Agosto 12, 2022
Por Marina Salles
Um estudo inédito, utilizando a ressonância magnética, permitiu monitorar e avaliar estratégias preventivas para evitar o empedramento dos fertilizantes quando em contato com alta umidade. Estudos complementares, com a mesma tecnologia, permitiram determinar, com precisão e rapidez, as propriedades hidráulicas de solos, uma das informações mais relevantes para a agricultura e o melhor uso da água.
O estudo foi desenvolvido pelo agrônomo da Embrapa Solos, Etelvino Henrique Novotny, em colaboração com o Instituto de Física de São Carlos (IFSC-USP). Doutor em Físico-química e pós-Doc em Física, ele é um dos 50 pesquisadores mais citados da América Latina.
A pesquisa desenvolvida avalia a eficácia de anti-umectantes em fertilizantes, estudando não somente a absorção de água, mas sua distribuição nos diferentes componentes do produto, obtendo informações de importância prática, como a exata quantidade e o momento em que a água é absorvida pela ureia e pelo anti-umectante.
“Conseguimos definir a quantidade de anti-umectante necessária para suprimir a absorção de água pela ureia, de acordo com o tempo de exposição à alta umidade, ou seja, é possível ‘projetar’ quanto de anti-umectante o fertilizante necessita para, por exemplo, ficar exposto à noite à umidade na lavoura, sem que o processo de empedramento se inicie”. Outra conquista foi a identificação do momento em que a ureia começa a se solubilizar (primeira etapa do empedramento).
O método de ressonância magnética em baixo campo torna possível acompanhar, em tempo real, a dinâmica de absorção de umidade pelos fertilizantes e outros produtos. Com isso, é possível avaliar com muito mais precisão diferentes estratégias que visam diminuir as perdas dos fertilizantes por empedramento.
“Tão importante quanto obter novas fontes de fertilizantes é minimizar suas perdas e otimizar seu uso, aumentando a sustentabilidade da agropecuária e diminuindo a dependência. Seguindo o conceito da sustentabilidade, será possível produzir mais com menos, reduzindo a necessidade de importações e exaurindo menos recursos não renováveis”.
Segundo o pesquisador, cerca de 80% da matéria prima e produtos industriais (alimentos, fármacos e agroquímica, além dos fertilizantes) são muitos sujeitos ao empedramento na forma de pós ou particulados.
Equipamentos de ressonância magnética nuclear em baixo campo também estão sendo usados na Ciência do Solo para determinação das curvas de retenção de água e monitoramento da dissolução de fertilizantes no campo em tempo real.
No Brasil, Novotny tem dado continuidade aos estudos utilizando a tecnologia de ressonância magnética desenvolvida pela startup Fine Instrument Technology (FIT). Único equipamento fabricado no país, o SpecFit é empregado também em outros contextos, como de análises de produtos da agroindústria (azeites, carnes e grãos) em parceria com a Embrapa Instrumentação, de São Carlos (SP).
As análises são realizadas em poucos segundos, de forma não destrutiva podendo ser feitas, na maioria das vezes, sem a necessidade de se abrir as embalagens. “Nossa tecnologia tem permitido usos inovadores, como na seleção de sementes oleaginosas, análises de grãos e de alimentos industrializados, inclusive para identificação de adulteração de produtos. As fronteiras estão se expandindo”, diz a CEO da FIT, Silvia Azevedo. A startup é investida da gestora NT@gro, que mantém fundos de hard science.