no ecossistema brasileiro de startups, esperamos ajudar negócios nascentes a atingir o máximo potencial e a colher os benefícios dos seus esforços”, afirma o sócio da PwC Brasil Luiz Ponzoni, responsável pela pesquisa.
Neste pilar, as startups estão em um patamar de menor maturidade e de maior distância em relação ao framework e às expectativas dos investidores. Exceção apenas, na fase de Ideação, para criação de rede de mentores e conselheiros, para a qual observamos a adoção por 83% das startups. Na fase de Tração, as expectativas dos investidores superam os 46% em todas as práticas, mas as startups não atingem os requisitos esperados. Vemos o mesmo cenário na fase de Escala, o que revela mais um campo de oportunidades de avanço e diferenciação não só em termos de governança corporativa, mas também de atração e retenção de talentos.
De acordo com a pesquisa, no pilar “Tecnologia e propriedade intelectual”, há um sinal de alerta para as startups. Na fase de Tração, 45% têm baixo nível de maturidade e quase metade ainda adota práticas da fase de Ideação, mesmo estando em estágio avançado de desenvolvimento. Além disso, 25% das startups em estágio de Escala não adotam nenhuma das práticas de governança corporativa associadas à tecnologia e propriedade intelectual.
“Somos o braço direito de inovação aberta das empresas, trazendo soluções e serviços customizados para ajudar as nossas startups em seus desafios. Entender como nossas startups estão posicionadas em relação ao tema da governança é um dos principais caminhos para a criação de um ambiente de confiança, transparência e integridade dos negócios, garantindo promover ações concretas para apoiar os empreendedores em sua jornada de crescimento”, diz o sócio-fundador da Liga Ventures Rogério Tamassia.
As startups em Validação começam a se preocupar com os temas de “Controles internos de apuração de resultado” e “Modelo de planejamento e gestão orçamentário estruturados”, chegando com elevada maturidade na fase de Escala. Segundo a pesquisa, 82% das startups têm controles internos de apuração de resultado, enquanto 77% apresentam modelos de planejamento e gestão orçamentário estruturados.
Já as práticas de “Relacionamento com Órgãos de fiscalização e controle complementares” e de “Função/área de relacionamento com investidores” permanecem com baixa maturidade de implementação mesmo na fase de Escala.
“Os investidores exigem cada vez mais das empresas a confirmação de que os conceitos de governança, mais do que um discurso, estão realmente sendo aplicados na prática. O nosso estudo permite ver exatamente como o ecossistema de startups está percorrendo sua jornada da teoria para a prática da governança”, afirma o sócio da PwC Brasil Rodrigo Marcatti.