Abag lança pesquisa sobre inovação e competitividade no agronegócio

Levantamento traz um raio-X dos desafios e oportunidades envolvendo acesso a tecnologia, talentos e recursos para fomentar o avanço do setor

Março 15, 2023

A pesquisa da Abag mensurou a importância de diversos fatores que impactam o agronegócio (Foto: CNA)

Por Marina Salles

A gestão da inovação tem se mostrado um fator crucial para o agronegócio brasileiro manter a posição de destaque que conquistou no cenário internacional nas últimas décadas. Diante dessa constatação, a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) divulga a segunda edição do seu levantamento Visão da Inovação e da Competitividade do Agronegócio, que traz um panorama dos desafios e oportunidades mapeados por diferentes atores do setor para se manterem relevantes num cenário de transformações cada vez mais aceleradas. 

A pesquisa da Abag mensurou a importância de diversos fatores que impactam o agronegócio, considerando diferentes players do ecossistema entre dezembro de 2022 e janeiro de 2023. O estudo anterior havia sido realizado em 2020. 

De uma amostra de 100 respondentes, 24% atuam em grandes empresas ou startups do ramo agropecuário, 22% têm relação com hubs de inovação, 16% estão na Academia, 15% em instituições governamentais, 10% na indústria e 7% são produtores rurais, entre outros (6%). 

Em termos de segmentos da cadeia, mais da metade dos entrevistados trabalha com a pecuária, enquanto a outra metade se divide entre o setor agrícola e florestal. 

Desafios

Os principais desafios para a competitivida­de do agronegócio, segundo eles, são:

  • infraestrutura do país (para 85%)
  • efeitos das mudanças climáticas 
  • regulações e políticas públicas

No caso dos gargalos internos nas organizações, os participantes destacam: 

  • falta de acesso a recursos financeiros (para 52%) 
  • necessidade de melhoria na gestão e governança das empresas do setor

Oportunidades

Já em relação aos temas relevantes para a  inovação e competitividade serem colocadas em prática, os entrevistados elencaram, nesta ordem, como tendo peso “muito alto”:

  • fator humano
  • questões organizacionais
  • recursos financeiros
  • tecnologias 4.0
  • questão ambiental (destaque também no peso “alto”)

Mais de 60% consideraram que pessoas motivadas e comprometidas são extremamente importantes no ambiente de trabalho.

Enquanto mais de 50% apontaram que não é possível ter competitividade sem P&D e um perfil inovador na empresa. 

A falta de recursos e investimentos em inovação aparece, de novo, como um gargalo para tornar as organizações mais competitivas, junto com a gestão de custos e produtividade.

Cooperação com startups

Segundo a pesquisa, o engajamento de startups e grandes empresas pode ser produtivo nos mais diversos aspectos para o agronegócio. Os respondentes defendem que essas conexões têm papel importante no ganho de eficiência, produtividade, escala, empreendedorismo e novos modelos de negócio para as grandes empresas. 

As organizações se mostraram, em relação ao levantamento de 2020, mais abertas a parcerias para experimentação e desenvolvimento de projetos piloto, de forma a testar e escalar soluções com resultados em campo.

Quanto às tendências, a percepção é de que a inovação deverá permear toda a cadeia produtiva. Para 60% dos respondentes, as principais tendências são: agricultura de precisão, inteligência artificial, equipamentos autônomos, aplicativos e softwares de gestão. Também foram citadas tecnologias ligadas à rastreabilidade, como o blockchain e a agricultura vertical.

Segundo o levantamento, as empresas também estão investindo em: inovação das marcas, oferta de valor, plataformas digitais, melhoria de soluções, processos, organização, cadeia de fornecimento, presença de rede, além de avanços na experiência do usuário. 

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Dirceu Ferreira Junior

Dirceu Ferreira Junior

Sócio e Líder do PwC Agtech Innovation, PwC Brasil

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