Março 14, 2023
A produção e o uso de produtos madeireiros florestais amplia a remoção de CO2 da atmosfera (Foto: CNA/ Tony Oliveira)
Da redação
Um estudo da Embrapa Florestas deu origem a um levantamento de emissões e remoções de carbono de produtos florestais madeireiros (PFM) no Brasil. Os PFM são definidos como produtos manufaturados após a colheita da madeira.
O primeiro levantamento, elaborado em 2020 utilizando o ano de 2016 como referência, contabilizou 50,7 milhões de toneladas de CO2 equivalente no país, 3,5% do total de emissões do Brasil. Apesar de pequeno, quando comparado a de outros países, esse valor é deduzido da conta final de emissões brutas, o que é estratégico para o país.
Os dados brutos de produção madeireira são obtidos do banco de dados estatísticos da Agência das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) e usados nos cálculos do carbono dos produtos florestais. O banco de dados possui informações desde 1961, com atualizações periódicas. “Para o cálculo das estimativas de carbono, considera-se a produção e as perdas de madeira anuais, além do descarte dos produtos em uso e a taxa de decomposição da madeira, a qual emite CO2 para a atmosfera, obtendo-se assim o balanço de carbono desses produtos a cada ano” explica o pesquisador Luiz Marcelo Rossi, responsável pela coordenação do relatório sobre a remoção dos PFM.
Para a estimativa final do estoque de carbono dos produtos florestais madeireiros é considerada a produção de toras que se destina a vários processos industriais, exceto madeira e carvão, já que, pela metodologia do IPCC, essas categorias geram emissão imediata de carbono. “A madeira em tora produzida pelos plantios é transformada em três tipos principais de produtos industriais: produção de papel e papelão, painéis, chapas e laminadose madeira serrada”, acrescenta Rossi. Os produtos são contabilizados até essa etapa de processamento, apesar de a madeira seguir por outros processos de transformação como, por exemplo, painéis que viram móveis, papéis para confecção de livros e madeira serrada para construção de casas.
Os dados obtidos no estudo foram incluídos no Inventário Nacional de GEE enviado à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês). O relatório, publicado a cada cinco anos, apresenta um panorama sobre a implementação no país da chamada Convenção do Clima e tem como um dos principais componentes a revisão e atualização do Inventário Nacional de Emissões e Remoções Antrópicas de Gases de Efeito Estufa (GEE) não Controlados pelo Protocolo de Montreal.
De acordo com o pesquisador Rossi, a metodologia do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC-2006) estabeleceu modelos, cálculos e dados de referência, como, por exemplo, a densidade de cada madeira considerada e o teor de carbono dos produtos.
“A madeira é composta por carbono em cerca de 50%, assim todo PMF, como um móvel, um livro, uma tábua contém carbono que foi retirado da atmosfera pelas árvores. Dessa maneira o carbono permanece armazenado no produto até que inicie a decomposição e consequente emissão e CO2 após o uso. Assim, a produção e uso de PMF é uma forma de aumentar a remoção de CO2 da atmosfera contribuindo para redução dos efeitos das mudanças climáticas”, afirma.
A contribuição dos produtos florestais na remoção de CO2 representa cerca de 13% das emissões brutas do setor Uso da Terra, Mudança do Uso da Terra e Florestas no Brasil (LULUCF). Segundo o guia metodológico do IPPC, as estimativas de carbono em produtos florestais podem ser feitas por três diferentes abordagens (mudança de estoque, fluxo atmosférico e de produção), cabendo a cada país, decidir qual a mais adequada para elaborar seu inventário de emissões. A abordagem utilizada pelo Brasil para a estimativa da contribuição dos produtos florestais madeireiros é a de fluxo atmosférico.
Para ler a notícia na íntegra, acesse: Embrapa.