Tecnologia da Roboagro apresenta resultados positivos em estudo com a Embrapa

Com robô alimentador, foi possível porcionar a dieta oferecida aos animais, gerando maior bem-estar e economia no consumo de ração

Março 2, 2023

O Roboagro Flex Feed é capaz de fornecer ração seca ou úmida em horários pré-agendados para até 3.500 suínos em sistema de multitratos (Foto: Roboagro)

Por Marina Salles

O estudo realizado pela Embrapa Aves e Suínos, em parceria com a startup Roboagro, apresentou seus primeiros resultados. O objetivo da pesquisa foi avaliar o desempenho de grupos de suínos submetidos a diferentes estratégias de arraçoamento usando o robô Flex Feed, que permite a alimentação fracionada dos animais.

A tecnologia da startup surgiu como uma resposta à transformação da suinocultura nacional, que tem como desafios a escassez de mão de obra no campo e o aumento de custos com alimentação animal, em operações cada vez maiores.

O experimento

O experimento foi conduzido em duas unidades de crescimento e terminação de suínos, cada qual com objetivos distintos de produção:

  • Granja 1: destinada ao mercado interno, em que os animais receberam o aditivo alimentar ractopamina na ração no final da terminação
  • Granja 2: destinada à produção para o mercado externo, onde os suínos não receberam ractopamina na ração

Durante o experimento, foram aplicados quatro tratamentos nas unidades:

T1: quatro tratadas iguais

T2: quatro tratadas com quantidades diferenciadas, sendo a primeira e a última tratadas do dia com maior quantidade de ração do que as duas tratadas intermediárias

T3: cinco tratadas iguais

T4: cinco tratadas com quantidades diferenciadas, sendo a primeira e as duas últimas com maior quantidade de ração e a segunda e a terceira com menor quantidade ração

Principais resultados

De acordo com a pesquisa, cujos detalhes foram publicados pela Embrapa e podem ser conferidos na íntegra, houve diferença dos sistemas de alimentação dos suínos entre as unidades de produção. Suínos destinados ao mercado interno tiveram melhor desempenho zootécnico na alimentação com quatro tratos e porções distintas ao longo do dia. Já os suínos destinados ao mercado externo apresentaram maior peso vivo, de carcaça e ganho de peso diário no tratamento em que foram alimentados com cinco tratos e porções distintas ao longo do dia. 

Como os humanos, o estudo mostrou que os suínos também preferem receber porções diferenciadas. “É como se estivessem comendo café da manhã, almoço, lanche e jantar. Assim, o resultado é melhor do que ingerindo a mesma quantidade por refeição ao longo do dia”, explica o CEO da Roboagro, Giovani Molin – o que fez mais diferença principalmente entre os animais criados para o mercado interno. 

“O estudo também mostra que os animais têm mais fome nos horários mais frescos, quando é oferecido volume maior de ração. Dessa forma, evita-se o desperdício e melhora o bem-estar animal”, acrescenta.

Molin aponta ainda que houve ganhos econômicos com esse tipo de manejo. “O principal ponto é a melhoria de conversão alimentar, os tratos feitos da maneira indicada no estudo economizam até R$ 15 por animal. A economia pode chegar a R$ 135 mil por ano por granja. Além disso, uma melhora de 2% na conversão alimentar pode gerar um aumento de 1,6% na margem da agroindústria, que usualmente gira em torno de 8% no total”, diz.

Segundo o pesquisador da Embrapa Aves e Suínos, Osmar Dalla Costa, a alimentação corresponde a aproximadamente 80% do custo de produção do suíno, sendo qualquer redução de gastos bem-vinda neste sentido. Além disso, segundo ele, houve diminuição na produção de dejetos dos animais, e consequentemente, na pegada ambiental da atividade. 

A Serra Ventures e seu smart-money

O aporte da Serra Ventures vem acompanhado de smart-money. A gestora, fundada em 2008 nos EUA, já investiu em mais de 100 empresas de estágio inicial, focadas em resolver problemas específicos com tecnologia de ponta. Na sua filosofia, o coaching dos empreendedores é um dos pilares de geração de valor para as investidas.

No caso da Eiwa, o aporte foi realizado por meio do Serra Capital Ag Tech Fund, que já tem outras 19 startups do setor de agronegócios, alimentação e tecnologia no portfólio. Entre elas, estão foodtechs como a Cumin Club (de refeições indianas pré-prontas) e Food Maven (de inteligência artificial para o foodservice), além de agtechs com soluções diferenciadas. É o caso da Hypercell Technologies (que acompanha a proliferação de doenças em animais de produção para evitar o surgimento de novas pandemias) e Veritas (que produz substratos para plantio de hortaliças e berries em sistema de agricultura vertical usando rejeitos de outras indústrias, como a de água de coco).

A gestora elenca como critérios de escolha das startups no seu portfólio: times com forte experiência técnica, empresas com modelo de negócios gerador de caixa, produtos com demanda comprovada, base de clientes relevantes e aposta em tecnologias patenteadas ou com barreira de entrada clara para novos concorrentes.

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Dirceu Ferreira Junior

Dirceu Ferreira Junior

Sócio e Líder do PwC Agtech Innovation, PwC Brasil

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